Mundo
29/03/2008 - 15h27

Após 12 horas, termina votação em eleições conjuntas no Zimbábue

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da Folha Online

Cerca de 5,9 milhões de eleitores foram às urnas no Zimbábue neste sábado para registrar seus votos no mais importante pleito desde a independência do país, em 1980. Com a votação, muitos esperam dar fim ao colapso econômico sob o regime de Robert Mugabe, que está à frente do governo do país há quase 30 anos.

A população teve apenas um dia para escolher pela primeira vez seu presidente, além de eleger 210 legisladores, 60 senadores e 1.600 conselheiros locais. Os cerca de 9.000 postos eleitorais foram fechados às 19h (14h de Brasília), após 12 horas. Em muitas regiões, entre elas Harare, a votação foi intensa durante a manhã, mas à tarde o movimento diminuiu.

A votação começou às 7h (2h de Brasília), mas horas antes já havia filas de pessoas esperando a abertura das seções eleitorais. No meio do dia, as fileiras de eleitores se movimentavam lentamente, embora não fossem muito longas na capital Harare.

Tsvangirayi Mukwazhi/AP
Eleitores fazem fila para votar no Zimbábue; urnas foram fechadas após 12 horas
Eleitores fazem fila para votar no Zimbábue; urnas foram fechadas após 12 horas

A demora nas seções eleitorais decorreu do fato de que esta é a primeira vez que o Zimbábue realiza eleições presidenciais, legislativas e municipais simultaneamente.

Por isso, cada eleitor demorou, em média, um minuto para depositar seu voto na urna.

O Zimbábue sofre com a maior inflação mundial, de mais de 100.000%, além da falta de alimentos e combustíveis e da epidemia de Aids, que diminui a expectativa de vida.

Ao registrar seu voto em Harare, Mugabe disse aos repórteres que estava "confiante na vitória", mas que aceitaria uma derrota. "Por que eu trapacearia? O povo é nosso apoio. Quando a população pára de apoiá-lo, é a hora de deixar a política", afirmou ele.

Mugabe atribui o colapso econômico ao antigo colonialismo britânico, e às nações ocidentais.

Disputa

O ditador enfrenta o maior desafio de seus 28 anos de poder, com a oposição do veterano Morgan Tsvangirai e do o ex-ministro das Finanças e candidato independente Simba Makoni.

Howard Burditt/Reuters
O ditador Robert Mugabe deposita seu voto em Harare; após 28 anos, ele pode deixar poder
Mugabe deposita voto; após 28 anos, ele pode deixar poder

Apesar da situação grave no país, muitos analistas dizem que Mugabe deve ganhar.

No entanto, seus dois opositores --que o acusam de planejar fraudar as eleições-- dizem acreditar que podem derrotá-lo, devido ao colapso econômico que levou até mesmo os redutos mais tradicionais de eleitores de Mugabe, nas áreas rurais do país, à miséria.

Se nenhum dos candidatos alcançar 51% dos votos na votação deste sábado, haverá segundo turno, e provavelmente os dois partidos de oposição se unirão, ganhando força.

Neste sábado, unidades da polícia e do Exército em veículos blindados patrulharam as ruas.

"Isso é intimidação, mas não nos sentiremos acuados. Não temos nada a perder, mas temos fome", disse o eleitor Samuel Furutsa em um posto de votação em Mufakose (Harare).

Reforma

No início desta década, Mugabe empreendeu uma vasta reforma agrária que expropriou mais de 3.000 fazendas, tiradas de produtores brancos para serem dadas a camponeses negros.

No entanto, a reforma agrária foi tão caótica que, juntamente com outros fatores, gerou a pior crise financeira da história, que além da inflação de 100.000%, sofre com uma taxa de desemprego de aproximadamente 80%.

"Quero votar porque estive desempregado nos últimos cinco anos e quero um partido que consiga gerar empregos", disse Moses Dong, 29.

Por sua vez, a vendedora Betty Gwae, 51, declarou que estava indo às urnas para poder criar seus filhos. "Quero votar no partido que dê alimentos e uma casa para minha família".

"Eu voto pela mudança, e rezo por eleições livres e justas. Só assim o país poderá progredir", disse Richard Mutedzi, 25, mecânico que votou em Chitungwiza, 30 km ao sul de Harare. Ele diz que foi forçado a vender bens para sobreviver, porque não consegue um emprego.

"Eu vim votar porque as coisas vão muito mal, talvez essas eleições possam ajudar a mudar isso", disse um segurança de 35 anos que não quis se identificar. Ele havia caminhado por mais de duas horas para chegar ao posto eleitoral em Harare.

Com Efe e Associated Press

 

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