Milhares se manifestam pela libertação de Ingrid Betancourt na França
da Folha Online
O grito "Libertem Ingrid" ressoou neste domingo em Paris e em outras grandes cidades francesas em protestos pela libertação da refém das Farc (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia) há oito anos, em eventos que uniram personalidades como a presidente da Argentina, Cristina Kirchner, a primeira-dama da França, Carla Bruni, ministros e milhares de manifestantes.
Cerca de 30 mil pessoas, segundo os organizadores, e 5.000, segundo a polícia, fizeram uma passeata após um ato na Ópera de Paris, no qual a governante argentina pediu a seu colega colombiano que "facilite uma troca humanitária", e o chanceler francês, Bernard Kouchner, declarou que Paris "nunca" retrocederá em seus esforços pela libertação da franco-colombiana.
| Francois Mori/AP |
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| Cristina Kirchner, Astrid Betancourt, irmã da refém, Florence Aubenas, ex-refém no Iraque, e Lorenzo Delloye, filho da refém |
"Os que mais devem se esforçar em eliminar estes obstáculos são exatamente os que têm a responsabilidade de dirigir as instituições democráticas e de facilitar a troca humanitária", declarou Cristina, em aparente alusão ao presidente da Colômbia, Álvaro Uribe.
Ingrid, 46, seqüestrada quando era candidata à Presidência da Colômbia, é refém das Farc desde fevereiro de 2002 e seu estado de saúde é grave.
As negociações --por enquanto frustradas-- para libertá-la despontam como o tema principal do encontro da segunda-feira (7) entre o presidente francês, Nicolas Sarkozy, e sua colega argentina, cuja visita-relâmpago a Paris terminará na própria segunda.
Cristina afirmou neste domingo que "os direitos humanos devem prevalecer sobre qualquer outra questão" e, no fim da passeata diante da Câmara dos deputados, voltou a se dirigir ao governo colombiano para que "compreenda que devem chegar ao final as operações militares para poder alcançar um final feliz nesta triste história".
Missão
Uribe já prometeu suspender as operações militares na região onde deveria operar a "missão humanitária" enviada pela França para prestar assistência a Betancourt, mas se recusa a desmilitarizar a vasta área da Colômbia reivindicada pelas Farc para negociar uma troca de 40 reféns políticos por 500 guerrilheiros presos.
O avião que trouxe a missão humanitária, organizada por França, Espanha e Suíça, permanece em Bogotá desde a última quinta à espera de que a guerrilha a autorize a chegar até Betancourt para prestar atendimento médico à refém, que corre "perigo de morte iminente" segundo Sarkozy.
| Jacques Brinon/AP |
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| Ex-marido de Betancourt, Carla Bruni e filho do presidente francês durante protesto |
"Hoje, as pessoas nos perguntam se vamos parar esta missão humanitária", declarou o ministro Kouchner. "Não vamos parar esta missão, não pararemos estas negociações. Não as interromperemos nunca".
Caso as Farc não respondam "voltaremos a começar", declarou o chanceler francês ao insistir que é "apenas uma etapa".
"Esperamos que seja a última, mas, se não for, repetiremos tudo isto", declarou Kouchner, que considerou "um acontecimento considerável" a presença na manifestação da presidente argentina junto com membros das Mães e Avós da Praça de Maio.
Carla Bruni, há dois meses primeira-dama da França, se uniu às personalidades na Ópera de Paris e afirmou que "o desamparo" dos familiares de Betancourt a "comove".
"Posso dizer que meu marido não desistirá", afirmou a primeira-dama.
| Francois Mori/AP |
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| Garota segura cartaz com a última imagem da refém das Farc, em Paris |
Sarkozy fez da libertação da refém uma de suas prioridades desde sua chegada ao Palácio do Eliseu, em maio do ano passado.
Diante dos participantes da manifestação em frente à Ópera de Paris, o filho de Betancourt, Lorenzo Delloye, disse: "Liberdade para todos (os reféns). Que estes gritos cruzem o Atlântico para que mamãe os ouça", assim como "o presidente Uribe e as Farc".
Confiante de que "o mundo inteiro" não permitirá "o que está acontecendo", o ex-marido de Betancourt, Fabrice Delloye, disse à agência de notícias Efe que se Ingrid morrer "na selva" será a "morte política" da guerrilha, mas também será responsabilidade de Uribe, de quem denunciou sua "intransigência".
Entre os participantes da manifestação de Paris, onde muitos vestiram branco e levaram faixas, lenços e flores, estavam ministros, políticos de várias ideologias e personalidades culturais e esportivas.
Astrid Betancourt, irmã da refém das Farc, a secretária de Estado para os Direitos Humanos, Rama Yade, e o prefeito de Paris, Bertrand Delanoe, compareceram à manifestação. Um dos filhos de Sarkozy, Jean, por "amizade e solidariedade" a Lorenzo Delloye, também estava presente.
França
Segundo os organizadores, as manifestações em outras 15 cidades francesas, como Nice, Bordeaux, Avignon, Estrasburgo e Toulouse, reuniram quase 12 mil pessoas.
Em Marselha, cerca de 1.000 pessoas usando camisetas brancas ou braçadeiras dessa cor desfilaram pela avenida principal até o porto da grande cidade do Mediterrâneo, exibindo fotos de Betancourt e cartazes pedindo "Liberdade para todos".
Em Bastia, na ilha de Córsega, cerca de 50 pessoas se reuniram diante do palácio da justiça para expressar sua solidariedade com a refém.
Mais de 500 pessoas também se reuniram em Avinhon e outras tantas em Nice para pedir a liberdade de Betancourt.
Em Estrasburgo, a manifestação foi encabeçada pelo atual prefeito socialista e seu antecessor, do partido de direita UMP (no poder).
Em Toulouse, 400 pessoas partiram da praça central do Capitólio pelas ruas soltando balões brancos como "símbolo de paz".
Com Efe e France Presse
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Nem precisava tanta grana.
Quem pode entregar os "cabeças" das Farc, é só gente interna mesmo.
Por dinheiro, que a verdadeira ideologia deles, esses "guerilheiros", fazem qualquer coisa.
Como já mostraram antes que são capazes, cortando até as maos de um líder da guerilha, para comprovar sua eliminação.
Uma fração do oferecido, teria sido mais do que sufiente...
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