Iraque amplia prazo para milícia entregar armas; Parlamento convoca reunião
da Folha Online
O primeiro-ministro iraquiano, Nuri al Maliki, estendeu o ultimato que deu há dois dias --e que expirava nesta sexta-feira-- à milícia fiel ao clérigo xiita Moqtada al Sadr para que depusesse as armas até o próximo dia 8 abril e ofereceu também uma recompensa econômica àqueles que entregarem os armamentos.
"Todos aqueles que têm armas médias e pesadas deveriam entregá-las às forças de segurança e receber uma recompensa financeira, a partir desta sexta-feira, até 8 de abril", afirma o texto.
O ultimato anterior ameaçava os rebeldes xiitas com "graves castigos" caso continuassem o levante armado que começou na segunda-feira passada em Basra (550 quilômetros ao sul de Bagdá), após uma ofensiva das forças de segurança iraquianas. Os conflitos se estenderam a várias localidades do sul do país, assim como a alguns bairros de Bagdá (capital) e já deixaram mais de cem mortos no Iraque.
O porta-voz do Ministério do Interior iraquiano, Abdel Karim Khalaf, disse que continua com o plano de combater os grupos que estão fora da lei. "Não estamos só enfrentando redes criminosas, mas também contrabandistas de petróleo e de drogas", disse Khalaf.
Parlamento
O presidente do Parlamento iraquiano, o sunita Mahmoud al Mashadani, convocou os deputados para uma reunião extraordinária nesta sexta-feira para discutir os combates entre as forças de segurança e as milícias fiéis a Al Sadr.
Segundo a agência de notícias independente iraquiana Aswat al Iraq, a reunião foi convocada para as 15h (8h de Brasília), na ultraprotegida Zona Verde, que também não escapa da violência e foi alvo de ao menos quatro ataques de morteiro nos últimos dias.
Mashadani explicou que caso o número de parlamentares seja insuficiente para a realização da sessão, será criada uma comissão parlamentar com representantes dos principais grupos políticos, incluindo o de Al Sadr.
Toque de recolher
As ruas de Bagdá amanheceram nesta sexta-feira totalmente vazias depois da entrada em vigor na noite de ontem do toque de recolher decretado pelas autoridades para tentar controlar a onda de violência que explodiu em Basra.
| Arte Folha Online |
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A medida permanecerá em vigor até o domingo às 5h (23h de sábado em Brasília), depois de os enfrentamentos envolvendo as milícias fiéis a Al Sadr se estenderem pelo sul do país e por vários bairros da capital.
Pelas ruas era possível ver apenas as patrulhas da polícia e do Exército, enquanto helicópteros e aviões sobrevoam constantemente a cidade.
Nestes últimos três dias, diversas sedes de vários partidos políticos xiitas rivais a Al Sadr, como a do partido Dawa, de Maliki, e a do Conselho Supremo Iraquiano, de Abdel Aziz al Hakim, foram atacadas tanto em Bagdá como em outras Províncias.
Bombardeio
Aviões da coalizão sob comando dos Estados Unidos no Iraque bombardearam posições de grupos rebeldes xiitas em Basra na madrugada desta sexta-feira, em sua primeira intervenção desde o início dos combates na cidade, informou um porta-voz militar britânico.
Duas missões de bombardeios foram executadas contra lançadores de foguetes e contra rebeldes xiitas reunidos em Basra, disse o comandante Tom Holloway.
Nassiriya
Os combates entre o Exército de Mehdi, fiel a Al Sadr, e as forças do Exército iraquiano se estenderam à cidade de Nassiriya (370 quilômetros ao sul de Bagdá). Segundo os funcionários, os enfrentamentos explodiram quando comandos rebeldes tentaram assaltar várias delegacias de polícia na cidade.
Aparentemente, os tiroteios se concentram em um mercado no centro da cidade, capital da Província de Dhi Qar. Entre as vítimas há pelo menos quatro rebeldes e vários soldados. Há informações de ao menos 15 mortos.
As autoridades da cidade impuseram o toque de recolher para tentar controlar a situação, que desde a segunda-feira passada se repetiu em várias cidades de maioria xiita do sul do país.
Com Efe, France Presse e Reuters
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