Milhares vão às ruas do Haiti contra preços de alimentos; cinco morrem
da Folha Online
Milhares de manifestantes contra os altos preços dos alimentos foram às ruas da capital Porto Príncipe nesta segunda-feira, forçando o fechamento de comércios e escolas, enquanto os protestos se espalham pelo país.
Testemunhas afirmam que ao menos um pessoa foi morta por seguranças de um hotel durante um protesto na cidade de Les Cayes, onde ao menos quatro pessoas morreram na semana passada em levantes contra o preço dos alimentos e em confrontos com as forças de paz da ONU.
| Kena Betancur/Efe |
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| Polícia reprime manifestantes haitianos em Les Cayes, ao sul de Porto Príncipe, onde quatro já morreram desde quinta-feira |
Milhares de pessoas caminharam em direção ao Palácio Nacional em Porto Príncipe. "Estamos famintos", gritavam alguns. Outros carregavam cartazes dizendo "Abaixo a vida cara".
Manifestantes lançaram cadeiras contra lojas e pediram a saída do presidente René Preval e das tropas da ONU, os culpando pelo alto preço do arroz. Alguns também reagiram contra jornalistas, lançando pedras contra carros da imprensa e derrubando fotógrafos no chão.
Um estudante universitário foi visto sangrando no chão, baleado na barriga. Um porta-voz da ONU pedia calma enquanto as forças de paz protegiam os prédios públicos.
"Pedimos à população que rejeite a armadilha da violência. Violência só fará o custo de vida piorar", afirmou Sophie Boutaud de la Combe.
Haitianos são muito afetados pela alta mundial de preços de alimentos. Cerca de 80% da população vive com menos de US$ 2 (cerca de R$ 3,4) por dia. O preço de alimentos como arroz, grãos, frutas e leite condensado tiveram um aumento de até 50% no ano passado, enquanto o preço do macarrão dobrou.
Muitos manifestantes pediam o retorno do ex-presidente exilado Jean-Bertrand Aristide --deposto em uma rebelião em 2004.
Com Associated Press
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