Promotoria colombiana pede saída de ex-chefe paramilitar de processo de paz
da Efe, em Bogotá
A Promotoria colombiana anunciou nesta sexta-feira (28), que pedirá aos tribunais judiciais que excluam do processo de paz o ex-chefe paramilitar Ivan Roberto Duque, conhecido como "Ernesto Báez", por não ter admitido os graves crimes dos quais é acusado.
O pedido será formalizado pelo promotor Ivan Ariza, da União Nacional de Justiça e Paz, que nesta sexta-feira pôs fim, na cidade de Medellín (noroeste da Colômbia), à diligência de versão livre ou testemunho voluntário no qual Duque comparecia.
O ex-chefe paramilitar prestou depoimento em um total de 13 audiências, dentro de um processo judicial iniciado no começo do ano passado.
A acusação derivou do fato de Duque pertencer às Autodefesas Unidas da Colômbia (AUC), organização que se dissolveu em meados de 2006, após desarmar mais de 31 mil paramilitares, em virtude de um processo de paz com o Governo do presidente Álvaro Uribe.
Duque, considerado o responsável político das AUC, foi um dos comandantes do Bloco Central Bolívar (BCB) e teve sob seu comando vários blocos que atuavam no noroeste do país.
O BCB era o maior grupo de redutos da organização e se dissolveu no final de 2005 com o desarmamento de Duque, seus colegas de comando "Julián Bolívar" e "Javier Montañez", o "Macaco", e de 1.924 ultradireitistas subalternos.
A Promotoria indicou que, na série de audiências judiciais, Duque "sempre negou qualquer participação nos crimes de seqüestro, homicídio, desaparecimento forçado, deslocamento e furto de combustível que lhe foram imputados".
O ex-chefe paramilitar é acusado das mortes de Ivan Darío Rincón, prefeito de Aguadas; Germán Escobar Chavarriaga, ex-prefeito de Marmato, e de vários indígenas de Riosucio.
Além disso, enfrenta acusações pelo furto de US$ 346 milhões em combustíveis da Empresa Colombiana de Petróleos (Ecopetrol, estatal), acrescentou a Promotoria.
Duque está detido em uma prisão de segurança próxima a Medellín, presídio no qual também permanecem 30 ex-comandantes das AUC, entre eles Salvatore Mancuso, antigo chefe máximo da organização.
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