Mundo
09/04/2008 - 03h35

Justiça peruana condena quatro por massacre ocorrido em 1992

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da Efe, em Lima

A Justiça peruana condenou a 35 anos de prisão o ex-chefe do Serviço Nacional de Inteligência Julio Salazar Monroe e a 15 anos os ex-membros do grupo Colina Orlando Vera Navarrete, Fernando Lecca Esquén e José Alarcón González.

Os três participaram do massacre de La Cantuta, em 1992, quando os integrantes do Colina entraram na universidade e detiveram nove estudantes e um professor.

Investigações mostraram que os detidos foram executados e depois seus corpos foram carbonizados e enterrados nos arredores de Lima.

A histórica sentença complicou o futuro do ex-presidente peruano Alberto Fujimori, que também esta sendo processado por este caso.

A sentença ratificou ainda uma resolução da Corte Interamericana dos Direitos Humanos, que ordenou em 2006 que os envolvidos tinham de pagar "US$ 50 mil para cada pai, mãe, cônjuge e filho das vítimas e US$ 20 mil para cada irmão".

Governo Fujimori

O tribunal estabeleceu em sua sentença que não somente está comprovada a existência do grupo Colina, mas também que este funcionou "com consentimento dos altos chefes militares" do aparelho do Estado durante a gestão de Fujimori (1990-2000).

Fujimori, que foi extraditado do Chile em setembro, está sendo processado por supostamente ser o autor mediato dos crimes cometidos em 1991.

Fujimori disse na segunda-feira passada, durante uma das audiências de seu julgamento, que não foi consultado nem teve conhecimento das operações militares encobertas que culminaram no massacre.

A sentença emitida hoje precisou que o grupo Colina foi adscrito ao Serviço de Inteligência Nacional com a missão e o objetivo de eliminar supostos subversivos.

O massacre de La Cantuta ocorreu no dia 18 de julho de 1992, quando os integrantes do Colina entraram na universidade e detiveram nove estudantes e um professor.

Antes de conhecer os detalhes da sentença, o promotor José Peláez Bardales afirmou que ela "marcará um precedente" no processo de Fujimori por violações dos direitos humanos.

"Indubitavelmente esta sentença é muito importante, porque demonstrará, caso sejam condenados, a existência do grupo Colina. Ninguém vai poder discutir a existência deste destacamento", concluiu.

 

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