Haiti reduz preço do arroz; Parlamento aprova moção de censura
da France Presse, em Porto Príncipe
O Parlamento do Haiti aprovou neste sábado por unanimidade uma moção de censura contra o primeiro-ministro Jacques-Edouard Alexis, 61, em meio à crise pelos altos preços da gasolina e dos alimentos.
O Congresso tomou a decisão minutos depois do presidente Rene Preval anunciar a redução do preço do arroz, base da alimentação dos haitianos, tentando deter a onda de protestos populares que ameaçam a estabilidade do governo.
O presidente afirmou ainda que se o Congresso destituir o primeiro-ministro, ele respeitaria a Constituição: "Consultaria os dois presidentes do Parlamento para nomear um novo primeiro-ministro, porque não há nenhum partido majoritário no Parlamento".
Alexis assumiu o posto de primeiro-ministro em 2006, cargo que já havia ocupado no primeiro governo de Preval, entre 1999 e 2001.
Arroz
O presidente anunciou a redução de US$ 8 (R$ 13) no preço do pacote de 50 quilos de arroz, na presença de importadores de arroz.
O custo dos alimentos disparou nos últimos dias no Haiti, onde uma saca de 50 kg de arroz passou de US$ 35 (R$ 59) a US$ 70 (R$ 118). Além disso, o preço da gasolina, que também afeta os alimentos, registrou o terceiro aumento em menos de dois meses.
"É um esforço que o governo fez graças aos fundos de US$ 3 milhões (R$ 5 milhões) concedidos pela comunidade internacional", disse Preval na sede do governo.
Ele também reafirmou que o governo pretende incentivar a produção nacional para enfrentar a alta dos preços no mundo.
Durante uma semana, milhares de haitianos protestaram, em alguns casos violentamente, para denunciar a inflação. A situação colocou o governo em xeque e levou à votação da moção de censura ao primeiro-ministro.
Os protestos deixaram ao menos cinco mortos e 200 feridos, segundo um balanço extra-oficial.
Leia Mais
- Três corpos são achados no Haiti em dia de aparente calma
- Brasil doa US$ 200 mil para compra e distribuição de alimentos ao Haiti
- Manifestantes haitianos aguardam renúncia de primeiro-ministro
- Livro joga luz sobre os "alimentos do futuro"
Especial
