Mundo
17/04/2008 - 08h37

Obama lembra aos eleitores as polêmicas do casal Clinton

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da Associated Press
da Folha Online

O pré-candidato democrata à Casa Branca Barack Obama aproveitou o debate desta quarta-feira à noite para lembrar aos eleitores norte-americanos das polêmicas em torno da sua rival, Hillary Clinton, e de seu marido, o ex-presidente dos Estados Unidos, Bill Clinton.

Durante as duas horas de debate, Obama lembrou dos anos de Hillary como primeira-dama e rebateu boa parte das críticas da senadora com maus momentos de sua carreira política.

Crítico, mas cauteloso, ele usou termos contidos para lembrar de uma história de 1992 quando Hillary afirmou de maneira pejorativa que poderia ter desistido de sua carreira política e "ficado em casa, assado biscoitos e tomado chá". Na época, muitos classificaram Hillary como uma ultra-feminista.

"Ela passou por isso. Eu lembro que, em 1992, quando ela fez aquele comentário dos biscoitos [...], as pessoas atacaram-na por ser elitista e isso e aquilo. E eu lembro de ver na televisão e pensar "Bem, isso não é quem ela é. Isso não é no que ela acredita. Isso não é o que ela quis dizer"", disparou Obama em uma referência direta às recentes críticas de Hillary dizendo que Obama é elitista.

Matt Rourke/AP
Os pré-candidatos Hillary Clinton e Barack Obama durante debate na Filadélfia
Os pré-candidatos Hillary Clinton e Barack Obama durante tenso debate na Filadélfia

"E eu acho que a senadora Clinton aprendeu a lição errada disso porque ela está adotando a mesma tática", concluiu Obama.

O senador continuou seu discurso lembrando que, nos últimos dias, Hillary adotou uma campanha de tom ofensivo e classificou-o com os mais diversos rótulos. "Durante os últimos dias, você sabe, ela disse que eu sou elitista, sem noção e condescendente", disparou.

No começo da semana, Obama já havia afirmado em um de seus discursos que não atacará diretamente Hillary, porque esta não é sua proposta de campanha. Questionou também se Hillary seria capaz de se controlar e manter o mesmo nível na disputa.

Assim, Obama aproveitou o debate para reforçar seu argumento de que Hillary pratica uma política divisória e ofensiva. Uma indicação de que, se a prolongada disputa pela nomeação diminuir as chances do Partido Democrata nas eleições de novembro, será culpa de Hillary.

O argumento de Obama vem em um momento estratégico, quando uma pesquisa do Washington Post-ABC News mostrou a maior porcentagem de eleitores com uma visão negativa de Hillary desde o início de suas pesquisas, em 1992.

Obama está em uma campanha acirrada pelos trabalhadores brancos --grupo que tradicionalmente apóia a senadora-- da Pensilvânia, que realizará suas primárias na próxima terça-feira.

Para tentar reverter a estratégia de Obama, Hillary criticou duramente o senador por seu comentário equivocado sobre eleitores de pequenas cidades do Estado que se apegam às armas e à religião porque são amargurados por problemas econômicos.

No debate, Obama rebateu as críticas: "Você pega o discurso de uma pessoa, se não está propriamente contextualizado, e você apenas bate nele até a morte. E é isso que a senadora Clinton está fazendo nos últimos quatro dias".

Réplica

Apesar dos sinais de que seu criticismo pode acabar atingindo-na --a pesquisa do "Post" mostra que Obama não perdeu eleitores depois da polêmica--, Hillary preferiu não rebater diretamente os comentários de Obama.

Contudo, tentou amenizar os ataques do rival respondendo com um tom calmo e freqüentemente com um sorriso. Ela disse que seus comentários "amargos" do fim de semana demonstraram a falta de entendimento da religião na vida das pessoas.

Disse também que ele tem outras fraquezas que poderiam prejudicá-lo na eleição geral, como sua relação controversa com o pastor Jeremiah Wright e com o ativista político dos anos 60, William Ayers.

