Mundo
29/03/2008 - 13h46

Dalai-lama faz apelo mundial pelo Tibete e menciona possível renúncia

Publicidade

da France Presse

O dalai-lama, líder espiritual exilado dos tibetanos, fez um apelo neste sábado à comunidade internacional para que ajude a solucionar a crise no Tibete, mencionando também a possibilidade de renunciar dentro de alguns anos a seu papel político, cedendo o lugar a um sucessor.

O líder espiritual budista voltou a pedir à China a retomada do diálogo para resolver a crise no Tibete, insistindo que não luta pela independência e que não é a favor de um boicote aos Jogos Olímpicos de Pequim, em agosto.

"Não temos poder maior que a justiça, a verdade, a sinceridade. Por isso peço à comunidade internacional que, por favor, ajude", disse o dalai-lama em uma coletiva de imprensa realizada em Nova Déli, capital da Índia.

"Estou aqui indefeso, apenas posso rezar", continuou o líder tibetano, que neste sábado orou em Nova Déli ao lado de outros religiosos pelas vítimas dos enfrentamentos no Tibete em frente ao local de cremação de Mahatma Gandhi, pai da independência indiana.

"Estamos abertos, esperamos", afirmou o dalai-lama, que em 1989 foi homenageado com o Prêmio Nobel da Paz. "É possível que dentro de algum tempo eu renuncie completamente, voluntariamente e de maneira feliz", declarou, sem mencionar datas.

"Já estou em uma posição próxima da aposentadoria", acrescentou o líder, hoje com 72 anos, dizendo em seguida que pensa em dedicar "mais tempo à preparação de sua próxima vida". O dalai-lama já havia ameaçado deixar o cargo de líder político e espiritual do budismo tibetano recentemente, mas vinculou sua saída ao agravamento da situação no Tibete, que nas últimas semanas têm sofrido com violentos distúrbios.

Na terça-feira, ele disse que se afastaria se novas manifestações violentas em protesto contra a China acontecessem em território chinês ou em qualquer outro lugar. Ao falar de possíveis sucessores, o dalai-lama garantiu que "não tem preocupações" a respeito disso.

Repercussão

Este novo apelo à comunidade internacional acontece um dia depois do pedido feito pessoalmente ao governo chinês pelo presidente americano, George W. Bush, que instou o país a dialogar com os representantes do dalai-lama e a agir com prudência em relação ao Tibete. Foram as primeiras declarações pessoais e públicas de Bush desde o início da crise tibetana.

A secretária de Estado americana, Condoleezza Rice, por sua vez, já havia se declarado contra o boicote aos Jogos Olímpicos, argumentando que o fracasso do evento por iniciativa da comunidade internacional seria um insulto ao povo chinês.

A comissária européia de Relações Exteriores, Benita Ferrero-Waldner, mencionou em uma recente entrevista a ameaça de um boicote aos Jogos Olímpicos. Já os ministros das Relações Exteriores da União Européia (UE), reunidos neste fim de semana na Eslovênia, têm opiniões diferentes sobre a idéia de um boicote à cerimônia de abertura dos Jogos.

Lembrando que não luta pela independência do Tibete, e sim por uma "autonomia significativa", o dalai-lama destacou que os tibetanos pedem "garantias sobre a proteção de nossa cultura única, principalmente do idioma".

"Quando alcançarmos certo nível de liberdade, ficaremos felizes em regressar a nosso país", afirmou, lembrando que "as expressões de decepção crescem" e voltando a acusar os chineses de "genocídio cultural".

De acordo com pessoas próximas ao dalai-lama, ele deseja que o Parlamento tibetano no exílio em Dharamsala (norte da Índia) desempenhe um papel mais importante para reduzir sua carga.

O governo chinês acusa o líder espiritual de ter organizado a violência no Tibete, que oficialmente já deixou 19 mortos, e de tentar sabotar os Jogos Olímpicos de Pequim. Segundo os líderes tibetanos no exílio, no entanto, a repressão chinesa no Tibete já matou cerca de 140 pessoas.

 

FolhaShop

Digite produto
ou marca