Mundo
18/04/2008 - 14h11

Em discurso na ONU, papa pede soluções multilaterais para problemas do mundo

da Folha Online

Os países que agem unilateralmente no cenário mundial minimizam a autoridade das Nações Unidas e enfraquecem o amplo consenso necessário para enfrentar problemas globais. As afirmações foram feitas nesta sexta-feira pelo papa Bento 16, em discurso na Assembléia Geral da ONU (Organização das Nações Unidas).

Durante o discurso, o papa também disse que a comunidade internacional, às vezes, tem de intervir quando um país não pode proteger seu próprio povo das graves e contínuas violações aos direitos humanos.

Craig Ruttle/AP
Papa Bento 16 e o secretário-geral das Nações Unidas, Ban Ki-moon, na sede da ONU
Papa Bento 16 e o secretário-geral das Nações Unidas, Ban Ki-moon, na sede da ONU

O papa, que chegou hoje a Washington para a segunda parte de sua viagem de seis dias aos Estados Unidos, tornou-se o terceiro pontífice na história a discursar para a Assembléia Geral da ONU. Falando em francês e inglês, ele fez um abrangente discurso sobre assuntos como globalização, direitos humanos e desenvolvimento.

Ele disse que a noção de consenso multilateral estava "em crise porque ainda está subordinada a decisões de poucos, enquanto os problemas do mundo pedem por intervenções de maneira coletiva pela comunidade internacional".

Apesar de Bento 16 não mencionar nenhum país específico, a referência pode ter sido destinada aos Estados Unidos, que liderou a invasão do Iraque em 2003 apesar de o Conselho de Segurança da ONU desaprovar a decisão.

"As questões de segurança, os objetivos de desenvolvimento, as reduções das desigualdades, locais e globais, dos recursos e do clima, requerem que todos os responsáveis internacionais atuem conjuntamente", acrescentou o papa.

Em uma suposta referência ao conflito sudanês da região de Darfur, o papa disse que todo Estado tem "responsabilidade primária" para proteger seus cidadãos das violações dos direitos humanos e crises humanitárias, mas intervenções de fora, às vezes, são justificadas.

"Se os Estados são incapazes de garantir tal proteção, a comunidade internacional deve intervir com os meios jurídicos determinados pela Carta das Nações Unidas e outras instrumentos internacionais", disse.

Recepção

O papa Bento 16 chegou às 9h45 hora local (10h45 de Brasília) ao aeroporto internacional John F. Kennedy de Nova York, cidade onde ficará por três dias, e se dirigiu à sede da ONU.

Ele foi recebido pelo governador de Nova York, David Patterson, e o prefeito da cidade, Michael Bloomberg, assim como pelo arcebispo local, o cardeal Edward Egan, e o núncio observador nas Nações Unidas, Celestino Migliore, além de outras autoridades civis e religiosas.

Haraz N. Ghanbari/AP
O papa Bento 16 acena da base aérea Andrews antes de embarcar para Nova York
O papa Bento 16 acena da base aérea Andrews antes de embarcar para Nova York

Do aeroporto nova-iorquino o pontífice foi levado de helicóptero até o heliporto de Wall Street, no sul de Manhattan, e dali, em uma caravana oficial de automóveis até a sede da ONU.

Na cidade, onde as autoridades adotaram várias medidas de segurança, o papa terá vários compromissos, começando pela visita à ONU, onde se reuniu com seu secretário-geral, Ban Ki-moon.

Após a visita à ONU, Bento 16 participará à tarde de um ato ecumênico na paróquia de St. Joseph, no centro de Manhattan, no bairro de York, e fundada em 1873 com contribuições de imigrantes alemães.

Antes de ir a St. Joseph e fora da agenda oficial, o pontífice visitará esta tarde a sinagoga de Park East, cujo rabino é um sobrevivente do Holocausto.

Agenda

Amanhã, ele vai celebrar uma missa para 3.000 clérigos e religiosos na catedral de St. Patrick, o maior templo gótico dos Estados Unidos, enquanto do lado de fora 5.000 fiéis poderão ouvir e ver a celebração religiosa em telões gigantes.

No mesmo dia, o papa se reunirá no seminário de St. Joseph, em Yonkers, com um grupo de 50 jovens e crianças portadores de necessidades especiais, e no domingo visitará o marco zero [área onde ficavam as torres do World Trade Center destruídas nos atentados de 11 de setembro de 2001].

Depois vai celebrar uma missa no estádio dos Yankees, no bairro do Bronx, de maioria latina, e que contará com a presença de 57 mil católicos, e mais tarde voltará para Roma.

Segurança

As autoridades de Nova York blindaram a cidade para receber o pontífice, com um nível de segurança igual ao aplicado em setembro para a realização da Assembléia Geral da ONU, à qual compareceram chefes de Estado ou de governo e ministros de Exteriores de mais de cem países.

Os bombeiros e as forças policiais tiveram uma inesperada oportunidade para testar seus dispositivos com o incêndio de um táxi que circulava em frente à catedral de St. Patrick na noite desta quinta-feira.

O táxi em chamas foi imediatamente desocupado e isolado. A polícia disse hoje que teve um problema mecânico e não houve feridos.

O chefe da polícia de Nova York, Raymond Kelly, anunciou que a estadia do papa na cidade será vigiada por helicópteros, além de barcos patrulheiros no rio East, e com todos os dispositivos policiais nas ruas da cidade.

Também foram posicionados franco-atiradores nos telhados dos edifícios mais próximos aos locais a serem visitados pelo pontífice.

A eles se somaram agentes do FBI (polícia federal), além do serviço secreto, encarregado da proteção de líderes estrangeiros que chegam aos Estados Unidos, e a própria segurança do Vaticano.

Com Reuters e France Presse

 

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