Mundo
18/04/2008 - 17h56

Mugabe diz que Reino Unido quer instalar governo tirano no Zimbábue

da Efe, em Johanesburgo

O ditador do Zimbábue, Robert Mugabe, acusou nesta sexta-feira o Reino Unido de estar por trás do grupo de opositores que quer tirá-lo do poder e afirmou que não permitirá que seu país "seja de novo uma colônia".

"Estamos sendo comprados como cordeiros, pois estamos sofrendo", afirmou o ditador do Zimbábue em ato que liderou em um estádio do bairro de Highfield, aos arredores de Harare, para lembrar o 28º aniversário da independência do país.

Segundo a agência ZimOnline e outros veículos de comunicação sul-africanos, em seu discurso Mugabe disse que o Reino Unido está tentando instalar no Zimbábue um "governo tirano" que responda aos interesses do "colonialismo".

"O Zimbábue nunca voltará a ser uma colônia", declarou o chefe de Estado, que está no poder desde a independência do país, em 1980.

O ato, presenciado por cerca de 20 mil pessoas, foi o principal de uma série de comemorações que ocorreram nesta sexta em todo o país, segundo a ZimOnline.

Mas o veterano chefe de Estado, de 84 anos, considerado um herói regional por seu papel na luta contra o colonialismo, não fez qualquer menção às eleições gerais de 29 de março, cujos resultados ainda não foram divulgados.

A Comissão Eleitoral, cujos membros são nomeados por Mugabe, só anunciou o resultado do pleito parlamentar, que ocorreu simultaneamente.

O opositor Movimento para a Mudança Democrática (MDC, em inglês) afirma que seu candidato presidencial, Morgan Tsvangirai, venceu as eleições presidenciais de 29 de março, com 50,3% dos votos.

O mesmo partido concedeu a Mugabe 43,8% dos sufrágios. Os dados, segundo o MDC, constavam das atas de votação colocadas nos arredores dos centros após a apuração em cada colégio eleitoral ser encerrada.

Crise

As críticas do ditador ao Reino Unido se dirigem à nação que mais abertamente criticou as violações aos direitos humanos e políticos do regime de Mugabe, e, segundo ele, os britânicos "são ladrões que querem roubar" seu país.

O Zimbábue comemora sua independência em meio à pior crise econômica de sua história, com uma inflação de 165.000% e um desemprego de 80%.

Mugabe mencionou superficialmente os problemas, e disse que o governo "está tentando aliviar o sofrimento do povo". "Sabemos que o maior problema são os preços", acrescentou.

Não é a primeira vez que Mugabe acusa países ocidentais de apoiar a oposição zimbabuana.

O jornal governamental "The Herald" publicou na quinta-feira uma suposta correspondência nesse sentido entre Tsvangirai e o primeiro-ministro do Reino Unido, Gordon Brown.

A embaixada britânica disse que a correspondência era falsa e o próprio jornal publicou nesta sexta o desmentido.

Mas, por causa dessas denúncias, Tsvangirai foi acusado de ser um traidor, uma acusação que já o levou à prisão há alguns anos e que foi retirada depois de um longo processo sem que a Justiça encontrasse provas suficientes para comprová-la.

"Provavelmente, vou quebrar o livro de recordes por ter sido acusado tantas vezes de traição", disse Tsvangirai na quinta-feira em entrevista coletiva concedida em Johanesburgo.

 

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