Mundo
01/04/2008 - 15h09

Após quase 30 anos, Robert Mugabe pode renunciar no Zimbábue

Publicidade

da Folha Online

O ditador do Zimbábue, Robert Mugabe, estaria disposto a abandonar seu cargo, após 28 anos à frente do poder no país africano, afirmaram fontes diplomáticas nesta terça-feira.

De acordo com fontes do partido de Mugabe, Zanu-PF, citadas pela agência France Presse, o ditador estaria negociando a renúncia com o chefe do Estado-Maior, Constantine Chiwenga.

Segundo as fontes diplomáticas citadas pela agência, "tudo indica" que ele deixará o poder sem violência, cedendo seu cargo ao líder opositor, Morgan Tsvangirai, do partido Mudança Democrática (MDC, sigla em inglês).

De acordo com a agência de notícias Reuters, o Departamento de Estado americano também informou a respeito de tais negociações. "Eu sei que está havendo um diálogo em vários níveis, discussões entre representantes da oposição e do governo", disse a fonte americana.

Os rumores de renúncia ocorrem em meio ao impasse em torno das eleições do último sábado (29), as primeiras conjuntas da história do país. Funcionários eleitorais pediram calma à população, que já se impacienta com a demora na divulgação dos resultados.

A oposição reivindica a vitória, com base em resultados afixados nos cerca de 9.000 postos eleitorais de todo o país, e acusa os partidários de Mugabe de pretenderem fraudar a apuração. A iniciativa --parte de um acordo entre os partidos negociado pelo presidente sul-africano, Thabo Mbeki, é nova e visava dificultar das tentativas de fraude.

A Comissão Eleitoral do Zimbábue divulgou resultados das 132 cadeiras parlamentares, contabilizando 68 assentos para o MDC, contra 64 do Zanu-PF.

A comissão não forneceu resultados a respeito da corrida presidencial. Lovemore Sekeramayi, um funcionário eleitoral, foi à TV estatal para dizer que a comissão ainda está apurando os votos presidenciais. "Pedimos que todos os zimbabuanos permaneçam calmos enquanto avançamos neste meticuloso processo [de apuração]", afirmou ele na TV.

A Rede de Apoio às Eleições no Zimbábue --uma coalizão que une 38 organizações da sociedade civil-- divulgou um comunicado nesta segunda-feira, dizendo que amostras de votos apontam que Tsvangirai obteve 49% dos votos.

Caso nenhum candidato alcance 51%, deve haver segundo turno. Mugabe estaria em segundo lugar, com 42%, e o ex-ministro das Finanças Simba Makoni cerca de 8%.

Oposição

No entanto, o partido de Tsvangirai afirma que está à frente da corrida com 60% dos votos, com base em contagens realizadas em 128 dos 210 distritos parlamentares do país.

O partido contabiliza 30% dos votos para Mugabe e o restante para Makoni.

"Nós vencemos as eleições. A vitória de Mugabe não é possível", disse Tendai Biti, secretário-geral do partido de Tsvangirai, nesta segunda-feira.

Se a vitória se confirmar, será uma grande derrota para Mugabe, que está à frente do poder no Zimbábue desde 1980.

Em 2002, Tsvangirai perdeu as eleições por uma pequena margem, de acordo com resultados oficiais que, segundo observadores, foram fraudados.

Colapso econômico

O Zimbábue sofre com a maior inflação mundial, de mais de 100.000%, além da falta de alimentos e combustíveis e da epidemia de Aids, que diminui a expectativa de vida.

Mugabe atribui o colapso econômico ao antigo colonialismo britânico, e às nações ocidentais.

No início desta década, Mugabe empreendeu uma vasta reforma agrária que expropriou mais de 3.000 fazendas, tiradas de produtores brancos para serem dadas a camponeses negros.

No entanto, a reforma agrária foi tão caótica que, juntamente com outros fatores, gerou a pior crise financeira da história, que além da inflação de 100.000%, causou uma taxa de desemprego de aproximadamente 80%.

Associated Press

 

FolhaShop

Digite produto
ou marca