Colômbia reafirma que não criará zona desmilitarizada para Farc
da Folha Online
O presidente da Colômbia, Álvaro Uribe, reafirmou nesta sexta-feira que não criará uma zona desmilitarizada para negociar a troca de reféns da guerrilha por rebeldes presos, como exigem as Farc (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia).
"Uma retirada (militar) pode ser um golpe do terrorismo contra a Segurança Democrática, pode ser o oxigênio de que esta cobra precisa para reviver", disse Uribe em conversa com estudantes universitários em Bogotá.
A declaração foi formulada um dia após a divulgação de um comunicado do chamado "chanceler" das Farc, Rodrigo Granda, afirmando que a troca humanitária ocorrerá apenas com a criação de uma zona desmilitarizada no sudoeste da Colômbia.
| 15.mar.08/Miguel Angel Solano/Efe |
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| Álvaro Uribe diz não que não irá criar área desmilitarizada para negociar com as Farc |
O rebelde afirmou ainda que a guerrilha não fará mais libertações unilaterais, como as de de 10 de janeiro e 27 de fevereiro, nas quais libertaram cinco ex-congressistas e a advogada Clara Rojas, ex-assessora de Ingrid Betancourt, refém desde fevereiro de 2002, quando era candidata à Presidência pelo Partido Verde Oxigênio.
A troca humanitária envolveria 39 reféns das Farc, incluindo a franco-colombiana Ingrid Betancourt.
Segundo Uribe, as Farc sempre criam obstáculos para a troca humanitária. "Sempre que propõem uma condição essencial, é algo para não negociar."
As Farc querem a zona desmilitarizada, "porque sabem que o governo não pode aceitar".
Uribe também citou a "impossibilidade jurídica" de se libertar os líderes rebeldes Simón Trinidad e Sonia, presos nos Estados Unidos, cuja libertação foi reivindicada na declaração de Granda.
Manifestações
Dezenas de milhares de pessoas, segundo a polícia e os organizadores, se manifestaram nesta sexta nas ruas das grandes cidades colombianas em apoio à libertação de Ingrid Betancourt e de todos os reféns da Colômbia, que seriam cerca de 2.800, segundo as estimativas oficiais.
Aos gritos de "somos todos Ingrid Betancourt", os manifestantes marcharam com grandes cartazes da ex-candidata presidencial.
"Salvemos Ingrid Betancourt", dizia um imponente cartaz instalado na fachada da prefeitura de Bogotá, na praça Bolivar, onde cerca de 5.000 pessoas estavam reunidas.
| Fernando Vergara/AP |
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| Grupo de estudantes pede a libertação de Ingrid Betancourt em manifestação na Colômbia |
Pela primeira vez na Colômbia, a refém Ingrid Betancourt esteve onipresente nos cartazes, nas camisetas dos manifestantes e nas janelas dos prédios.
Dezenas de mulheres de cabelos longos e negros --como os de Ingrid Betancourt-- ainda usaram máscaras representando a franco-colombiana.
"Hoje nós utilizamos o rosto de Ingrid, mas amanhã será o de qualquer um dos outros reféns, que estamos esperando de braços abertos", afirmou Jorge Mejia, coordenador em Medellin do grupo "Somos Todos Ingrid".
Vários reféns recém-libertados pelas Farc, como Clara Rojas e Gloria Polanco, participaram das manifestações na capital.
"Queremos mostrar aos reféns que eles não estão sozinhos", declarou à agência de notícias France Presse Ana Teresa Bernal, porta-voz da Redepaz, uma das ONGs organizadoras do protesto.
"São as únicas armas que temos para pressionar os seqüestradores. Defendemos a vida, e lembramos que a liberdade é um valor que não é negociável", acrescentou Bernal.
| 30.nov.2007/AP |
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| A refém franco-colombiana Ingrid Betancour, detida pela guerrilha Farc há seis anos |
A porta-voz da Redepaz expressou um certo otimismo em relação à Ingrid Betancourt, que corre "risco de morte iminente", segundo recentes depoimentos.
"Ingrid está num estado muito grave, mas ainda podemos salvá-la", declarou.
Segundo camponeses do departamento de Guaviare (400 km ao sudeste de Bogotá) e um sacerdote católico da região, Ingrid estaria muito doente.
A França enviou quinta-feira uma missão humanitária a este departamento para localizar e tentar obter a libertação de Ingrid Betancourt.
Uma das maiores manifestações desta sexta-feira aconteceu em San José del Guaviare, a capital do departamento. "Apoiamos a missão humanitária para socorrer Betancourt e os outros reféns. Não queremos recebê-los em caixões", declarou o governador de Guaviare, Oscar Lopez.
Com France Presse
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