Mundo
02/04/2008 - 10h01

Deslocados atendidos pela Cruz Vermelha crescem na Colômbia em 2007

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MARIANA CAMPOS
da Folha Online

O número de deslocados atendidos pelo CICV (Comitê Internacional da Cruz Vermelha) na Colômbia, vítimas do conflito interno armado existente no país, voltou a subir em 2007, alcançando um aumento 6% em relação ao ano anterior. Em 2007, a organização atendeu 66.382 pessoas deslocadas contra 62.428 em 2006.

Na última década, aproximadamente 1 milhão de pessoas receberam atendimento do CICV na Colômbia. Os números constam do relatório anual sobre a situação humanitária do país, divulgado nesta quarta-feira (2).

De acordo com o relatório, o aumento do número de pessoas atendidas pode ser explicado por diversos fatores --entre eles a maior difusão do programa de assistência oferecido pela entidade, e também o aumento efetivo de pessoas deslocadas.

"O relatório serve para informar sobre nossas atividades no país e para sensibilizar as pessoas sobre a situação humanitária da Colômbia", afirmou Barbara Hintermann, chefe da delegação do CICV em Bogotá (capital colombiana).

Um dado que preocupa a organização é que, do total de pessoas atendidas, cerca de 52% têm menos de 18 anos. "Nossa grande preocupação é que essas crianças e jovens se confrontam com uma situação muito dura, e perdem a rede social no lugar onde vivem normalmente. A formação escolar também é interrompida, e eles precisam recomeçar. É a nova geração que enfrenta uma situação muito difícil, e apresenta graves problemas psicológicos", afirmou Hintermann.

Divulgação
Bárbara Hintermann, chefe da delegação do CICV em Bogotá (capital colombiana)
Bárbara Hintermann, chefe do CICV em Bogotá; número de deslocados aumentou 6%

O CICV distingue os deslocamentos internos em dois grupos: os deslocamentos individuais (77%) --pessoas ou famílias que procuram os pontos de atendimento da organização separadamente-- e os deslocamentos em massa (23%) --grupos de 50 pessoas ou mais que é atendido no próprio local para onde se deslocou.

Segundo a organização, há diversas causas para os deslocamentos. Nos individuais, as pessoas fogem para escapar de ameaças de morte (58%), pressão para colaborar (11%) e ameaças de recrutamento forçado (9%). Já nos deslocamentos em massa, os enfrentamentos armados (38,5%) e as ameaças de morte (19%) são as principais causas.

Ajuda humanitária

Os confrontos entre o governo colombiano e os grupos armados organizados na Colômbia datam de mais de 40 anos. Segundo Hinterman, o objetivo do CICV é proteger e ajudar as vítimas do conflito armado.

O CICV presta ajuda de muitas formas diferentes --entre elas o auxílio com itens alimentícios e não-alimentícios, o apoio a iniciativas de construção e reabilitação de infra-estrutura (priorizando regiões com pouca ou nenhuma presença institucional), a facilitação do acesso aos serviços de saúde, e o apoio às vítimas de violência sexual e reabilitação física.

Violações

Arte Folha Online
mapa colômbia

As conseqüências humanitárias de um conflito armado como o existente atualmente na Colômbia são muitas, entre elas ameaças, assassinatos, violência sexual, recrutamento forçado de crianças e problemas causados por minas terrestres.

Só em 2007, o CICV registrou 1.684 supostas violações ao direito internacional humanitário. "Se há violações, começamos um diálogo confidencial com cada parte para falar sobre os problemas", afirmou Hinterman.

De acordo com dados do relatório, em 2007, o CICV ajudou 2.417 pessoas ameaçadas para que elas pudessem se transferir para um local mais seguro. O número apresenta um aumento de 39,87% em relação ao ano anterior, quando o número de pessoas que receberam apoio foi de 1.728.

Reféns

No mesmo período, segundo o relatório, a organização documentou 345 casos de assassinatos relacionados aos conflitos e ajudou 327 famílias a cobrir os gastos com enterros de familiares mortos. Foram registradas também 379 desaparições e 44 tomadas de reféns.

"Um refém é uma pessoa civil. Os detidos são militares e policiais. A respeito das pessoas que seguem nas mãos das Farc (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia), mantemos um diálogo confidencial com o grupo e com as outras partes do conflito", disse Hinterman.

O CICV também visita lugares onde estão pessoas privadas de liberdade. O papel da organização, nestes casos, é verificar as condições da detenção e o tratamento que as pessoas estão recebendo. Eles tentam assegurar que o tratamento esteja de acordo com as regras mínimas do direito humanitário internacional.

Comentários dos leitores
Jorge Bronze (42) 02/12/2009 07h58
Jorge Bronze (42) 02/12/2009 07h58
JR, você deveria dizer que os votos estão sendo comprados juntamente com suas consciências. Os bolsas diversas não dignificam ninguém, apenas resolvem num momento o seu problema, este desgoverno pretende criar mais dois bolsas, o da cultura e o do celular, isso se chama compra de voto, e o PT é PHD nisso, agora falar em 3º mandato para o imcomPeTente, é exatamente fazer o que o lixo do Zelaia iria fazer, se perpetuar no poder como alguns idiotas estão querendo fazer na América Latina, simplificando alguns são cópias baratas do Hugo Chavez e este por sua vez é uma planta nascida do esterco da revolução cubana. Este governo, tem sim laços de amizade com as FARC, pois guerrilheiro defende guerrilheiro, o caso mais conhecido neste governo é a Dilma, que era também colega do heroi do PT "Lamarca", guerrilheiro assassino cruel, assaltante de bancos, (aliás a Dilma também foi), sequestrador, ladrão de armas do exército, desertor, e ainda assim sua familia recebeu mais de um milhão de indenização mais a pensão de coronel. sem opinião
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Ricardo Perrone (48) 12/11/2009 11h26
Ricardo Perrone (48) 12/11/2009 11h26
O Governo colombiano não deveria exercer esse tipo de artifício para capturar assassinos, bandidos ou guerrilheiros. Pagar recompensa é um estímulo a práticas detestáveis do caráter humano, como: ganância, traição e mentira. O governo deveria pegar o valor de tal recompensa e empregar nas atividades investigativas da polícia ou mesmo em sua modernização. O Estado deve ter por meta estimular o bom comportamento na sociedade, banindo práticas detestáveis mesmo que sejam por uma boa causa. 5 opiniões
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O Pacificador (232) 12/11/2009 11h03
O Pacificador (232) 12/11/2009 11h03
"Governo colombiano oferece US$ 1 milhão pelos assassinos de soldados do país..."
Nem precisava tanta grana.
Quem pode entregar os "cabeças" das Farc, é só gente interna mesmo.
Por dinheiro, que a verdadeira ideologia deles, esses "guerilheiros", fazem qualquer coisa.
Como já mostraram antes que são capazes, cortando até as maos de um líder da guerilha, para comprovar sua eliminação.
Uma fração do oferecido, teria sido mais do que sufiente...
sem opinião
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