Mundo
03/04/2008 - 13h19

Primeiro-ministro diz que operação contra criminosos se repetirá no Iraque

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da Efe, em Bagdá
da Folha Online

O primeiro-ministro iraquiano, Nuri al Maliki, anunciou nesta quinta-feira que a campanha contra aqueles que qualificou de "criminosos", lançada pelo Exército do país na semana passada na cidade de Basra (sul), se repetirá em breve em outras Províncias do Iraque.

Em entrevista coletiva em Bagdá, Maliki ressaltou que as forças de segurança iraquianas demonstraram ser capazes de realizar sua missão sem a ajuda das forças americanas.

"Começamos em Basra e agora devemos estender as operações a todas as partes do Iraque. Temos de dar uma lição nesses criminosos para que se dêem conta de que devem atuar sob a lei. Portanto, continuaremos a persegui-los por todo o Iraque", disse Maliki.

No entanto, o primeiro-ministro não especificou quando nem onde serão lançados esses novos dispositivos, mas citou os bairros de Sadr City e Shoala, no sul e leste de Bagdá, entre as áreas onde as milícias ainda têm o controle.

Ofensiva

Em 25 de março, Maliki ordenou uma campanha em grande escala contra o que chamou de "redes criminosas, contrabandistas de petróleo e assassinos que aterrorizam a população civil".

Arte Folha Online
Mapa Iraque

A operação resultou em duros combates entre tropas iraquianas e milicianos xiitas do grupo Exército de Mehdi, seguidores do clérigo radical Moqtada al Sadr, rival político de Maliki, que acabaram com mais de 300 mortos em todo o Iraque.

"As instituições de Basra estavam controladas por essas redes criminosas, mas a cidade foi libertada e o povo está extremamente feliz", acrescentou hoje Maliki.

"Vamos repetir a mesma experiência nas áreas onde a população ainda é refém de alguns bandidos", disse, sem se referir expressamente em nenhum momento ao Exército de Mehdi.

"Isto não é dirigido concretamente a nenhum grupo ou milícia, mas a todos aqueles que não respeitam a lei. Quem a cumprir, será nosso amigo; quem não o fizer, será nosso inimigo", acrescentou, em longo discurso.

Balanço

Quanto ao balanço de prejuízos causados pelos confrontos, Maliki afirmou que 220 geradores de eletricidade foram danificados em Basra ao longo da semana passada, assim como alguns poços petrolíferos e pontes.

Além disso, o primeiro-ministro reconheceu que membros do Exército e da polícia desertaram e lutaram junto com os rebeldes, e prometeu que serão submetidos a um julgamento militar por "sua colaboração com os criminosos".

Apesar de não especificar o número de pessoas que serão julgadas, o Ministério do Interior divulgou anteriormente que 407 policiais foram despedidos por abandonar a corporação durante os combates.

Maliki também adiantou que as próximas operações serão realizadas exclusivamente por tropas iraquianas, apesar de serem previamente informadas às forças americanas. "Isto reflete a confiança em nossas tropas e em sua crescente capacidade de cumprir seus deveres de maneira eficaz", afirmou.

Al Sadr

O clérigo radical xiita Moqtada al Sadr convocou nesta quinta-feira uma manifestação de milhões de pessoas contra a "ocupação" dos Estados Unidos, para o próximo dia 9 de abril, data que marca o quinto aniversário da queda de Bagdá (capital iraquiana).

"O tempo para expressar suas rejeições e levantar suas vozes contra o injusto ocupante e inimigo da nação e da humanidade, e contra os horríveis massacres cometidos pelo ocupante contra nosso honrado povo chegou", informava um comunicado divulgado pelo escritório de Al Sadr em Najaf.

O comunicado convocava os iraquianos de todos os grupos a se concentrarem em Najaf, local da peregrinação anual xiita que freqüentemente atrai centenas de milhares de pessoas.

O governo disse que não tentará impedir a manifestação a menos que ela não seja violenta. "O direito de fazer uma manifestação pacífica e expressar opiniões é garantido pela Constituição, e nós não nos importamos se a manifestação for pacífica", disse o porta-voz do Ministério do interior, Abdul-Karim Khalaf.

 

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