Mundo
04/04/2008 - 09h28

Filho pede que Betancourt resista; irmã diz que missão tem chances "ínfimas"

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da Folha Online
da Efe

Lorenzo Delloye, filho da refém franco-colombiana Ingrid Betancourt, pediu nesta sexta-feira que a mãe resista e exigiu que as Farc (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia) faça um "gesto" neste "momento histórico" e libertem a ex-candidata presidencial.

"Coma e cuide-se, é seu filho quem pede", disse Delloye em mensagem radiofônica que gravou diante da imprensa nos estúdios da Rádio França Internacional, emissora que os reféns das Farc escutam na selva colombiana.

O novo pedido do filho mais novo de Betancourt ocorre enquanto uma missão humanitária francesa está em Bogotá (capital colombiana) para tentar prestar assistência médica à refém que, segundo diversas informações, está em estado de saúde grave.

Irmã

Pouco antes das afirmações feitas por Delloye, Astrid Betancourt, irmã de Ingrid Betancourt, disse que a missão humanitária enviada pelo presidente francês, Nicolas Sarkozy, tem "ínfimas" chances de sucesso, mas agradeceu a tentativa.

Jacques Brinon/AP
Lorenzo Delloye, filho da refém Ingrid Betancourt, grava mensagem para a mãe
Lorenzo Delloye, filho da refém Ingrid Betancourt, grava mensagem para a mãe

"Há uma resposta por parte das Farc que é clara. Não sei se há possibilidades de salvar a missão, mas acho que tem ínfimas chances. Mas não se deve descartar nada", disse Astrid, em referência às declarações do "chanceler" da guerrilha, Rodrigo Granda, que descartou libertações unilaterais.

"Independentemente de essa missão triunfar ou não, temos de continuar tentando o caminho da negociação para a libertação dos reféns", disse Astrid, que convidou a comunidade internacional a aumentar a pressão sobre a guerrilha e sobre o governo do presidente colombiano, Álvaro Uribe.

A irmã da refém agradeceu à França o esforço que está fazendo para a libertação de Ingrid, mas apostou mais no caminho da negociação que das medidas unilaterais.

"O êxito desta missão humanitária dependia de um milagre, porque não foi feita em coordenação com as Farc nem pelos caminhos freqüentes, que passavam por ter avisado ao presidente da Venezuela, Hugo Chávez", disse Astrid.

Ela comparou essa missão à enviada em 2003 pela França a território brasileiro, em um momento no qual também se especulava a extrema gravidade do estado de saúde de Ingrid. "Na época, também foi dito que estava à beira da morte e a França também reagiu. Tinha de tentar, não podia se arriscar a deixar passar uma oportunidade", afirmou.

A irmã da refém deu pouco crédito aos "rumores" sobre a extrema gravidade do estado de saúde de Ingrid, e negou que ela tenha iniciado uma greve de fome.

Yoan Valat /Efe
A irmã de Ingrid, Astrid Betancourt, disse que a missão tem poucas chances de êxito
A irmã de Ingrid, Astrid Betancourt, disse que a missão tem poucas chances de êxito

"Sabemos que Ingrid não está bem, porque a vimos muito magra nos últimos vídeos, porque ela dizia que tinha problemas para comer na carta que enviou a minha mãe e porque assim contou Luis Eladio Pérez, que compartilhou cativeiro com ela", disse. Para Astrid, no estado de fragilidade de Ingrid, uma greve de fome seria "suicida".

Ela acusou o governo colombiano de "manipular" estes rumores para "justificar o envio de mais tropas à zona na qual se encontram os reféns".

A irmã de Betancourt fez uma chamada às Farc e ao presidente colombiano, Álvaro Uribe, para que retomem "o caminho da negociação" com a mediação de Chávez, "que é quem tem as chaves e os contatos para abrir o diálogo".

"Nenhum dos dois pode permitir que minha irmã morra. Seria uma vergonha para Uribe e o princípio do fim para as Farc", disse.

Troca

As Farc informaram, através de seus porta-vozes Rodrigo Granda e Jesús Santrich, que não libertarão de maneira unilateral outros reféns a não ser mediante a negociação de um acordo de troca em uma zona desmilitarizada.

Chávez afirmou que, em uma recente conversa telefônica sobre o caso de Betancourt, recomendou a seu colega francês, Nicolas Sarkozy, que "fale" com o presidente dos EUA, George W.Bush, que "tem muito a ver" com o conflito colombiano.

30.nov.2007/AP
A refém franco-colombiana Ingrid Betancour, detida pela guerrilha Farc há seis anos
A refém franco-colombiana Ingrid Betancour, detida pela guerrilha Farc há seis anos

O presidente venezuelano insistiu que Bogotá segue ordens de Washington em seu processo "de conflito" contra a guerrilha.

Chávez revelou que Sarkozy pediu a ele que entrasse em contato com o guerrilheiro Ivan Márquez para facilitar o resgate da ex-candidata presidencial colombiana, que também tem nacionalidade francesa, mas que se negou a fazê-lo para não facilitar a "caçada de um homem".

"Pede-me (Sarkozy) que faça um contato de Ivan Márquez. Andam caçando (o guerrilheiro), eu não posso me prestar para a caçada de um homem (...) para que logo em seguida chegam as bombas inteligentes", disse o governante venezuelano.

Chávez assinalou que lembrou a Sarkozy que já pediu publicamente a Manuel Marulanda, comandante das Farc, que liberte Betancourt em atenção a seu delicado estado de saúde.

O presidente colombiano reiterou que "estaria disposto" a ir junto com seu colega francês na procura de Betancourt e outros reféns da guerrilha.

 

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