Escudo antimísseis domina agenda do último encontro Bush-Putin
da France Presse, em Sochi (Rússia)
George W. Bush chegou na noite deste sábado em Sochi (Rússia) para sua última reunião de cúpula com o presidente Vladimir Putin destinada a dar um novo impulso às relações bilaterais e contornar as divergências dos dois países a respeito do projeto de escudo antimísseis americano na Europa.
O avião Força Aérea Um, proveniente de Zagreb, pousou às 11h30 (de Brasília), no aeroporto de Sochi.
O presidente americano chegou ao resort do Mar Vermelho, onde, acompanhado por Putin, conheceu a maquete da vila olímpica planejada para os Jogos de Inverno de Sochi 2014, antes de os dois líderes se retirarem para a residência do anfitrião para um jantar particular e informal.
No jantar, também esteve presente o presidente russo eleito, Dmitri Medvedev.
As negociações mais sérias entre Bush e Putin começam às 6h GMT deste domingo (3h de Brasília) e deverão abordar, além da questão do escudo, a expansão da Otan e outros tratados.
Acordo
Antes da chegada de Bush, a Casa Branca afirmou não esperar que os dois presidentes cheguem a um acordo a respeito do escudo antimísseis durante o encontro deste final de semana.
"Vamos ter de trabalhar mais depois de Sochi", disse a porta-voz Dana Perino a repórteres que viajam com Bush.
"Ninguém disse que tudo terminou e que todos estaríamos satisfeitos com o conjunto dos preparativos, já que nem sequer começamos a discutir aspectos técnicos do sistema. Ainda estamos no início das negociações", afirmou Perino.
"Mas acreditamos que o diálogo segue uma boa direção e que essa reunião fará com que possamos ir ainda mais longe", acrescentou.
O porta-voz do Kremlin, Dmitri Peskov, também foi prudente a respeito. "Vamos esperar até amanhã", limitou-se a comentar.
Otan
Bush se reúne com o chefe de governo russo fortalecido pelo apoio da Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte) a seu projeto de escudo antimísseis.
Não há como saber, porém, se o apoio da Otan é suficiente para influenciar a opinião de Putin, que é contra o projeto.
A Casa Branca disse esperar que estratégia e o emocional se misturem nessa reunião com ar de despedida para os dois líderes no poder nos últimos sete anos.
Durante a reunião do Conselho Otan-Rússia, sexta-feira, em Bucareste (Romênia), Bush comparou Putin e a si mesmo com "dois velhos lobos do mar", revelou um diplomata.
Ambos foram homenageados pelo secretário-geral da Aliança, Jaap de Hoop Scheffer, que os chamou de "pais fundadores" do Conselho Otan-Rússia.
Além de conversas amigáveis entre os "velhos amigos", Bush e Putin não perderão a oportunidade para discutir assuntos de interesse próprio.
Cooperação
O presidente americano pretende insistir em que o governo russo aceite e coopere. De acordo com a secretária de Estado americana, Condoleezza Rice, a declaração da Otan é um "avanço".
Se, para Bush, a aprovação de seu projeto de escudo foi um triunfo, a prorrogação das conversas sobre a adesão da Ucrânia e da Albânia à Aliança foi um fracasso, visto que o presidente americano era a favor da entrada de ambos os países. Isso pode contar pontos com Putin, que também defendia a adesão das duas ex-repúblicas soviéticas.
A Rússia diz que o projeto americano de instalar 10 mísseis interceptadores na Polônia e um radar ultramoderno na República Tcheca é um plano que pode afetar sua segurança.
Já os EUA asseguram que o sistema também defenderá a Europa das ameaças balísticas de Estados "párias" como Irã, assunto que Putin leva muito a sério.
Leia mais
- Bush e Putin discutem escudo antimísseis em cúpula no mar Negro
- Bush diz que portas da Otan estão abertas para leste europeu e Bálcãs
- Expansão da Otan é "ameaça direta" para Rússia, diz Putin
- Apesar de resistência russa, Bush apóia adesão de Ucrânia e Geórgia à Otan
- França estipula condições para enviar mais tropas ao Afeganistão
- Obras da série "Folha Explica" discutem política e eleições
Especial

