Saiba mais sobre o principal opositor de Mugabe nas eleições no Zimbábue
da Efe, em Harare
A biografia oficial do dirigente opositor Morgan Tsvangirai, que concorre às eleições presidenciais do país, no próximo sábado, destaca tanto seus sucessos políticos quanto os ferimentos e detenções que sofreu sob o regime do ditador Robert Mugabe.
Tsvangirai, 52, presidente do Movimento para a Mudança Democrática (MDC, em inglês), é, até hoje, o único político do país capaz de fazer sombra a Mugabe, que governa o Zimbábue com mão-de-ferro desde a independência, em 1980.
| Mike Hutchings/Reuters |
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| Morgan Tsvangirai, opositor de Robert Mugabe nas primeiras eleições conjuntas no Zimbábue |
Casado e com seis filhos, Tsavangirai foi alvo de quatro tentativas de assassinato. Uma delas, em 1997, ocorreu quando agentes da polícia secreta invadiram seu escritório e tentaram jogá-lo pela janela.
O candidato nasceu em 10 de março de 1952 em Gutu, ao sul de Harare. Filho mais velho de uma família de nove irmãos, todos membros da etnia majoritária shona, ele teve que abandonar os estudos para ajudar os parentes, oriundos da classe operária, e de poucos recursos econômicos.
Aos 20 anos, começou a trabalhar como operário em uma empresa têxtil, e entre 1975 e 1985 foi funcionário da mina de níquel Trojan, na cidade de Bindura, onde chegou a ser capataz. Foi líder da União de Trabalhadores Associados da Mina e membro da executiva da União Nacional de Trabalhadores Mineiros. Em 1988, foi eleito secretário-geral da Confederação de Sindicatos do Zimbábue (ZCTU), cargo que desempenhou até 2000.
Durante sua gestão, reduziu a dependência do ZCTU em relação à União Nacional Africana do Zimbábue-Frente Patriótica (Zanu-PF), partido presidencial do qual foi membro e diretor.
Devido a suas desavenças com o Executivo, foi detido em 1989, acusado de ser um espião do regime segregacionista da África do Sul, e em 1992, por protestar contra as reformas econômicas que reduziam a influência dos sindicatos.
Greve
Em 1997, convocou a primeira greve geral da história do país, com adesão de 55%.
Em 1999, fundou o Movimento para a Mudança Democrática (MDC, em inglês), do qual foi eleito presidente em janeiro de 2000.
Nas eleições legislativas de junho de 2000, o MDC obteve 57 cadeiras, contra 62 do Zanu-PF, e se tornou o principal partido de oposição do país.
A reforma constitucional de Robert Mugabe, em 2000, e o resultado apertado nas eleições legislativas aumentaram as chances de Morgan Tsvangirai dirigir o país.
Em 2001, foi detido por agentes do regime, acusado de participar de um complô para assassinar o chefe do Estado.
Nas eleições de março de 2002, concorreu pela primeira vez à Presidência. Apesar de a votação ter sido considerada fraudulenta pela comunidade internacional, ele obteve 41,9% dos votos, contra 56,2% de Mugabe.
Em 3 fevereiro de 2003, foi processado pelas acusações levantadas contra ele em 2001. Em 6 de junho, foi detido e novamente acusado de alta traição, por convocar protestos e greves contra o regime de Mugabe, tendo sido libertado posteriormente, mediante pagamento de fiança.
Repressão
Em outubro de 2004, Tsvangirai foi absolvido das acusações de alta traição e de tentativa de assassinato do ditador Mugabe.
Em 31 de março do ano seguinte, o MDC participou das eleições legislativas, vencidas pelo partido de Mugabe com ampla maioria. Em entrevista coletiva, no dia seguinte, Tsvangirai denunciou "atividades fraudulentas", e acusou o governo de "tendências ditatoriais".
Tsvangirai voltou a ser detido em 11 de março de 2007, quando a polícia reprimiu um ato religioso em Harare convocado por grupos da oposição, enquanto vigorava uma proibição oficial de comícios políticos.
Na dura repressão policial, foram detidos mais de cem e dirigentes da oposição.
O líder do MDC compareceu dois dias depois a um tribunal, com sinais visíveis de espancamento. Na ocasião, Tsvangirai chegou à corte com metade da cabeça raspada, devido ao curativo que teve que fazer sobre o corte profundo sofrido em decorrência dos golpes recebidos, e também se apresentou mancando.
Nova prisão
Não demorou muito até ser novamente detido, em 28 de março, pouco antes de dar uma entrevista coletiva para falar sobre a violência política no país.
Na ocasião, os agentes invadiram a sede do partido e o detiveram por várias horas.
A biografia oficial de Tsvangirai resume assim sua luta: "Apesar de todas as perseguições e dos grandes riscos, Morgan continua comprometido com a luta democrática contra a ditadura e a tirania no Zimbábue, até que o povo consiga a liberdade e a justiça".
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