Al Qaeda responsabiliza Áustria por destino de turistas seqüestrados
da Efe, em Abu Dhabi
A Al Qaeda no Magrebe Islâmico (AQMI) responsabilizou a Áustria pela situação e o destino dos dois austríacos seqüestrados no sul da Tunísia entre o fim de fevereiro e começo de março.
O braço da organização terrorista liderada por Osama bin Laden também acusou Viena de "dizer mentiras" e de ser indiferente aos reféns.
Em comunicado publicado em um site islâmico, a AQMI, no entanto, não diz o que fará com os dois turistas agora, já que, à 0h desta segunda-feira, expirou o prazo para que o governo austríaco atendesse às exigências para a libertação de ambos.
As exigências feitas pelo grupo foram a soltura de "dois muçulmanos (um homem e uma mulher) detidos no Guantánamo da Áustria", além da retirada dos quatro militares austríacos que se encontram no Afeganistão.
"Parece que a Áustria não leva a sério salvar a vida de seus cidadãos, e, após ser informada dos novos pedidos dos mujahedins (combatentes islâmicos), (Viena) é a principal responsável pelo destino desconhecido dos seqüestrados", diz a nota.
O comunicado também acusa o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da Áustria, Peter Launsky, de "mentir" e "enganar" a opinião pública a respeito das condições impostas pela rede terrorista.
Seqüestro
Os dois reféns austríacos, Wolfgang Ebner, 51, assessor fiscal, e Andrea Kloiber, 43, enfermeira, foram seqüestrados em 22 de fevereiro pelas Brigadas Tareq Ibn Ziyad, ligadas à AQMI, quando viajavam pelo deserto tunisiano.
Inicialmente, os seqüestradores exigiram a libertação de alguns presos em penitenciárias argelinas e tunisianas. Segundo alguns meios de comunicação, eles também teriam pedido o pagamento de 5 milhões de euros.
"Os mujahedins abandonaram as exigências consideradas impossíveis de serem cumpridas pela Áustria e pediram (antes do fim do último prazo) a libertação de um irmão muçulmano e de sua esposa, submetidos a torturas injustas no Guantánamo da Áustria, e que (Viena) retire seus quatro militares no Afeganistão", acrescenta a nota.
"Qualquer pessoa sensata pode compreender que estes novos pedidos são realistas e podem ser cumpridos pela Áustria, mas o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, Peter Launsky, só aceita mentir em uma declaração a um jornal argelino, alegando que os mujahedins insistem em suas primeiras exigências e que as aumentaram com outras", acrescenta.
O comunicado da AQMI declara que "os dois muçulmanos" detidos na Áustria não pertencem a nenhuma organização violenta e que a libertação deles é solicitada apenas pelo fato de serem muçulmanos.
O grupo pede ainda que os islâmicos na Áustria não se limitem a pedir a libertação dos dois reféns austríacos, mas que pressionem Viena para que atenda às exigências dos mujahedines.
A AQMI também afirma que "é flexível com a Áustria nas negociações porque o país não demonstra grande inimizade pelo Islã e pelos muçulmanos", e que, "se os seqüestrados fossem de outra nacionalidade, teriam tido outro tratamento".
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