Parlamento do Afeganistão quer proibir bailes e telenovelas
da France Presse, em Cabul
Os grupos internacionais de direitos humanos expressaram nesta quarta-feira sua indignação com a proposta do Parlamento afegão de proibir o baile, os anúncios sobre as taxas de juros dos bancos, as telenovelas e outros assuntos "não islâmicos" difundidos pela televisão.
A câmara baixa do Parlamento afegão afirmou na segunda-feira, após um debate relativo a um programa de televisão onde homens e mulheres afegãos eram vistos dançando juntos, que a televisão afegã não deveria transmitir estes tipos de programas.
"A exibição de filmes imorais por meio das redes privadas de televisão foi criticada pelos deputados", divulgou a página do Parlamento na internet.
"Decidiu-se que as redes privadas de televisão não poderão convidar dançarinos e terão que parar de transmitir cenas e shows anti-islâmicos", diz o comunicado.
O Parlamento, dominado pelo Partido Conservador, pediu também que anúncios relacionados às taxas de juros dos bancos deixem de ser transmitidos.
Os círculos conservadores afirmaram que os vídeos musicais, as telenovelas e as cenas de homens e mulheres dançando poderiam enfraquecer a cultura afegã.
A decisão gerou preocupação entre os defensores da liberdade de imprensa, preocupados com o desgaste das liberdades introduzidas em 2001 após a queda do movimento extremista Taleban.
"Esta censura aumentará a pressão sobre a imprensa afegã para que apenas exiba alguns tipos de imagens e tememos que isso leve a uma autocensura", declarou a Federação Internacional de Jornalistas.
Outra organização para a liberdade de imprensa, a Repórteres Sem Fronteiras, declarou que este movimento fazia parte da campanha "dos fundamentalistas contra as redes de televisão privadas".
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