Mundo
16/04/2008 - 10h00

Primeiro-ministro se diz confiante em derrotar a Al Qaeda no Iraque

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da Folha Online
da Efe, em Bruxelas

O primeiro-ministro iraquiano, Nuri al Maliki, expressou nesta quarta-feira confiança que seu governo vai derrotar a Al Qaeda [rede terrorista liderada por Osama Bin Laden] no Iraque e que os confrontos contra os integrantes da milícia ajudarão a alcançar a estabilidade política.

Falando um dia após cerca de 60 pessoas terem morrido em ataques atribuídos à Al Qaeda no Iraque, o primeiro-ministro disse que os líderes iraquianos estão "determinados em alcançar a vitória contra o terrorismo".

Arte Folha Online
mapa iraque

"Nós estamos hoje mais confiantes do que jamais estivemos que estamos perto do ponto em que podemos declarar vitória contra a Al Qaeda... e seus aliados", disse ao Parlamento Europeu.

Nesta terça-feira (15), explosões atribuídas à Al Qaeda atingiram áreas comerciais em Bagdá e fora da capital, matando aproximadamente 60 pessoas. A onda de violência vai contra as afirmações dos EUA de que a insurgência sunita está diminuindo e sendo reposta pela violência das milícias xiitas como principal ameaça.

No mês passado, Al Maliki lançou uma ofensiva contra as milícias xiitas em Basra (sul), provocando uma outra onda de violência que se espalhou pelo país e terminou com a morte de aproximadamente 400 pessoas.

Guerra civil

Al Maliki afirmou também ao Parlamento Europeu que o risco de uma guerra civil no Iraque foi superado. "Agora não há mais iraquianos que queiram uma guerra civil, ou com uma agenda terrorista, violenta ou para atuar como milícias", disse Maliki,

"Ao impedir a guerra civil, espantamos o fantasma de um Iraque dividido em três partes", afirmou o dirigente iraquiano, acrescentando que a violência procede agora apenas de terroristas da Al Qaeda, sem apoio entre a população local.

"Durante um tempo, pensávamos que não poderíamos vencer os terroristas, que o Iraque se dirigia para uma guerra civil. Hoje estamos mais próximo do que nunca de vencer a Al Qaeda", disse o primeiro-ministro, em seu comparecimento diante da Comissão de Assuntos Exteriores do Parlamento Europeu.

Apesar de seu otimismo em relação à situação interna, Al Maliki advertiu que uma retirada abrupta das tropas dos EUA do Iraque levaria ao "caos", apesar de ter se mostrado certo de que, quando isso acontecer, a saída será "estruturada e programada".

Melhora

Al Maliki atribuiu a melhora na situação interna à "bem-sucedida" estratégia de reconciliação nacional dirigida por seu governo, e às novas leis que permitem reintegrar socialmente os membros do antigo partido único Baath e os integrantes de milícias que estiveram combatendo nos últimos anos.

"As milícias devem se dissolver, porque não temos mais do que um Exército, o do Iraque", ressaltou o primeiro-ministro, que se referiu à recente intervenção conjunta das tropas iraquianas e americanas contra as milícias xiitas de Moqtada al Sadr em Basra, como uma operação para "derrotar o terrorismo".

Sobre este ponto, deu por certo que o Exército paralelo do clérigo xiita se dissolverá, devido à influência da nova legislação eleitoral, que obriga os que querem ter acesso às instituições a prescindir deste tipo de milícia. "Integraremos os integrantes de milícias em nossos serviços de segurança e no Exército, para oferecer-lhes uma forma de vida", disse.

Quanto às relações com o Irã, limitou-se a dizer que Bagdá busca manter "uma boa relação com todos os países vizinhos (...), baseada no respeito e na não-interferência em assuntos internos".

Relações

Al Maliki deve se reunir nesta quarta-feira com o presidente da Comissão Européia, José Manuel Durão Barroso, e com o alto representante para Política Externa e Segurança Comum da União Européia, Javier Solana.

O primeiro-ministro defendeu estabelecer uma "relação política" entre seu país e a UE, que permita futuras "alianças estratégicas" sobre o gás e o petróleo iraquianos.

No entanto, antes de comparecer à Comissão de Exteriores do Parlamento Europeu, disse aos jornalistas que a visita de hoje não é para "assinar convênios", mas para promover o diálogo político entre as duas partes.

 

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