Na China, secretário dos EUA exige solução pacífica para o Tibete
da France Presse, em Pequim
O secretário de Tesouro dos Estados Unidos, Henry Paulson, exigiu nesta quarta-feira uma solução pacífica para a crise no Tibete, ao se reunir com autoridades de Pequim.
A visita de Paulson, parte de um intercâmbio de rotina entre as autoridades econômicas dos dois países, assumiu um significado adicional porque é a primeira de um alto funcionário americano à China desde os violentos protestos no Tibete no mês passado.
"Como podem imaginar, expressei nossa preocupação com a violência (no Tibete) e exigi uma resolução pacífica através desse diálogo", disse Paulson, no primeiro de seus dois dias de visita.
"Destaquei esse ponto, acredito, de forma apropriada e diante das pessoas apropriadas", acrescentou, mas não informou com quem havia conversado.
Os comentários coincidem com o pedido do líder espiritual do Tibete em exílio na Índia, o dalai-lama, para que se aumente a pressão internacional sobre Pequim para frear o que considera uma crescente repressão militar da China em sua terra natal.
"As autoridades chinesas tem mobilizado amplos contingentes nestas regiões tradicionais tibetanas e não apenas começaram a reprimir duramente os tibetanos supostamente envolvidos nos distúrbios", disse nesta quarta-feira o dalai-lama em um comunicado.
Protestos
Os protestos começaram na capital do Tibete, Lhasa, em 10 de março, para marcar o aniversário de um levante fracassado em 1959 contra o governo chinês.
Ao longo dos dias, os distúrbios se espalharam por outras áreas da China.
Pequim afirma que os manifestantes tibetanos mataram 19 civis e dois policiais, enquanto os líderes tibetanos no exílio asseguraram que cerca de 140 pessoas morreram.
A visita de Paulson acontece em meio a crescentes tensões em Washington sobre como responder a repressão feita pela China. Um grupo de legisladores americanos quer que George W. Bush não participe da cerimônia de abertura dos Jogos Olímpicos de Pequim.
Apesar das suas preocupações sobre o Tibete, Bush indicou que deve comparecer na cerimônia de 8 de agosto.
Pressão
Shi Hongyi, professor de relações internacionais da Universidade do Povo de Pequim, afirma que Paulson tentará aliviar a pressão sobre a crise no Tibete.
"Provavelmente tem como objetivo aliviar a pressão nos Estados Unidos sobre a atitude bastante tímida de Bush". Paulson ainda se encontrou com o presidente chinês, Hu Jiabao, onde um dos temas mais abordados foi a instabilidade dos mercados financeiros.
"Diria que não há dúvidas de que o que está acontecendo nos mercados americanos claramente promoveria uma pausa aos chineses", disse o secretário americano.
Paulson deve se reunir com o primeiro-ministro Wen Juabao na quinta-feira.
Um dos maiores temas de preocupação para os EUA é a moeda chinesa, o yuan, que segundo críticos americanos está depreciada há muitos anos, dando uma vantagem injusta aos chineses no comércio.
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