Mundo
01/04/2008 - 09h59

Apesar de resistência russa, Bush apóia adesão de Ucrânia e Geórgia à Otan

Publicidade

da Folha Online

O presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, manifestou apoio nesta terça-feira às candidaturas de adesão da Ucrânia e da Geórgia à Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte) e também expressou sua esperança de conseguir um acordo com o presidente russo, Vladimir Putin, sobre o escudo antimísseis que Washington pretende posicionar no Leste Europeu.

"Apoiamos o plano de ação para a adesão para Ucrânia e Geórgia", disse Bush em uma entrevista coletiva ao lado do colega ucraniano, Viktor Yushchenko. Bush negou ainda o direito de veto à Rússia, que não aceita a entrada na Otan dos dois países que integravam a antiga União Soviética. Ele afirmou ter dito a Putin que a Rússia não deve temer o ingresso da Ucrânia na Otan.

Porém, o vice-ministro russo das Relações Exteriores, Grigori Karasin, advertiu que a entrada da Ucrânia na Otan provocaria uma "crise profunda" entre Moscou e Kiev. "A entrada da Ucrânia na Otan causará uma crise profunda nas relações russo-ucranianas, o que terá um impacto negativo na segurança européia", afirmou Karasin aos deputados russos, de acordo com a agência Interfax.

Kevin Lamarque/Reuters
O presidente dos EUA, George W. Bush, concede entrevista em Kiev
O presidente dos EUA, George W. Bush, concede entrevista em Kiev

"O ingresso de Kiev na Otan, caso aconteça, necessitaria de uma mudança de prioridades na realização de nossa segurança estratégica", completou, sem explicar se estava se referindo a uma resposta diplomática ou militar.

O presidente da Câmara Baixa do Parlamento russo, Boris Grizlov, também se disse contrário à idéia da Ucrânia entrar para a Aliança Atlântica. "A aproximação da Otan de nossas fronteiras é uma situação inaceitável e faremos todo o possível para que não aconteça", disse.

O presidente da Ucrânia, Viktor Yushchenko, espera conseguir um sinal positivo em pouco tempo. "Estou convencido de que obteremos um sinal positivo em Bucareste (capital da Romênia, onde será realizada a cúpula da Otan)", disse.

Ucrânia e Geórgia estão atualmente comprometidas em um "diálogo intensificado" com a Otan, para chegar à adesão. Agora os dois países querem ser admitidos no plano de ação para a adesão, para que se convertam em candidatos oficiais à adesão.

Cúpula

Os 26 países da Otan, reunidos na reunião de cúpula de Bucareste a partir de quarta-feira, devem decidir uma eventual abertura à Ucrânia e Geórgia. Apesar de Bush ter demonstrado seu apoio, os integrantes estão divididos a respeito do tema.

Alguns membros, como a Alemanha, consideram que Ucrânia e Geórgia ainda não estão preparadas e se preocupam com a hostilidade da Rússia, assim como com o risco de conflitos separatistas na Geórgia.

Escudo

Ainda na entrevista, Bush afirmou que não conseguiu convencer Moscou até o momento de que o projeto americano de instalar um sistema de defesa antimísseis na Europa não está dirigido contra a Rússia. "Obviamente nos resta trabalho por fazer para convencer (Putin) de que o sistema de defesa antimísseis não está destinado à Rússia", afirmou Bush.

Ele expressou seu desejo de conseguir um acordo sobre o assunto durante sua próxima reunião com Putin. Bush disse que tem "esperanças de alguns avanços" nessa reunião, no próximo domingo, em Sochi (Rússia).

Esse encontro, a última etapa da viagem que o presidente americano realiza pelo Leste Europeu, deverá ser o último de Bush e Putin como chefes de Estado de seus países, pois o novo líder russo, Dmitri Medvedev, tomará posse em maio.

A reunião em Sochi tem por objetivo, segundo a Casa Branca, acalmar os temores de Moscou sobre o escudo antimísseis, que a Rússia considera "uma ameaça".

Nos últimos dias, a Casa Branca afirmou que houve avanços, e expressou seu otimismo sobre a possibilidade de um acordo, apesar de ter ressaltado que "não existem prazos".

Os secretários de Estado, Condoleezza Rice, e de Defesa, Robert Gates, viajaram recentemente a Moscou para discutir o assunto. Na semana passada, uma delegação russa foi a Washington.

Os planos americanos prevêem colocar dez plataformas de lançamento de mísseis interceptores na Polônia, e um sistema de radar na República Tcheca. Washington insiste que o escudo não tem a Rússia como alvo, mas fazer frente a possíveis ataques de países inimigos no Oriente Médio.

O presidente americano descartou taxativamente, no entanto, chegar a um acordo com a Rússia em troca de que, na cúpula que começa amanhã, em Bucareste, a Otan não aceite os pedidos da Ucrânia e da Geórgia de um plano de ação para a futura entrada na Aliança.

Com France Presse e Efe

 

FolhaShop

Digite produto
ou marca