Mundo
04/04/2008 - 08h50

Pesquisa diz que 81% dos americanos estão insatisfeitos nos EUA

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Colaboração para a Folha Online

Pesquisa feita pela CBS News-New York Times indica que 81% dos norte-americanos dizem acreditar que os Estados Unidos estão seguindo "o caminho errado". Foi a maior porcentagem desde o início da década de 90.

Nos dados divulgados na quinta-feira, 81% dos entrevistados afirmaram que "as coisas saíram seriamente do rumo". No ano passado, 69% dos entrevistados tinham a mesma opinião, e apenas 35% em 2002.

A pesquisa ouviu representantes de quase todos os grupos demográficos e políticos --democratas e republicanos, moradores de áreas urbanas ou rurais, mulheres e homens e pessoas com maior e menor escolaridade.

Segundo o "New York Times", houve um consenso entre todos os grupos sobre o fato do país estar no rumo errado. Uma parcela de 78% dos entrevistados indicou que o país está pior agora do que há 5 anos, e apenas 4% disseram que houve uma melhora de âmbito geral.

A pesquisa marca o momento em que a economia dos EUA --e sua profunda crise-- ultrapassa a Guerra do Iraque como o tema de maior preocupação entre os norte-americanos e, consequentemente, o tema mais importante para as eleições presidenciais de 4 de novembro.

Apenas 21% dos entrevistados disse achar que a economia nacional "vai bem" --a menor porcentagem desde o final de 1992, quando o país estava em plena crise econômica. a pesquisa deste mês indicou também que dois em cada três entrevistados dizem acreditar que a economia já está em recessão.

Campanha eleitoral

AP
Segundo pesquisa, 81% estão insatisfeitos nos EUA; cenário pode influenciar eleições
Segundo pesquisa, 81% estão insatisfeitos nos EUA; cenário pode influenciar eleições

A insatisfação dos norte-americanos pode representar um risco para o Partido Republicano considerando-se a baixa popularidade do atual presidente dos Estados Unidos --e republicano--, George W. Bush. Apenas 28% dos entrevistados dissseram que aprovam o seu mandato e suas políticas para o país. Contudo, a taxa de aprovação não mudou desde o meio do ano passado, o que pode representar que a crise deste ano não afetou diretamente a opinião dos norte-americanos em relação ao presidente e ao partido.

Para os democratas, a insatisfação da maioria dos norte-americanos pode significar um grupo eleitores ávidos por punir o partido por sua atuação na política econômica do país já que os democratas controlam o Senado e a Casa dos Representantes (Câmara dos Deputados) desde o ano passado.

Crise imobiliária

A pesquisa do "NYT" indicou também que os norte-americanos culpam membros do governo pela crise imobiliária que aflige a economia do país. Eles dizem acreditar que o governo tem uma parcela maior de culpa que os bancos ou compradores de casas que não tiveram como pagar seus empréstimos.

Um total de 40% dos entrevistados dizem que os reguladores do sistema financeiro são os maiores culpados enquanto 28% nomearam os bancos que emprestaram o dinheiro, e apenas 14% indicaram as pessoas que fizeram o empréstimo.

Segundo os dados da pesquisa, os norte-americanos apóiam a ajuda para as pessoas que emprestaram dinheiro para comprar casas, mas não para as instituições financeiras que emprestaram. Uma grande maioria indicou que não quer que o governo ajude os bancos, mesmo que a medida possa ajudar a diminuir a recessão.

No total, 53% dos entrevistados dizem acreditar que o governo deve intervir na situação das instituições, enquanto 41% acham que o governo deve manter a ajuda somente às pessoas com risco de falência.

Disputa

A pesquisa deve movimentar a campanha presidencial deste ano já que democratas e republicanos divergem sobre a postura do governo em relação à crise.

Os pré-candidatos democratas à Presidência Barack Obama e Hillary Clinton defendem uma grande intervenção do governo, com a criação de um fundo para ajudar as famílias em crise. Hillary propôs, inclusive, que o governo crie um leilão para arrematar as casas das famílias que não conseguirem pagar os empréstimos.

Já o provável candidato republicano John McCain disse apostar em reformas no sistema financeiro centradas na melhora da transparência e da responsabilidade, principalmente dos bancos de crédito. "A ajuda do governo para o sistema bancário deve ser baseada apenas na prevenção dos riscos que podem prejudicar o sistema financeiro e a economia", afirmou o republicano em discurso recente.

A pesquisa ouviu 1.368 pessoas em todo o país, entre 28 de março e 2 de abril. A margem de erro é de 3 pontos percentuais para mais ou para menos.

Comentários dos leitores
Luciano Edler Suzart (34) 09/10/2009 10h20
Luciano Edler Suzart (34) 09/10/2009 10h20
A situação é periclitante, se antigamente se concedia o Nobel da Paz a quem de algum modo, plantava a paz no mundo, hoje (dada a escassez de boa fé geral) se concede o prémio a quem não faz a guerra... Como diria o sábio Maluf: "Antes de entrar queria fazer o bem, depois que entei, o máximo que conseguí foi evitar o mal"
Só assim pra se justificar esse Nobel a Obama, ou podemos ver como um estímulo preventivo a que não use da força bélica que lhe está disponível contra novos "Afeganistões" do mundo.
sem opinião
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honório Tonial (2) 16/05/2009 21h47
honório Tonial (2) 16/05/2009 21h47
Considero ecelente vosso noticiario. Obrigado, aos 83 anos de mnha vida, 5 opiniões
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Marcello Sokal (73) 07/02/2009 12h01
Marcello Sokal (73) 07/02/2009 12h01
Óbvio que não poderiam aceitar,pois não teriam respostas claras para as legítimas questões do presidente iraniano,esse sim um verdadeiro estadista que sabe da verdade dos fatos e não tem receio de buscar responsabilizar os culpados. A política imperialista norte-americana é velha conhecida mas pessoas convenientemente "esquecem" disso - não respeitam a soberania das nações e se arvoram em ser os "defensores da liberdade" - é o país que mais se envolveu em guerras,revoluções,invasões e intervenções da história da humanidade.A única nação que já bombardeou outro país (na verdade cidades,repletas de civis inocentes) utilizando armas nucleares. O apoio norte-americano a Israel é uma vergonha, apoiando todo tipo de atrocidade possível,dando carta branca e fornecendo armas de alta tecnologia.
Em resumo: o grande vilão nisso tudo não é o Irã....mas tem tolo que prefere não ver influenciado pelo mentiroso american-way-of-life,lamentável.
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