Mundo
03/04/2008 - 18h25

Dois jornalistas estrangeiros são presos no Zimbábue

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da Folha Online

A polícia do Zimbábue deteve nesta quinta-feira dois jornalistas estrangeiros em um hotel na capital Harare, acusados de cobrir as eleições sem o credenciamento necessário, informou um porta-voz oficial.

"Posso apenas confirmar que detemos dois jornalistas no York Lodge", afirmou o porta-voz Wayne Bvudzijena.

Um deles é o correspondente do jornal "The New York Times" em Johannesburgo, Barry Bearak, que estava no Zimbábue cobrindo as eleições presidenciais.

"Eles estão sendo investigados por exercer seu ofício sem credenciamento", explicou, sem dar mais detalhes sobre a identidade do segundo jornalista.

O Comitê para a Proteção dos Jornalistas (CPJ) se pronunciou sobre o caso e entrou em defesa dos jornalistas, pedindo sua soltura às autoridades do Zimbábue.

"Temos informações alarmantes que jornalistas estrangeiros foram detidos em Harare", comunicou o diretor-executivo do CPJ, Joel Simon.

"Durante visitas em situações políticas como essa, é imprescindível que jornalistas, estrangeiros e locais, possam trabalhar livremente. Pedimos às autoridades que libertem os dois repórteres presos", acrescentou Simon.

Cerco

Agentes policiais do Zimbábue cercaram o hotel York Loge, onde costumam se hospedar jornalistas ocidentais, confirmaram fontes do hotel.

"A polícia ainda está aqui, não posso falar", disse por telefone à agência de notícias Efe uma mulher que atendeu uma ligação feita ao hotel.

Centenas de jornalistas estrangeiros pediram credenciamento para cobrir as eleições gerais de sábado, mas o governo de Harare rejeitou a entrada da maioria deles no país.

Alguns, no entanto, viajaram para o Zimbábue para cobrir o pleito, fingindo ser turistas, e estão reportando as eleições do país sem o conhecimento das autoridades.

Nas eleições parlamentares de 2005, dois jornalistas britânicos foram detidos no Zimbábue por exercer sua profissão sem contar com a permissão do governo, e foram libertados dias depois de pagar uma multa.

Com France Presse e Efe

 

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