Cerca de 300 mil soldados dos EUA sofrem de seqüelas mentais
da Associated Press, em Washington
Cerca de 300 mil soldados americanos estão sofrendo de seqüelas mentais e depressão profunda por servirem nas guerras do Iraque e Afeganistão, e 320 mil tiveram danos cerebrais, segundo estimativas de estudo recente da Rand Corporation, organização especializada em pesquisas militares.
Apenas a metade deles recebeu tratamento, aponta o estudo divulgado nesta terça-feira pelo instituto. "Os homens e mulheres que serviram nossa nação estão enfrentando sérios problemas de saúde", disse Terri Tanielian, pesquisador da Rand.
| Erik de Castro/Reuters |
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| Soldados americanos no Iraque se abraçam após participarem de homenagem a companheiros mortos recentemente |
"Ao menos que recebam tratamento apropriado e efetivo para os danos que estão sofrendo, haverá conseqüências de longo prazo para eles e para a nação", acrescentou Terri em entrevista à Associated Press.
O estudo de 500 páginas é o primeiro feito em larga escala e inclui uma pesquisa com 1.965 soldados de várias regiões do país e de todas as divisões das forças armadas, incluindo militares ainda em atividade e veteranos aposentados.
Os resultados são compatíveis com os números de relatórios sobre problemas mentais do governo, apesar de o Departamento de Defesa dos EUA não ter divulgado o número de soldados diagnosticados e em tratamento por problemas mentais.
Perturbações mentais
O Departamento de veteranos afirmou este mês que seus registros mostram que entre os militares que serviram nas duas guerras --Iraque e Afeganistão-- em torno de 120 mil foram diagnosticados com problemas de saúde mental. Destes, aproximadamente 60 mil sofrem de PTSD ---sigla em inglês para distúrbio de estresse pós-traumático.
O mais importante e detalhado estudo militar oficial sobre saúde mental foi publicado em uma pesquisa do Exército feita com os soldados no fronte de guerra.
Oficiais afirmaram em março que segundo este estudo, 18,2% dos soldados sofriam de problemas de saúde mental como depressão, ansiedade ou estresse crônico em 2007, enquanto que em 2006 20,5% dos soldados sofriam dos mesmos males.
O estudo da Rand, concluído em janeiro, estima que 18,5% dos 300 mil soldados aposentados e em atividade sofrem de PTSD e depressão crônica.
Conclusões
A pesquisa da Rand Corporation concluiu que cerca de 19% dos 320 mil soldados consultados afirmam que possivelmente estão sofrendo de danos cerebrais após voltarem da guerra. Em guerras em que são freqüentes os ataques a bomba, as disfunções vão de danos cerebrais a severas fraturas na cabeça.
Cerca de 7% relatam prováveis danos cerebrais e PTSD ou depressão profunda.
Apenas 43% dizem terem recebido tratamento médico para os danos cerebrais.
Apenas 53% dos soldados com PTSD ou depressão receberam algum auxílio no último ano.
O relatório é intitulado "Marcas invisíveis da guerra: danos cognitivos e psicológicos, suas conseqüências e os serviços de assistência para tratamento". Foi elaborado por 25 pesquisadores da Rand Health e da Divisão Nacional de Pesquisa em Segurança da Hand, que também trabalhou contratada pelo Pentágono, agências de defesa, e ainda governos e fundações estrangeiras aliadas.
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