Oposição se diz à frente em apuração no Zimbábue; resultado atrasa
da Folha Online
A oposição diz ter uma ampla liderança na apuração dos votos das eleições conjuntas realizadas no sábado (29) no Zimbábue, mas poucos resultados oficiais foram anunciados por enquanto.
Movimento para a Mudança Democrática (MDC, sigla em inglês), do opositor Morgan Tsvangirai, começou a anunciar resultados na manhã desta segunda-feira, com base em contagens feitas em postos de votação de 128 dos 210 distritos parlamentares.
De acordo com o partido, Tsvangirai lidera a apuração da eleição presidencial, com 60% contra 30% de Mugabe. O restante dos votos foi dado ao ex-ministro das Finanças Simba Makoni.
O MDC anunciou ainda que a oposição ganhou 96 dos lugares 210 assentos na assembléia.
No sábado, os eleitores tiveram 12 horas para escolher pela primeira vez seu presidente, além dos 210 legisladores, 60 senadores e 1.600 conselheiros locais. O governo impediu que jornalistas estrangeiros e observadores dos EUA e da UE acompanhassem as eleições.
De acordo com Tendai Biti, porta-voz do MDC, a Comissão Eleitoral do Zimbábue pretende fraudar o pleito, dando a Mugabe 52% dos votos, e 111 vagas na assembléia.
Segundo ele, o atraso na divulgação dos resultados apenas "aumenta a tensão". Segundo ele, se a oposição achar que houve fraude, fará protestos pacíficos nas ruas, e não irá à Justiça.
"Nós temos disputas eleitorais na Justiça desde 2002. Não cometeremos este erro novamente. Nossa corte será o povo do Zimbábue, e nossos irmãos e irmãs da África".
Biti alertou para que as pessoas não recorram à violência, que, segundo ele, levariam a uma crise na segurança e militar.
"Os zimbabuanos estão muito ansiosos. Não somos um povo violento, e esperamos que as pessoas não recorram à violência caso os resultados oficiais sejam diferentes dos divulgados nos postos eleitorais", disse ele.
EUA
A Casa Branca expressou nesta segunda-feira "preocupação" com a demora na divulgação dos resultados das eleições, e fez um apelo para que a contagem seja feita de forma honesta.
"Nós já comunicamos, em várias ocasiões, nossa apreensão com irregularidades no Zimbábue. Nós estamos preocupados com a demora no anúncio dos resultados oficiais", disse o porta-voz da Casa Branca Tony Fratto.
"Pedimos que a comissão eleitoral conte cada um dos votos de forma honesta, e divulge rapidamente os resultados que refletem a preferência do povo zimbabuano", acrescentou.
O Reino Unido e a Alemanha também pediram rapidez na apuração, para dar fim às tensões.
"As oportunidades de fraudes aumentam com o atraso na divulgação", disse o porta-voz do Departamento de Estado americano, Tom Casey, à imprensa em Washington.
Disputa
O ditador enfrenta o maior desafio de seus 28 anos de poder, com a oposição do veterano Morgan Tsvangirai e do ex-ministro das Finanças e candidato independente Simba Makoni.
Se nenhum dos candidatos tiver alcançado 51% dos votos na votação do sábado (29), haverá segundo turno, e provavelmente os dois partidos de oposição se unirão, ganhando força.
O Zimbábue sofre com a maior inflação mundial, de mais de 100.000%, além da falta de alimentos e combustíveis e da epidemia de Aids, que diminui a expectativa de vida.
Ao registrar seu voto em Harare no sábado, Mugabe disse aos repórteres que estava "confiante na vitória", mas que aceitaria uma derrota. "Por que eu trapacearia? O povo é nosso apoio. Quando a população pára de apoiá-lo, é a hora de deixar a política", afirmou ele.
Mugabe atribui o colapso econômico ao antigo colonialismo britânico, e às nações ocidentais
No início desta década, Mugabe empreendeu uma vasta reforma agrária que expropriou mais de 3.000 fazendas, tiradas de produtores brancos para serem dadas a camponeses negros.
No entanto, a reforma agrária foi tão caótica que, juntamente com outros fatores, gerou a pior crise financeira da história, que além da inflação de 100.000%, sofre com uma taxa de desemprego de aproximadamente 80%.
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