Colômbia paga US$ 2,5 mi a informante de ação contra número dois das Farc
da Folha Online
O governo colombiano pagou neste sábado uma recompensa equivalente a US$ 2,5 milhões (cerca de R$ 4,3 milhões) à pessoa que forneceu a informações sobre a localização do acampamento onde foi morto o número dois das Farc (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia), Raúl Reyes, informou o presidente Álvaro Uribe.
"Pagamos hoje 5 bilhões de pesos (cerca de US$ 2,5 milhões) de recompensa à pessoa que deu a informação sobre a situação do acampamento terrorista de Raúl Reyes", afirmou o presidente.
Uribe disse ainda que, assim como foi prometido por seu governo, o informante e sua família serão enviados ao exterior por questões de segurança.
Esta é a maior recompensa já dada por informações que levem aos comandantes das Farc.
Reyes, cujo nome verdadeiro era Luis Edgar Devia, foi morto junto a outras 25 pessoas em uma operação de militares colombianos em território equatoriano no dia 1º de março.
O ataque desencadeou uma grave crise entre Colômbia, Equador e Venezuela.
Equador
Enquanto Uribe anunciava o pagamento do informante, o presidente do Equador, Rafael Correa, informou neste sábado que está preparando ações legais contra Bogotá pela morte do equatoriano Franklin Aisalla na incursão militar colombiana contra as Farc, que causou o rompimento das relações diplomáticas entre os dois países.
"Estamos preparando outras ações legais, neste caso pela morte do cidadão Aisalla", declarou o presidente em seu programa semanal de rádio.
Correa disse que a família da vítima tem todo o apoio do governo porque, "independente se era guerrilheiro ou não, trata-se de um equatoriano assassinado pelas forças estrangeiras em solo pátrio e não se pode permitir isso".
Correa declarou que seu secretário particular receberá os familiares de Aisalla, que foi morto no ataque militar colombiano que matou Reyes.
Há uma semana, o presidente equatoriano anunciou que Quito lançará uma série de contra-ofensivas frente aos "abusos" de Bogotá, como apresentar uma queixa ante a Corte Internacional de Justiça de Haia (CIJ) pelas fumigações aéreas da Colômbia para combater cultivos ilícitos em sua fronteira comum.
O ministério equatoriano da Defesa admitiu que Aisalla foi investigado pelo Exército por um suposto vínculo com a guerrilha das Farc.
Vínculos
Em uma entrevista ao jornal espanhol "El País" neste sábado, Correa insistiu que os contatos de seu governo com a guerrilha das Farc pretendiam facilitar uma ação humanitária e que as autoridades colombianas estavam a par.
Correa explicou o encontro do ministro do Interior equatoriano, Gustavo Larrea, com o Reyes, dentro das gestões para libertar Enmanuel, o filho de Clara Rojas, refém da guerrilha liberada em janeiro.
Larrea avisou previamente o presidente colombiano, Alvaro Uribe, de que o Equador participaria em ações humanitárias, apesar de não ter prevenido do encontro com Reyes, que ocorreu em um país neutro, segundo Correa.
Correa, que afirmou que em sua vida jamais encontrou alguém das Farc, taxou de mentiras as informações encontradas no computador de Raúl Reyes nas quais ele e alguns de seus colaboradores são vinculados com a guerrilha.
Quanto ao possível restabelecimento das relações com a Colômbia, o presidente equatoriano disse que, enquanto houver informações por parte de Bogotá sobre o conteúdo do computador de Reyes, será difícil retomar os contatos diplomáticos.
Correa, no entanto, disse que espera superar em breve esse "gravíssimo incidente" com a Colômbia, para restabelecer os vínculos diplomáticos.
"Tomara que superemos o mais rápido possível esse gravíssimo incidente, para restabelecermos relações com um país irmão como a Colômbia, mas com satisfação para o Equador, para a família Aisalla, com justiça e dignidade", acrescentou.
Com France Presse e Efe
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