Mundo
14/04/2008 - 09h11

Hillary e Obama discutem Deus e aborto em fórum religioso

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da Associated Press, na Pensilvânia
da Folha Online

Os pré-candidatos democratas à Casa Branca, Hillary Clinton e Barack Obama, discutiram temas relacionados a suas crenças religiosas e como elas influenciam suas propostas políticas em um fórum religioso acompanhado de perto por milhares de eleitores, neste domingo.

Tanto Hillary quanto Obama responderam a questões sobre fé e religião tanto na sua vida particular quanto no seu discurso político e em um possível mandato presidencial.

O Fórum da Fé na Vida Pública no Messiah College, perto de Harrisburg, Pensilvânia, foi transmitido pela TV norte-americana e atraiu a atenção dos eleitores do Estado a apenas oito dias das primárias democratas locais, em 22 de abril.

No evento, os pré-candidatos responderam a questões sobre a presença de Deus em suas vidas e quão freqüentemente eles lêem a Bíblia, além de temas polêmicos como aborto, abstinência e os direitos humanos dentro do contexto da religião.

Mike Theiler/Efe
A nove dias das primárias da Pensilvânia, os pré-candidatos Hillary Clinton e Barack Obama discutem Deus e aborto em fórum religioso
A nove dias das primárias da Pensilvânia, os pré-candidatos Hillary Clinton e Barack Obama discutem Deus e aborto em fórum religioso

Hillary foi questionada sobre se a vida começa na concepção --alegação muito defendida pelos críticos do aborto como prova de que qualquer interrupção na gravidez é determinar o fim de uma vida.

"Eu acredito que o potencial da vida começa na concepção. Para mim, também não é somente sobre uma vida em potencial. É sobre as outras vidas envolvidas... Eu concluí, depois de uma grande preocupação e busca em minha própria consciência e coração ao longo de muitos anos, que indivíduos precisam ser responsabilizados por tomar esta profunda decisão", afirmou Hillary.

Para a senadora, deixar a decisão sobre o aborto para o governo seria uma "intrusão" insustentável no "tipo de sociedade aberta" pregada nos Estados Unidos.

Hillary acrescentou ainda que o aborto deveria continuar sendo legalizado e seguro, mas disse que também deveria continuar "raro".

A mesma pergunta foi feita a Obama, que entrou no fórum após a saída de Hillary. Também cauteloso, o senador disse que não sabia a resposta. "Isso é algo sobre o qual eu acho que não cheguei a uma resolução firme. Eu acho que é muito difícil saber o que isso significa, quando a vida começa. É quando as células se separam? É quando a alma surge?", esquivou-se.

"O que eu sei, como disse antes, é que há algo extraordinariamente poderoso sobre a vida em potencial e isso tem um peso moral que nós temos de considerar quando debatemos o assunto", completou Obama.

Descoberta da religião

Hillary diz-se metodista. No fórum, ela afirmou que sentiu o presente de Deus em sua vida e que ela toma decisões sobre temas morais difíceis como o aborto ou o tratamento a supostos terroristas depois rezar, contemplar e estudar.

"Eu não pretendo nem acreditar que eu saiba as respostas para muitas destas questões. Eu não sei", afirmou Hillary.

Uma das questões mais difíceis enfrentadas pela senadora foi por que Deus permite que pessoas inocentes sofram. Hillary disse que isto foi tema de muito debate por gerações e acrescentou: "Eu não sei. Mal posso esperar para perguntar a ele".

Hillary também teve de responder se acreditava que Deus queria que ela fosse presidente dos Estados Unidos. Cautelosa, ela preferiu dizer que não presume nada em relação a Deus e que acredita que Abraham Lincoln (presidente dos Estados Unidos entre 1861 e 1865, defendeu a unidade do país em plena Guerra da Secessão entre o norte e sul) fez bem em não agir como se Deus estivesse do seu lado.

"Eu poderia responder de forma persuasiva, mas desonesta e dizer, bem, nós vamos descobrir. Na verdade, nossa missão deveria estar no lado de Deus", respondeu a senadora.

Obama, membro da Igreja Batista da Trindade Unida em Chicago, enfrentou mais uma vez a polêmica dos comentários controversos de seu ex-pastor Jeremiah Wright, autor de sermões nos quais criticava os Estados Unidos.

Assim como fez em seu discurso sobre a questão racial, Obama afirmou que as palavras do pastor não condizem com sua campanha presidencial e reiterou a sua condenação aos comentários de Wright.

Contudo, Obama manteve-se fiel defensor da sua igreja: "Pastores são imperfeitos. Certamente, os membros [da igreja] são imperfeitos. Eu, como alguém que está sentado no banco como um pecador, sou imperfeito. E, você sabe, isso não denigre o que a igreja deveria ser, que é um meio de louvar Deus e proclamar as boas notícias".

Republicano

O provável candidato republicano John McCain recusou o convite para ir ao fórum. Mais cauteloso em afirmar questões de religião em sua campanha, sua ausência foi motivo de estranhamento entre os eleitores republicanos.

Nas eleições presidenciais de 2004, os protestantes evangélicos --religião de um a cada quatro norte-americanos adultos-- representaram um grande grupo de apoio ao atual presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, também republicano.

Mesmo assim, McCain conta com apoio entre o grupo. O ativista evangélico David Gushee, professor de teologia na Universidade Mercer, em Atlanta, elogia o senador porque ele tem combinado uma firme oposição ao aborto com apreensão para as alterações climáticas e a condenação da tortura.

"Isso é o que é tão fascinante sobre a sua ausência. Ele é o único que aparentemente está menos confortável falando sobre questões de fé e de como a sua fé poderia influenciar na percepção de sua figura pública e isso [fórum] daria a chance de fazê-lo" disse Gushee.

Comentários dos leitores
honório Tonial (2) 16/05/2009 21h47
honório Tonial (2) 16/05/2009 21h47
Considero ecelente vosso noticiario. Obrigado, aos 83 anos de mnha vida, 1 opinião
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Marcello Sokal (59) 07/02/2009 12h01
Marcello Sokal (59) 07/02/2009 12h01
Óbvio que não poderiam aceitar,pois não teriam respostas claras para as legítimas questões do presidente iraniano,esse sim um verdadeiro estadista que sabe da verdade dos fatos e não tem receio de buscar responsabilizar os culpados. A política imperialista norte-americana é velha conhecida mas pessoas convenientemente "esquecem" disso - não respeitam a soberania das nações e se arvoram em ser os "defensores da liberdade" - é o país que mais se envolveu em guerras,revoluções,invasões e intervenções da história da humanidade.A única nação que já bombardeou outro país (na verdade cidades,repletas de civis inocentes) utilizando armas nucleares. O apoio norte-americano a Israel é uma vergonha, apoiando todo tipo de atrocidade possível,dando carta branca e fornecendo armas de alta tecnologia.
Em resumo: o grande vilão nisso tudo não é o Irã....mas tem tolo que prefere não ver influenciado pelo mentiroso american-way-of-life,lamentável.
11 opiniões
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Denis Rossanez (5) 03/02/2009 13h35
Denis Rossanez (5) 03/02/2009 13h35
Como diz Alex Lima.
Com certeza o Bresil esta carente de homens como Barack Obama na política e parar de se importar com sua opnião, mas da população em geral e aplicar medidas realmente eficazes para melhorar o país.
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