Ao menos 20 morrem em combates entre xiitas e tropas dos EUA no Iraque
da Folha Online
Ao menos 20 iraquianos morreram neste domingo em violentos confrontos entre militares norte-americanos e milicianos xiitas em Cidade Sadr, subúrbio de Bagdá, informaram autoridades das forças de segurança e fontes médicas.
Ainda neste domingo, quatro soldados americanos morreram e outros 31 ficaram feridos em diferentes confrontos.
Vinte corpos de iraquianos foram levados a hospitais de Cidade Sadr, de acordo com uma versão médica, confirmada por duas fontes das forças de segurança.
Os combates deixaram ao menos 52 feridos, segundo as mesmas fontes. Entre os mortos e feridos há mulheres e crianças, acrescentaram.
Pouco antes, o comando norte-americano declarou a morte de "nove criminosos" em um ataque aéreo efetuado pela manhã.
Os choques entre soldados norte-americanos e milicianos xiitas em Cidade Sadr começaram durante a noite e eram mantidos neste domingo. A região foi cercada pelo Exército norte-americano e pelas forças de segurança iraquianas.
Segundo moradores do lugar, helicópteros Apache abriram fogo em várias ocasiões contra alvos em terra.
O setor foi completamente isolado pelas tropas americanas e iraquianas. A circulação de carros está proibida em todo o bairro.
Cessar-fogo
A violência ocorre depois de uma semana de relativa calma após os confrontos entre o governo xiita de Nuri Al Maliki e o movimento sadrista.
Os combates em grande escala entre milicianos e soldados iraquianos cessaram em 30 de março, depois de uma convocação do clérigo radical Moqtada al Sadr a seus simpatizantes para que se retirassem das ruas. Al Sadr é o líder da milícia xiita Exército Mehdi.
No entanto, a tensão não diminui em Basra e Cidade Sadr, redutos xiitas onde há tiroteios esporádicos.
Baixas militares
Três ataques realizados neste domingo em Bagdá e na Província de Diyala deixaram quatro soldados americanos mortos e 31 feridos, informaram fontes militares.
Dois deles morreram e 17 ficaram feridos após um ataque com morteiro contra a Zona Verde, área superprotegida de Bagdá na qual moram as autoridades militares e civis dos Estados Unidos, confirmou por telefone uma fonte militar que pediu para não ser identificada.
O segundo ataque aconteceu no bairro de Rustamiyah, a sudeste da cidade e fora da Zona Verde, informou o tenente Patrick Evans, porta-voz das forças americanas na capital iraquiana.
Neste episódio morreu um soldado e outros 14 ficaram feridos ao serem atingidos por tiros de morteiro, declarou.
O terceiro ataque aconteceu na província de Diyala, onde um soldado morreu após a explosão de uma mina, segundo as forças militares em comunicado.
Evans disse que os ataques estão sob investigação e ainda se desconhece sua autoria.
Seqüestros
Neste domingo, as forças de segurança iraquianas libertaram 42 estudantes seqüestrados poucas horas antes por homens armados em Mossul.
Os estudantes viajavam em dois ônibus que foram interceptados por caminhões equipados com metralhadoras 30 km ao sul de Mossul, próximo à cidade de Jurm.
Um ônibus conseguiu furar o bloqueio e foi atingido por disparos que feriram três passageiros.
Mas o outro ônibus foi retido e seus 42 passageiros foram forçados a subir em um dos caminhões dos seqüestradores.
Os estudantes vinham de Ash Sahrqat, cidade localizada 70 km ao sul de Mossul.
Mossul, capital da província de Nínive, 370 km ao norte de Bagdá, é considerada pelo comando militar norte-americano o epicentro da luta contra a rede fundamentalista islâmica al Qaeda.
A cidade é um das mais perigosas do país, que nos últimos meses foi cenário de diversos atentados e ataques de grande envergadura.
Na véspera, um sacerdote cristão foi assassinado a tiros próximo de sua casa no bairro de Karrada, centro de Bagdá. Yussef Adel, um sacerdote da Igreja São Pedro, foi assassinado por homens armados em um carro, que conseguiram fugir.
Com France Presse e Efe
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