Mundo
14/04/2008 - 11h24

Pré-candidatos à Casa Branca encontram "trégua" no humor

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da France Presse, em Washington

Longe dos seus adversários de campanha ou das inquisições dos jornalistas, os pré-candidatos à Presidência dos Estados Unidos encontram uma trégua nos programas de humor da televisão norte-americana.

Através de piadas e brincadeiras sobre suas próprias figuras políticas eles saem de situações difíceis com uma boa risada e uma postura mais relaxada que pode atrair apelo entre os eleitores.

No programa humorístico de Jay Leno, líder de audiência na faixa horária das 23h30, a democrata Hillary Clinton chegou já abordando uma de suas mais recentes polêmicas. "Tinha medo de chegar tarde, mas detiveram os disparos dos franco-atiradores de elite no aeroporto", brincou, em referência ao episódio de sua lembrança "equivocada" sobre a chegada à Bósnia, em 1996.

Vinda de onze derrotas consecutivas em fevereiro, Hillary visitou o renomado Saturday Night Live, da rede de televisão NBC: "A campanha vai bem, muito bem. Por quê? O que você ouviu?", disse a senadora em uma cena conjunta com a atriz que faz sua imitação.

O provável candidato republicano John McCain, que soube utilizar o humor sarcástico em sua campanha, parece ter encontrado sua segunda casa no programa de entrevistas e humor de David Letterman, na rede de TV CBS.

Foi neste programa que McCain anunciou sua candidatura, em fevereiro de 2007. No dia, McCain afirmou, em tom de brincadeira, que todos já poderiam cantar para ele o hino "Saudações ao chefe", reservado para o presidente.

Na televisão a cabo, McCain é também um freqüente convidado do "Comedy Central", do humorista Jon Stewart, conhecido por sua antipatia em relação aos conservadores.

Já o outro pré-candidato democrata Barack Obama, que também visitou Jon Stewart no ano passado, elogiou o humorista muitas vezes: "Jon consegue perfurar muitas das bobagens da campanha eleitoral", explicou em entrevista a CBS.

Estatísticas

Tantas participações em programas de humor indicam que os pré-candidatos sabem a importância de conquistar este público que, como defende Obama, "é diferente daquele que segue os debates e os jornais".

Em 2004, o instituto de pesquisa Pew Research Center revelou que 8% dos norte-americanos seguiam as notícias diárias através de programas de humor. Entre os entrevistados com menos de 30 anos, o número subia para 21%.

Uma pesquisa similar publicada em janeiro revelou que 8% dos norte-americanos seguem os acontecimentos da campanha presidencial através dos programas de entrevistas humorísticos.

E a política é um dos temas mais férteis para o humor. Segundo o Centro de Mídia e Assuntos Públicos, CMPA na sigla em inglês, de 1º de janeiro a 15 de março, Hillary foi tema de 174 brincadeiras, McCain de 140 e Obama de 103.

Para Don Riek, diretor-executivo da CMPA, mesmo sendo a candidata mais ridicularizada, Hillary Clinton sabe que é a favorita para ganhar os eleitores fãs dos programas de humor.

"Os políticos sabem que [nestas aparições] eles podem controlar a mensagem, que é uma ferramenta para contornar os meios tradicionais", afirma Riek.

Falso humor

Contudo, como a imensa maioria dos políticos contrata profissionais para escreverem suas brincadeiras, o humor mostrado para a televisão nem sempre oferece o verdadeiro perfil e personalidade dos candidatos.

Isso preocupa Paul Lewis, autor do livro "Cracking up: American humor in times of conflict" (Fazendo rir: o humor americano em tempos de conflito). "Quando os responsáveis políticos participam destas transmissões para burlar os seus próprios fracassos, não é necessariamente uma coisa boa", afirma.

"Quando Hillary brincou sobre a história dos franco-atiradores na Bósnia, o que ela mostrou? Que estava disposta a mentir sobre seu próprio passado para se eleger e se as pessoas acham isso curioso, então você pode acabar com um presidente que não dirá a verdade quando a pedirem", avalia.

Comentários dos leitores
Luciano Edler Suzart (34) 09/10/2009 10h20
Luciano Edler Suzart (34) 09/10/2009 10h20
A situação é periclitante, se antigamente se concedia o Nobel da Paz a quem de algum modo, plantava a paz no mundo, hoje (dada a escassez de boa fé geral) se concede o prémio a quem não faz a guerra... Como diria o sábio Maluf: "Antes de entrar queria fazer o bem, depois que entei, o máximo que conseguí foi evitar o mal"
Só assim pra se justificar esse Nobel a Obama, ou podemos ver como um estímulo preventivo a que não use da força bélica que lhe está disponível contra novos "Afeganistões" do mundo.
sem opinião
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honório Tonial (2) 16/05/2009 21h47
honório Tonial (2) 16/05/2009 21h47
Considero ecelente vosso noticiario. Obrigado, aos 83 anos de mnha vida, 5 opiniões
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Marcello Sokal (73) 07/02/2009 12h01
Marcello Sokal (73) 07/02/2009 12h01
Óbvio que não poderiam aceitar,pois não teriam respostas claras para as legítimas questões do presidente iraniano,esse sim um verdadeiro estadista que sabe da verdade dos fatos e não tem receio de buscar responsabilizar os culpados. A política imperialista norte-americana é velha conhecida mas pessoas convenientemente "esquecem" disso - não respeitam a soberania das nações e se arvoram em ser os "defensores da liberdade" - é o país que mais se envolveu em guerras,revoluções,invasões e intervenções da história da humanidade.A única nação que já bombardeou outro país (na verdade cidades,repletas de civis inocentes) utilizando armas nucleares. O apoio norte-americano a Israel é uma vergonha, apoiando todo tipo de atrocidade possível,dando carta branca e fornecendo armas de alta tecnologia.
Em resumo: o grande vilão nisso tudo não é o Irã....mas tem tolo que prefere não ver influenciado pelo mentiroso american-way-of-life,lamentável.
13 opiniões
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