Mundo
30/03/2008 - 15h32

Parlamento tibetano nega que dalai-lama tenha incitado distúrbios

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da Folha Online

O presidente do Parlamento tibetano no exílio negou neste domingo que o líder espiritual do Tibete, o dalai-lama, e seus partidários tenham incitado os recentes distúrbios, e afirmou que a repressão das forças de segurança da China aos manifestantes continua.

Em coletiva de imprensa em Roma, Karma Chophel afirmou que as manifestações foram uma "resposta" à opressão chinesa na região, mas que não foi fomentada pelo dalai-lama.

"Aqueles que conhecem a verdade sabem que isso é, claramente, uma manifestação genuína contra a opressão que a China exerce ao povo tibetano", disse Chophel. "Nós exigimos que um grupo internacional neutro e independente vá ao Tibete para estudar a situação real".

As manifestações, que começaram de maneira pacífica, lideradas por monges budistas, tornaram-se violentas em 14 de março em Lhasa, e se espalharam para outras regiões.

A China afirma que 22 pessoas foram mortas em Lhasa, mas os tibetanos no exílio contabilizam os mortos em 140.

"Uma brutal subjugação do povo tibetano está em curso. A China pretende mostrar o povo do Tibete como terrorista, para legalizar a opressão internacionalmente", disse ainda Chophel.

Ele pediu o fim da repressão, a libertação dos detidos, e o acesso dos feridos a tratamento médico.

China

Neste domingo, o premiê chinês, Wen Jiabao, afirmou durante visita a laos que Lhasa já está em uma situação "estável", e que a ordem social "retornou ao normal".

A China expressou ainda uma "forte insatisfação" com a discussão de ministros de Relações Exteriores da União Européia (UE) a respeito do Tibete, durante reunião na Eslovênia.

"A questão tibetana é um assunto interno da China. Nenhum país estrangeiro ou organização internacional tem o direito de interferir", disse a porta-voz do Ministério chinês de Relações Exteriores, Jiang Yu, de acordo com a agência oficial chinesa de notícias Xinhua.

A Xinhua acusou o dalai-lama de barrar o diálogo a respeito do futuro do Tibete --em uma aparente resposta ao apelo internacional para que Pequim negocie com o líder espiritual.

Tocha olímpica

A violência no Tibete prejudica a intenção dos líderes chineses, que pretendiam usar as Olimpíadas de Pequim, que começam em agosto, para mostrar a sociedade chinesa como "próspera e estável".

A Tocha Olímpica deve chegar a Pequim nesta segunda-feira, antes de começar sua jornada em torno do mundo, mas sua passagem pela Grécia foi alvo de protestos de ativistas.

Cerca de 21 manifestantes foram detidos na Grécia quando a tocha era entregue a organizadores das Olimpíadas neste domingo, antes de ser levada para a China.

Os manifestantes gritavam "Salve o Tibete" e levavam uma faixa que diziam "Parem o genocídio no Tibete".

 

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