22/03/2002
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16h34
da Folha de S.Paulo
O embaixador brasileiro José Maurício Bustani, 56, deve permanecer no cargo de diretor-geral da Organização para a Proibição de Armas Químicas (Opaq) depois que os EUA não conseguiram aprovar uma moção de desconfiança contra ele.
O órgão, que conta com 145 países-membros, é resultado da Convenção sobre Armas Químicas, assinada em 1997. Bustani, que dirige a organização desde sua formação e foi reeleito para um mandato de mais quatro anos em maio do ano passado, mas os EUA acusam sua administração de ser ineficiente.
Dos 41 países-membros do Conselho Executivo da Opaq que votaram hoje, 17 apoiaram o governo norte-americano, cinco foram contra (Brasil, China, Cuba, Irã e Rússia) e 18 se abstiveram.
Apesar de a maioria simples ter aprovado a moção, os Estados Unidos precisariam de 32 votos para alcançar o seu objetivo.
O voto de cada país não foi divulgado, mas Bustani manifestou que estava "chocado com a falta de apoio dos países latino-americanos". Eles são oito no Conselho Executivo. Fora Brasil e Cuba, todos os demais votaram a favor da proposta norte-americana ou pela abstenção _Argentina, Chile, México, Panamá, Peru e Uruguai.
A abstenção não significa, no sistema da organização e na regra diplomática, uma adesão direta aos EUA, mas é um apoio que não foi dado explicitamente a Bustani. Se aprovada, a "moção de desconfiança" não tiraria o diretor-geral do cargo, mas o colocaria em situação delicada dentro da organização, forçando a sua renúncia.
Os EUA consideraram que a votação lhes foi favorável. "Ela demonstrou que a grande maioria não tem confiança em Bustani, apoiando a nossa proposta de renúncia ou se abstendo", diz comunicado de imprensa do Departamento de Estado.
O governo dos EUA acusa Bustani de má administração, responsabilizando-o pela crise financeira da Opaq. As acusações seriam, porém, um pretexto para afastar o diretor-geral, por sua posição de independência em relação à política norte-americana.
Ele teria tomado várias atitudes que contrariam os interesses dos EUA. Entre elas, reestabelecer o diálogo com o Iraque para que o país permita inspeções de armas químicas em seu território. O apoio internacional à intervenção militar norte-americana no Iraque pode ficar mais difícil se as inspeções forem consentidas.
Bustani está decidido a não renunciar. Hoje, o seu porta-voz, Gordon Vachon, rebateu as acusações norte-americanas, dizendo que "as dificuldades financeiras vividas pela organização resultam da falta de fundos e de problemas estruturais, não do mal gerenciamento, como alguns disseram". Vários países, entre eles os EUA, cortaram parte de suas contribuições à Opaq, fundada em 97.
Vachon disse também que Bustani não vai renunciar por pressão de um ou alguns países. "Ele vê a sua resistência a essa pressão como necessária para proteger a independência de uma organização internacional e de seu chefe executivo. Ele está particularmente preocupado com o precedente que este caso abriria para outras organizações internacionais", afirmou o porta-voz.
A situação gerou um grande impasse diplomático. O Brasil chegou a propor em Haia a criação de comitê extraordinário que tentasse resolver o assunto "por meio do diálogo e da cooperação". A proposta não foi aprovada pelo Conselho Executivo.
A única forma de tirar Bustani do cargo seria mediante a convocação de uma reunião especial dos 145 países-membros da Opaq, onde se votaria uma "proposta de renúncia". A reunião precisa ser convocada por um terço dos países (49 membros) e ter quórum de metade mais um dos membros (73 países). A proposta, enfim, só seria aprovada se tivesse dois terços dos votos dos países presentes na votação. As abstenções não seriam contadas como votos. O processo é complexo e dificulta bastante a iniciativa norte-americana.
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O embaixador brasileiro José Maurício Bustani, 56, deve permanecer no cargo de diretor-geral da Organização para a Proibição de Armas Químicas (Opaq) depois que os EUA não conseguiram aprovar uma moção de desconfiança contra ele.
O órgão, que conta com 145 países-membros, é resultado da Convenção sobre Armas Químicas, assinada em 1997. Bustani, que dirige a organização desde sua formação e foi reeleito para um mandato de mais quatro anos em maio do ano passado, mas os EUA acusam sua administração de ser ineficiente.
Dos 41 países-membros do Conselho Executivo da Opaq que votaram hoje, 17 apoiaram o governo norte-americano, cinco foram contra (Brasil, China, Cuba, Irã e Rússia) e 18 se abstiveram.
Apesar de a maioria simples ter aprovado a moção, os Estados Unidos precisariam de 32 votos para alcançar o seu objetivo.
O voto de cada país não foi divulgado, mas Bustani manifestou que estava "chocado com a falta de apoio dos países latino-americanos". Eles são oito no Conselho Executivo. Fora Brasil e Cuba, todos os demais votaram a favor da proposta norte-americana ou pela abstenção _Argentina, Chile, México, Panamá, Peru e Uruguai.
A abstenção não significa, no sistema da organização e na regra diplomática, uma adesão direta aos EUA, mas é um apoio que não foi dado explicitamente a Bustani. Se aprovada, a "moção de desconfiança" não tiraria o diretor-geral do cargo, mas o colocaria em situação delicada dentro da organização, forçando a sua renúncia.
Os EUA consideraram que a votação lhes foi favorável. "Ela demonstrou que a grande maioria não tem confiança em Bustani, apoiando a nossa proposta de renúncia ou se abstendo", diz comunicado de imprensa do Departamento de Estado.
O governo dos EUA acusa Bustani de má administração, responsabilizando-o pela crise financeira da Opaq. As acusações seriam, porém, um pretexto para afastar o diretor-geral, por sua posição de independência em relação à política norte-americana.
Ele teria tomado várias atitudes que contrariam os interesses dos EUA. Entre elas, reestabelecer o diálogo com o Iraque para que o país permita inspeções de armas químicas em seu território. O apoio internacional à intervenção militar norte-americana no Iraque pode ficar mais difícil se as inspeções forem consentidas.
Bustani está decidido a não renunciar. Hoje, o seu porta-voz, Gordon Vachon, rebateu as acusações norte-americanas, dizendo que "as dificuldades financeiras vividas pela organização resultam da falta de fundos e de problemas estruturais, não do mal gerenciamento, como alguns disseram". Vários países, entre eles os EUA, cortaram parte de suas contribuições à Opaq, fundada em 97.
Vachon disse também que Bustani não vai renunciar por pressão de um ou alguns países. "Ele vê a sua resistência a essa pressão como necessária para proteger a independência de uma organização internacional e de seu chefe executivo. Ele está particularmente preocupado com o precedente que este caso abriria para outras organizações internacionais", afirmou o porta-voz.
A situação gerou um grande impasse diplomático. O Brasil chegou a propor em Haia a criação de comitê extraordinário que tentasse resolver o assunto "por meio do diálogo e da cooperação". A proposta não foi aprovada pelo Conselho Executivo.
A única forma de tirar Bustani do cargo seria mediante a convocação de uma reunião especial dos 145 países-membros da Opaq, onde se votaria uma "proposta de renúncia". A reunião precisa ser convocada por um terço dos países (49 membros) e ter quórum de metade mais um dos membros (73 países). A proposta, enfim, só seria aprovada se tivesse dois terços dos votos dos países presentes na votação. As abstenções não seriam contadas como votos. O processo é complexo e dificulta bastante a iniciativa norte-americana.
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