Após apelo, barco chinês com armas para Zimbábue segue para Angola
da France Presse, em Johanesburgo
Um barco chinês que transportava armas para o Zimbábue seguiu nesta terça-feira para o porto de Luanda, capital de Angola, informou o agente da companhia que freta o navio, em um momento em que líderes religiosos do país africano pediam ajuda internacional para evitar que a violência pós-eleitoral cause um "genocídio".
"Segundo documentos, o próximo porto é Angola. O navio atrai muita atenção. A informação é muito sensível", declarou Wang Kun Hui, representante da companhia marítima Cosren, em Durban (leste da África do Sul), onde foi tentado descarregar o armamento, sem sucesso.
Várias autoridades religiosas do Zimbábue pediram nesta terça-feira a intervenção da comunidade internacional. "Advertimos que se nada for feito para ajudar o povo do Zimbábue, em breve seremos testemunhas de um genocídio similar ao ocorrido no Quênia, em Ruanda, em Burundi e em outros países africanos e do mundo", disseram em um comunicado conjunto os líderes religiosos das diferentes confissões presentes no Zimbábue.
O texto pede à Comunidade de Desenvolvimento da África Austral (SADC), à União Africana (UA) e à ONU a adoção de todas as ações necessárias "para acabar com a deterioração da situação política e de segurança no Zimbábue".
Os Estados Unidos também pediram à China que volte atrás com o embarque de armas destinado ao Zimbábue e suspenda novas vendas de armamentos ao cada vez mais isolado regime africano, anunciou o Departamento de Estado.
Washington pediu ainda a Pequim que se abstenha de fazer novos embarques e, se possível, leve o atual de volta, afirmou o porta-voz do Departamento de Estado, Tom Casey, em referência ao navio carregado com armas com destino ao Zimbábue, atualmente em Angola.
Os EUA também solicitaram a outros vizinhos do Zimbábue, como a África do Sul, Moçambique e Namíbia, que não permitam ao navio, identificado como "An Yue Jiang", atracar ou desembarcar as armas.
"Não acreditamos que, nas atuais circunstâncias e com a presente crise política no Zimbábue, seja o momento de aumentar o número de armas entregues a este país", disse Casey.
A China defendeu nesta terça-feira o embarque de armas, argumentando que este "faz parte" do comércio bilateral habitual, mas deu a entender que as armas poderiam não ser entregues por causa dos problemas de desembarque do cargueiro.
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