Mundo
04/04/2008 - 07h54

Missão de resgate de Betancourt é extremamente complicada, diz Chávez

Publicidade

da Efe, em Caracas
da Folha Online

O presidente venezuelano, Hugo Chávez, qualificou de "extremamente complicada" a missão humanitária feita pela França para resgatar a refém Ingrid Betancourt, e pediu aos governos da Colômbia e dos Estados Unidos "um conjunto de gestos" para reativar o processo de troca humanitária colombiana.

Ao mesmo tempo, a irmã de Ingrid, Astrid Betancourt, disse considerar "ínfimas" as chances de a missão ter sucesso e o ministro de Assuntos Exteriores da Espanha, Miguel Ángel Moratinos, comentou que os "ecos" que chegam das Farc em relação à ação humanitária não são muito promissores.

"A situação está muito, muito, muito complicada, extremamente complicada", disse Chávez em discurso nacional, no qual atribuiu a ausência de uma resposta positiva para a França por parte das Farc (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia) à "falta de confiança" no governo colombiano.

"Tomara que essa missão humanitária chegue, mas onde vai chegar, onde?", questionou o chefe de Estado venezuelano, que reiterou sua disposição de "colaborar" para a libertação de Betancourt e de todos os reféns das Farc.

O líder venezuelano opinou que "faria falta um conjunto de gestos do governo da Colômbia, do governo dos Estados Unidos, que permitam reativar a troca humanitária" na Colômbia.

Troca

As Farc informaram, através de seus porta-vozes Rodrigo Granda e Jesús Santrich, que não libertarão de maneira unilateral outros reféns a não ser mediante a negociação de um acordo de troca em uma zona desmilitarizada.

Chávez afirmou que, em uma recente conversa telefônica sobre o caso de Betancourt, recomendou a seu colega francês, Nicolas Sarkozy, que "fale" com o presidente dos EUA, George W.Bush, que "tem muito a ver" com o conflito colombiano.

O presidente venezuelano insistiu que Bogotá segue ordens de Washington em seu processo "de conflito" contra a guerrilha.

Chávez revelou que Sarkozy pediu a ele que entrasse em contato com o guerrilheiro Ivan Márquez para facilitar o resgate da ex-candidata presidencial colombiana, que também tem nacionalidade francesa, mas que se negou a fazê-lo para não facilitar a "caçada de um homem".

"Pede-me (Sarkozy) que faça um contato de Ivan Márquez. Andam caçando (o guerrilheiro), eu não posso me prestar para a caçada de um homem (...) para que logo em seguida chegam as bombas inteligentes", disse o governante venezuelano.

Chávez assinalou que lembrou a Sarkozy que já pediu publicamente a Manuel Maruland, comandante das Farc, que liberte Betancourt em atenção a seu delicado estado de saúde.

O presidente colombiano reiterou que "estaria disposto" a ir junto com seu colega francês na procura de Betancourt e outros reféns da guerrilha.

Irmã

Astrid Betancourt, irmã de Ingrid Betancourt, disse nesta sexta-feira que a missão humanitária enviada pelo presidente francês tem "ínfimas" chances de sucesso, mas agradeceu a tentativa.

"Independentemente de que essa missão triunfe ou não, temos que continuar tentando o caminho da negociação para a libertação dos reféns", disse Astrid, que convidou a comunidade internacional a aumentar a pressão sobre a guerrilha e sobre o governo do presidente colombiano, Álvaro Uribe.

Espanha

O ministro de Assuntos Exteriores espanhol, Miguel Ángel Moratinos, disse que os "ecos" que chegam das Farc em relação à ação humanitária a favor de Ingrid Betancourt não são muito promissores.

"Falei esta manhã com meu colega francês. Estamos à espera. Os ecos que nos chegam das Farc são um pouco reativos e não muito promissores, mas é preciso ser prudente", disse Morantinos à imprensa em Bucareste, onde assiste à reunião entre Otan e Rússia.

"Neste tema dos seqüestrados, a Espanha sempre teve uma posição positiva e construtiva, tentando ajudar".

"Volto a dizer o mesmo: o governo espanhol faz uma chamada urgente, imediata, às Farc para a libertação. Eles assumirão sua responsabilidade".

Comentários dos leitores
Ricardo Perrone (41) 12/11/2009 11h26
Ricardo Perrone (41) 12/11/2009 11h26
O Governo colombiano não deveria exercer esse tipo de artifício para capturar assassinos, bandidos ou guerrilheiros. Pagar recompensa é um estímulo a práticas detestáveis do caráter humano, como: ganância, traição e mentira. O governo deveria pegar o valor de tal recompensa e empregar nas atividades investigativas da polícia ou mesmo em sua modernização. O Estado deve ter por meta estimular o bom comportamento na sociedade, banindo práticas detestáveis mesmo que sejam por uma boa causa. sem opinião
avalie fechar
O Pacificador (114) 12/11/2009 11h03
O Pacificador (114) 12/11/2009 11h03
"Governo colombiano oferece US$ 1 milhão pelos assassinos de soldados do país..."
Nem precisava tanta grana.
Quem pode entregar os "cabeças" das Farc, é só gente interna mesmo.
Por dinheiro, que a verdadeira ideologia deles, esses "guerilheiros", fazem qualquer coisa.
Como já mostraram antes que são capazes, cortando até as maos de um líder da guerilha, para comprovar sua eliminação.
Uma fração do oferecido, teria sido mais do que sufiente...
sem opinião
avalie fechar
AGUINALDO VENANCIO (2096) 12/11/2009 08h06
AGUINALDO VENANCIO (2096) 12/11/2009 08h06
BOA URIBE! sem opinião
avalie fechar
Comente esta reportagem Veja todos os comentários (276)
Termos e condições
 

FolhaShop

Digite produto
ou marca