Mundo
27/03/2008 - 20h04

Análise: Pré-candidatos dão receita para conter crise econômica nos EUA

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TERESA BOUZA
da Efe, em Washington

Assim como em 1992, quando Bill Clinton chegou à Presidência americana com um discurso sobre a economia dos Estados Unidos, a atual campanha pela Casa Branca gira, cada vez mais, em torno da atual situação econômica do país.

Uma prova disso é a agenda dos pré-candidatos, carregada de discursos sobre o presente e o futuro da economia americana.

O último exemplo chegou hoje mesmo, vindo de Nova York e da Carolina do Norte, onde o senador democrata Barack Obama, no primeiro caso, e sua adversária Hillary Clinton, no segundo, procuraram demonstrar que têm as receitas para superar as crises imobiliária e financeira.

A ex-primeira-dama apostou na formação da força de trabalho do país, enquanto o senador por Illinois defendeu a necessidade de reforçar a supervisão dos mercados financeiros e aprovar um novo pacote de estímulo econômico.

Na segunda-feira (24), foi a vez do candidato republicano, John McCain, que, da mesma forma que Hillary, falou sobre o mercado imobiliário e defendeu uma maior transparência na concessão de empréstimos hipotecários.

Nesta quinta-feira (27), Obama também fez referência à crise hipotecária e às turbulências financeiras em Wall Street, que evidenciaram, em sua opinião, a necessidade de um novo marco regulador para o século 21.

O pré-candidato democrata lembrou que as mudanças tecnológicas e o avanço da globalização durante os anos 90 propiciaram um desmantelamento regulatório que estimulou a especulação e prejudicou tanto os mercados quanto o cidadão comum.

"Em vez de estabelecer um marco regulador para o século 21, simplesmente desmantelamos o velho (...), encorajamos uma atmosfera na qual o vencedor leva tudo, e que causou transtornos devastadores em nossa economia", disse.

O senador por Illinois insistiu em que a recente concessão irregular de empréstimos hipotecários e a queda de gigantes como o banco de investimento Bear Stearns são provas dessa ausência de normas e uma lembrança de suas conseqüências fatais.

"Acho que o Governo tem um papel importante na hora de impulsionar a prosperidade compartilhada, ao facilitar as estáveis condições macroeconômicas e financeiras para um crescimento sustentado, demandando transparência e uma concorrência justa no mercado", acrescentou Obama.

Sua proposta econômica inclui um plano de estímulo de pelos menos US$ 30 bilhões [cerca de R$ 52 bilhões] para ajudar às áreas mais afetadas pela crise imobiliária, assim como uma ampliação das prestações por desemprego.

"Se podemos ajudar os bancos de Wall Street quando têm problemas, também podemos estender a mão aos americanos que sofrem por algo que não é culpa deles", disse.

Seu discurso foi proferido um dia depois que o secretário do Tesouro, Henry Paulson, se mostrou contrário a uma maior intervenção do Governo diante da crise hipotecária.

O Congresso americano deu, recentemente, sinal verde a um pacote de estímulo econômico de dois anos de US$ 168 bilhões [cerca de R$ 291 bilhões], sendo que US$ 152 bilhões [cerca de R$ 263 bilhões] serão desembolsados ainda este ano.

Já Hillary defendeu hoje em Raleigh (Carolina do Norte) a aprovação de um plano de formação de mão-de-obra, que representaria um investimento anual de US$ 2,5 bilhões [R$ 4,3 bilhões] durante um período de cinco anos e seria voltado ao treinamento da força de trabalho americana.

"Estamos competindo em uma nova economia global, mas nossas políticas para equipar os trabalhadores americanos para o século 21 estão ancoradas nas do século 20", afirmou a pré-candidata, ao iniciar, na Carolina do Norte, uma viagem de seis dias que também passará por Indiana e Pensilvânia.

Os analistas concordam em que a difícil situação econômica favorece as perspectivas eleitorais dos democratas.

"Tradicionalmente, os eleitores punem o presidente atual e seu partido quando a economia está em crise", disse à Agência Efe Michael Traugott, professor da Universidade de Michigan.

Bill Chaloupka, da Universidade do Colorado, assegurou que, sem dúvida, "a economia será o assunto número um nas eleições de novembro".

Comentários dos leitores
Luciano Edler Suzart (34) 09/10/2009 10h20
Luciano Edler Suzart (34) 09/10/2009 10h20
A situação é periclitante, se antigamente se concedia o Nobel da Paz a quem de algum modo, plantava a paz no mundo, hoje (dada a escassez de boa fé geral) se concede o prémio a quem não faz a guerra... Como diria o sábio Maluf: "Antes de entrar queria fazer o bem, depois que entei, o máximo que conseguí foi evitar o mal"
Só assim pra se justificar esse Nobel a Obama, ou podemos ver como um estímulo preventivo a que não use da força bélica que lhe está disponível contra novos "Afeganistões" do mundo.
sem opinião
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honório Tonial (2) 16/05/2009 21h47
honório Tonial (2) 16/05/2009 21h47
Considero ecelente vosso noticiario. Obrigado, aos 83 anos de mnha vida, 5 opiniões
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Marcello Sokal (73) 07/02/2009 12h01
Marcello Sokal (73) 07/02/2009 12h01
Óbvio que não poderiam aceitar,pois não teriam respostas claras para as legítimas questões do presidente iraniano,esse sim um verdadeiro estadista que sabe da verdade dos fatos e não tem receio de buscar responsabilizar os culpados. A política imperialista norte-americana é velha conhecida mas pessoas convenientemente "esquecem" disso - não respeitam a soberania das nações e se arvoram em ser os "defensores da liberdade" - é o país que mais se envolveu em guerras,revoluções,invasões e intervenções da história da humanidade.A única nação que já bombardeou outro país (na verdade cidades,repletas de civis inocentes) utilizando armas nucleares. O apoio norte-americano a Israel é uma vergonha, apoiando todo tipo de atrocidade possível,dando carta branca e fornecendo armas de alta tecnologia.
Em resumo: o grande vilão nisso tudo não é o Irã....mas tem tolo que prefere não ver influenciado pelo mentiroso american-way-of-life,lamentável.
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