Mundo
04/04/2008 - 14h14

França espera resposta das Farc; Sarkozy está pronto para integrar missão

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da Folha Online

A França continua a esperar uma resposta das Farc (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia) para que a missão humanitária enviada pela França possa chegar até a refém franco-colombiana Ingrid Betancourt, afirmou nesta sexta-feira o chanceler francês, Bernard Kouchner.

Mais cedo, Kouchner afirmou que o presidente Nicolas Sarkozy está pronto para viajar para a fronteira da Colômbia com o presidente venezuelano, Hugo Chávez, se isso puder ajudar a libertar Betancourt. "Se houver uma esperança, Chávez e Sarkozy irão encontrar Betancourt na fronteira", disse Kouchner.

2.abr.08/Daniel Joubert/Efe
O presidente francês, Nicolas Sarkozy, que espera resposta das Farc sobre Betancourt
O presidente francês, Nicolas Sarkozy, que espera resposta das Farc sobre Betancourt

"As Farc devem responder, nós esperamos", afirmou à rádio Europa 1, de Bucareste (Romênia), onde participava da cúpula da Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte). "No momento, estamos tratando, tratando, tratando, não há outra solução", afirmou.

Rodrigo Grande, considerado o "chanceler" das Farc, afirmou que não faria libertação de reféns sem a troca por guerrilheiros presos, em um comunicado divulgado ontem pela Agência Bolivariana de Notícias.

Desde ontem, uma missão humanitária liderada pela França --junto com Espanha e Suíça-- está na Colômbia pronta para ir até San José Guaviare, região onde estaria Betancourt. "Se não se arrisca, não há risco de ter êxito. Se se arrisca, se corre o risco de ganhar", disse Kouchner.

"O presidente [da Colômbia, Álvaro] Uribe se mostrou muito aberto para a libertação dos prisioneiros, o presidente [venezuelano, Hugo] Chávez está de novo com uma cumplicidade ativa", disse ele.

Ontem, Chávez propôs ir à Colômbia junto com Sarkozy para encontrar Betancourt.

Hoje, Uribe se reuniu com embaixadores da França, Espanha e Suíça --os três países que estão negociando com as Farc-- para tentar "avançar" a logística da missão humanitária, informou a Presidência colombiana.

Filho

Lorenzo Delloye, filho da refém franco-colombiana, pediu nesta sexta-feira que a mãe resista e exigiu que as Farc (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia) faça um "gesto" neste "momento histórico" e libertem a ex-candidata presidencial.

"Coma e cuide-se, é seu filho quem pede", disse Delloye em mensagem radiofônica que gravou diante da imprensa nos estúdios da Rádio França Internacional, emissora que os reféns das Farc escutam na selva colombiana.

O novo pedido do filho mais novo de Betancourt ocorre enquanto uma missão humanitária francesa está em Bogotá (capital colombiana) para tentar prestar assistência médica à refém que, segundo diversas informações, está em estado de saúde grave.

Irmã

Pouco antes das afirmações feitas por Delloye, Astrid Betancourt, irmã de Ingrid Betancourt, disse que a missão humanitária enviada pelo presidente francês, Nicolas Sarkozy, tem "ínfimas" chances de sucesso, mas agradeceu a tentativa.

"Há uma resposta por parte das Farc que é clara. Não sei se há possibilidades de salvar a missão, mas acho que tem ínfimas chances. Mas não se deve descartar nada", disse Astrid, em referência às declarações do "chanceler" da guerrilha, Rodrigo Granda, que descartou libertações unilaterais.

Jacques Brinon/AP
Lorenzo Delloye, filho da refém Ingrid Betancourt, grava mensagem para a mãe
Lorenzo Delloye, filho da refém Ingrid Betancourt, grava mensagem para a mãe

"Independentemente de essa missão triunfar ou não, temos de continuar tentando o caminho da negociação para a libertação dos reféns", disse Astrid, que convidou a comunidade internacional a aumentar a pressão sobre a guerrilha e sobre o governo do presidente colombiano, Álvaro Uribe.

A irmã da refém agradeceu à França o esforço que está fazendo para a libertação de Ingrid, mas apostou mais no caminho da negociação que das medidas unilaterais.

"O êxito desta missão humanitária dependia de um milagre, porque não foi feita em coordenação com as Farc nem pelos caminhos freqüentes, que passavam por ter avisado ao presidente da Venezuela, Hugo Chávez", disse Astrid.

Ela comparou essa missão à enviada em 2003 pela França a território brasileiro, em um momento no qual também se especulava a extrema gravidade do estado de saúde de Ingrid. "Na época, também foi dito que estava à beira da morte e a França também reagiu. Tinha de tentar, não podia se arriscar a deixar passar uma oportunidade", afirmou.

A irmã da refém deu pouco crédito aos "rumores" sobre a extrema gravidade do estado de saúde de Ingrid, e negou que ela tenha iniciado uma greve de fome.

Yoan Valat /Efe
A irmã de Ingrid, Astrid Betancourt, disse que a missão tem poucas chances de êxito
A irmã de Ingrid, Astrid Betancourt, disse que a missão tem poucas chances de êxito

"Sabemos que Ingrid não está bem, porque a vimos muito magra nos últimos vídeos, porque ela dizia que tinha problemas para comer na carta que enviou a minha mãe e porque assim contou Luis Eladio Pérez, que compartilhou cativeiro com ela", disse. Para Astrid, no estado de fragilidade de Ingrid, uma greve de fome seria "suicida".

Ela acusou o governo colombiano de "manipular" estes rumores para "justificar o envio de mais tropas à zona na qual se encontram os reféns".

A irmã de Betancourt fez uma chamada às Farc e ao presidente colombiano, Álvaro Uribe, para que retomem "o caminho da negociação" com a mediação de Chávez, "que é quem tem as chaves e os contatos para abrir o diálogo".

"Nenhum dos dois pode permitir que minha irmã morra. Seria uma vergonha para Uribe e o princípio do fim para as Farc", disse.

 

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