Manifestação na Argentina deixa três levemente feridos, diz jornal
da Folha Online
Ao menos três pessoas ficaram levemente feridas na noite desta quarta-feira (26), no segundo dia consecutivo de protestos na Praça de Maio, em Buenos Aires (capital da Argentina), segundo o jornal "Clarín".
A mobilização ocorrida na noite desta quarta-feira incluiu discussões e enfrentamentos entre manifestantes encabeçados por Luis D'Elía, líder do movimento Federação de Terras e Vivendas, que apóia o governo da presidente Cristina Fernández de Kirchner, e manifestantes de esquerda que apoiavam o protesto do campo.
Por volta da 21h (mesmo horário de Brasília), membros do movimento Federação de Terras e Vivendas se reuniram na Praça de Maio. "Voltamos a convocar os militantes para defender o governo nacional contra o golpe da direita", afirmou o líder "piqueteiro", citado pelo "Clarín".
Pouco antes haviam se dirigido ao local militantes de grupos que expressaram apoio ao locaute rural. Os insultos entre os dois grupos levaram aos enfrentamentos entre os manifestantes que deixaram três pessoas levemente feridas. Os incidentes ocorreram sem a presença da polícia, pois --diferentemente do habitual-- não foram vistos efetivos na praça. "Vamos voltar toda vez que for necessário", disse D'Elía.
Na manhã desta quarta-feira (26), o governo argentino havia tentado demonstrar que os panelaços na capital do país e as manifestações de ruralistas no interior ocorridas na véspera não surtiram efeito. O ministro da Economia, Martín Lousteau, rechaçou a possibilidade de mudanças no esquema de retenção às exportações, e o titular da Justiça, Aníbal Fernández, havia prometido impedir novos bloqueios de estradas.
Crise
Passados pouco mais de três meses desde que chegou ao poder, a presidente da Argentina enfrenta grave crise gerada pelo conflito no campo, que se estendeu às cidades, onde milhares de pessoas promoveram nesta terça-feira (25) o primeiro "panelaço" em massa contra o governo.
Poucas horas depois de ela ter anunciado sua decisão de se manter firme e não negociar com os produtores agropecuários, em locaute há duas semanas, milhares de pessoas foram às ruas das principais cidades do país para protestar contra a presidente.
Batendo panelas e frigideiras, milhares de argentinos bloquearam o tráfego no centro de Buenos Aires e marcharam pacificamente pela capital gritando palavras de ordem contra Cristina, dando início ao primeiro "panelaço" enfrentado pela governante argentina.
A mobilização chegou à Praça de Maio, em Buenos Aires, onde milhares de pessoas se concentraram por horas, e em frente à residência presidencial da Quinta das Oliveiras, nos arredores da cidade.
Perto da meia-noite (mesmo horário de Brasília), grupos de manifestantes peronistas que apóiam o governo enfrentaram os moradores com gritos de "Pátria sim, colônia não" e os obrigaram a abandonar a Praça de Maio, em um clima de tensão que não contou com intervenção policial.
Manifestações similares ocorreram em outras importantes cidades do interior do país, como Córdoba, Tucumán, Mar del Plata e Rosário.
Os protestos trazem à memória dos argentinos um dos períodos mais negros de sua história recente, o colapso econômico e político de 2001 e 2002, quando o "panelaço" se consolidou como forma de protesto popular e terminou derrubando o então presidente Fernando de la Rúa.
Estopim
O estopim para iniciar a grande manifestação urbana foi a falta de jogo de cintura de Cristina para resolver o conflito gerado pelos produtores agropecuários, que estão em locaute devido ao aumento dos impostos às exportações. No entanto, o mal-estar nas cidades é reflexo de uma série de problemas não-resolvidos.
A lista inclui a inflação não reconhecida pelo governo --de até 20% segundo analistas independentes e de 8% segundo fontes oficiais--, a recém-iniciada falta de abastecimento de produtos básicos, como a carne e o leite, e a falta de segurança.
A crise no campo, a mais grave enfrentada por Cristina em sua curta gestão, coincide com uma queda de popularidade de nove pontos percentuais em março (47%) em relação à aprovação de 56% que a governante tinha em janeiro, segundo a última pesquisa da empresa Poliarquia.
Cristina sucedeu seu marido, Néstor Kirchner, na Presidência em 10 de dezembro passado, após vencer as eleições gerais de outubro com 45,29% dos votos.
Com Efe
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