Milícia de clérigo radical xiita anuncia cessar-fogo no Iraque
da Folha Online
O clérigo radical xiita Moqtada al Sadr anunciou neste domingo que seus seguidores deixarão as ruas do Iraque, dando fim aos confrontos com forças do governo que tiveram início na segunda-feira (24) em Basra e se espalharam para outras cidades do sul do Iraque, e também para Bagdá.
"Devido à responsabilidade religiosa, para deter o derramamento de sangue de iraquianos, manter a unidade do Iraque e dar fim à sedição que os invasores querem espalhar entre o povo iraquiano, convocamos o fim das ações armadas em Basra e em outras Províncias", disse Al Sadr em comunicado. "Qualquer homem armado que estiver nas ruas, alvejando instituições do governo iraquiano, não será um de nós [Exército de Mehdi]", diz o texto.
| Atef Hassan/Reuters |
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| Homens armados do Exército de Mehdi em Basra (sul); milícia anuncia cessar-fogo |
Tropas do governo se confrontaram com partidários de Al Sadr em Basra durante seis dias, deixando ao menos 300 mortos no sul do país, que também se espalharam para Bagdá.
Em Basra, 550 quilômetros ao sul de Bagdá, onde a violência teve início, o número de vítimas civis chegou a 125 e o de feridos, a 500, segundo fontes do Ministério do Interior, que não ofereceram dados sobre o número de mortos pertencentes ao Exército.
Os mortos em Bagdá chegaram a 125 e os feridos, a 892, segundo fontes médicas citadas pela agência de notícias independente Aswat al Iraq. O bairro que mais sofreu a violência entre o Exército iraquiano --apoiado pelos EUA-- e os milicianos xiitas partidários de Al Sadr, é o Cidade de Sadr, situado a leste da capital e baluarte do clérigo em Bagdá.
Tanto em Bagdá como em Basra, foi decretado o toque de recolher para tentar controlar a violência, embora em algumas zonas os enfrentamentos continuem pelo sexto dia consecutivo, sem que se vislumbre uma solução política a curto prazo.
No comunicado, o clérigo radical negou que seus partidários possuam armamentos pesados.
Segundo ele, o governo iraquiano deveria dar fim às prisões em massa de seus seguidores, e conceder anistia aos prisioneiros detidos.
Diálogo
O primeiro-ministro iraquiano rejeitou na sexta-feira (28) o diálogo com a milícia xiita, comparando-a com a Al Qaeda e qualificando o grupo de "criminosos e delinqüentes", postura apoiada pelo presidente dos Estados Unidos, George W. Bush.
Frente à insistência governamental por uma solução armada, o grupo de Al Sadr solicitou reiteradamente o diálogo e a busca de uma solução pacífica do conflito.
A milícia de Al Sadr, segunda força xiita do Iraque, se mantinha inativa desde agosto de 2007, quando seu líder se comprometeu a não fazer uso da violência, o que contribuiu para a melhora da segurança no país.
Os enfrentamentos entre o Exército iraquiano e a milícia xiita eclodiram na segunda-feira, coincidindo com o começo de uma operação de segurança em Basra supervisionada no terreno por Al Maliki, batizada com o nome de "Carga de Cavalaria", com o objetivo de "impor na cidade o império da lei".
com Associated Press e Efe
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