"Eu tenho estado nesta arena por muito tempo. Eu tenho muita bagagem e todo mundo vasculhou por isso [os anos de Hillary na política] através dos anos. E assim, eu tenho a oportunidade de vir a esta campanha com uma convicção muito forte e sentindo que eu serei capaz de suportar o que quer que os republicanos mandem em minha direção", defendeu-se Hillary.

Hillary disse que está preocupada com a associação de Obama com Ayers que, como ela lembrou, disse em uma entrevista, publicada no dia dos ataques terroristas de 11 de setembro de 2001, que não se arrependia de bombardear prédios do governo.

Obama respondeu rapidamente lembrando que Bill Clinton perdoou um membro do Weather Underground, grupo ativista do qual Ayers fazia parte, e aliviou a sentença de outro.

"Olhe, não há dúvidas de que os republicanos atacarão qualquer um de nós. O que eu estou sendo capaz de mostar durante esta etapa de primárias é que eu posso agüentar o ataque. Eu agüentei alguns bons da senadora Clinton", justificou Obama.

Primárias

O debate desta quarta-feira antecipou a disputa dos democratas nas primárias da Pensilvânia, que coloca em jogo 158 delegados. De acordo com as últimas pesquisas de opinião, Hillary mantém a vantagem no Estado, mas diminui a margem em relação a Obama nas últimas semanas.

Com outras dez prévias pela frente, Obama tem uma liderança praticamente inalcançável em número de delegados. Mas nenhum dos dois pré-candidatos deve conseguir o número necessário de delegados para garantir a nomeação, deixando a decisão nas mãos dos superdelegados.

Segundo a rede de televisão norte-americana CNN, Obama lidera a corrida com 1644 delegados, contra 1.498 de Hillary. Para garantir a nomeação democrata, um dos dois pré-candidatos precisa obter 2.025.

Comentários dos leitores
Luciano Edler Suzart (34) 09/10/2009 10h20
Luciano Edler Suzart (34) 09/10/2009 10h20
A situação é periclitante, se antigamente se concedia o Nobel da Paz a quem de algum modo, plantava a paz no mundo, hoje (dada a escassez de boa fé geral) se concede o prémio a quem não faz a guerra... Como diria o sábio Maluf: "Antes de entrar queria fazer o bem, depois que entei, o máximo que conseguí foi evitar o mal"
Só assim pra se justificar esse Nobel a Obama, ou podemos ver como um estímulo preventivo a que não use da força bélica que lhe está disponível contra novos "Afeganistões" do mundo.
sem opinião
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honório Tonial (2) 16/05/2009 21h47
honório Tonial (2) 16/05/2009 21h47
Considero ecelente vosso noticiario. Obrigado, aos 83 anos de mnha vida, 5 opiniões
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Marcello Sokal (73) 07/02/2009 12h01
Marcello Sokal (73) 07/02/2009 12h01
Óbvio que não poderiam aceitar,pois não teriam respostas claras para as legítimas questões do presidente iraniano,esse sim um verdadeiro estadista que sabe da verdade dos fatos e não tem receio de buscar responsabilizar os culpados. A política imperialista norte-americana é velha conhecida mas pessoas convenientemente "esquecem" disso - não respeitam a soberania das nações e se arvoram em ser os "defensores da liberdade" - é o país que mais se envolveu em guerras,revoluções,invasões e intervenções da história da humanidade.A única nação que já bombardeou outro país (na verdade cidades,repletas de civis inocentes) utilizando armas nucleares. O apoio norte-americano a Israel é uma vergonha, apoiando todo tipo de atrocidade possível,dando carta branca e fornecendo armas de alta tecnologia.
Em resumo: o grande vilão nisso tudo não é o Irã....mas tem tolo que prefere não ver influenciado pelo mentiroso american-way-of-life,lamentável.
13 opiniões
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