Mundo
27/03/2008 - 10h59

China diz que revoltas foram "lição"; dalai-lama pede que país "aceite a realidade"

da Efe, em Pequim

O porta-voz do Ministério de Relações Exteriores chinês, Qin Gang, afirmou nesta quinta-feira (27) que as revoltas no Tibete e em outras zonas de população tibetana são "uma lição" para o país asiático, e acrescentou que "mostraram as verdadeiras faces de alguns ocidentais".

Já o dalai-lama, líder espiritual tibetano, pediu em Nova Déli (Índia) que o governo chinês "aceite a realidade", pois as "mentiras não podem funcionar" no século 21, informou a agência PTI.

"Os incidentes do Tibete foram um fato triste, mas em certo sentido podem ser algo bom, já que deles podemos aprender lições", afirmou o porta-voz, que voltou a criticar a cobertura da imprensa estrangeira sobre as revoltas.

O porta-voz também assegurou que o Tibete "não é uma Europa medieval", aludindo à imagem que a imprensa internacional apresentou dessa região. Qin reafirmou que o Tibete está em fase de desenvolvimento e que seus moradores, incluindo os monges, desfrutam de liberdade.

Arte Folha Online
Mapa Tibete

Sobre as ameaças de líderes europeus de boicotar os Jogos Olímpicos, Qin afirmou que Pequim espera que a Europa "não adote duplos padrões" neste assunto e "saiba diferenciar o correto do incorreto".

Diante das denúncias de grupos tibetanos no exílio sobre a violenta repressão dos protestos, o porta-voz assinalou que "onde forem cometidos crimes, haverá pessoal que vele pelo cumprimento da lei".

Após a repressão policial chinesa às manifestações de 10 de março em mosteiros de Lhasa, grupos tibetanos se uniram aos monges, aumentando a violência na cidade em 14 de março, nos piores incidentes no Tibete desde 1989.

Segundo o governo chinês, a revolta deixou 19 mortos, enquanto os tibetanos no exílio afirmam que cerca de 140 pessoas perderam a vida na repressão da polícia chinesa. Pequim acusa o dalai-lama de ter participado da organização dos protestos violentos, o que o líder espiritual tibetano nega.

Dalai-lama

O líder budista tibetano, que está na capital indiana oferecendo seminários de meditação, também pediu a seus "amigos" da comunidade internacional que manifestem sua preocupação com o que está acontecendo no Tibete.

"Quero expressar que chegou o momento de o governo chinês e as autoridades competentes aceitarem a realidade", disse o dalai-lama, acrescentando que, no século 21, as "mentiras não podem funcionar".

23.mar.2008/Reuters
O líder espiritual tibetano, dalai-lama, pede que a China aceite a realidade; ele está em Nova Déli dando seminários de meditação
O líder espiritual tibetano, dalai-lama, pede que a China aceite a realidade; ele está em Nova Déli dando seminários de meditação

As declarações do líder espiritual dos tibetanos ocorrem depois das acusações das autoridades chinesas de que ele está envolvido nas revoltas dos últimos dias em várias Províncias chinesas com forte presença tibetana.

Organizações de tibetanos no exílio indiano convocaram para hoje uma "marcha pacífica" com destino à fronteira entre a Índia e a China na região de Arunchal, segundo a PTI.

Além disso, grupos de manifestantes estão em greve de fome indefinida no posto de Rangpo, no nordeste da Índia.

Na segunda-feira passada, cerca de 400 manifestantes chegaram a esse lugar para tentar entrar na região de Sikkim, de onde tinham previsto atravessar a fronteira e chegar ao Tibete para mostrar solidariedade a seus compatriotas.

Jornalistas

Também nesta quinta-feira, um grupo de monges tibetanos aproveitou a entrada de um primeiro grupo de jornalistas estrangeiros em Lhasa, a capital do Tibete, para protestar contra a falta de liberdade religiosa, informaram os repórteres.

Cerca de 30 monges protestaram por aproximadamente 15 minutos nas imediações do templo Jokhang de Lhasa, um dos mais sagrados para o budismo tibetano. Eles também afirmaram que o dalai-lama não era culpado da violência, apesar de Pequim insistir em que ele foi o instigador da revolta.

 

FolhaShop

Digite produto
ou marca