Washington exige explicações da Síria sobre reator nuclear
da Folha Online
A Casa Branca disse nesta quinta-feira que a parceria secreta da Coréia do Norte com a Síria na construção de um reator nuclear foi "um evento perigoso e com potencial desestabilizador para o mundo", que levanta dúvidas sobre a intenção de Pyongyang em revelar suas atividades nucleares.
Sete meses após Israel bombardear o reator, a Casa Branca rompeu seu silêncio sobre o episódio e disse que a Coréia do Norte ajudou o programa nuclear sírio e que a instalação destruída não tinha "finalidades pacíficas".
Dois importantes membros da inteligência dos EUA que conversaram com jornalistas afirmaram que eles estavam bem confiantes de que a Coréia do Norte havia ajudado a Síria em seu programa nuclear. No entanto, as mesmas autoridades disseram não ter certeza de que o reator tinha como objetivo a construção de armas, em parte porque não havia instalações de reprocessamento no local, o que seria necessário para enriquecer o material nuclear usado em uma bomba.
As declarações da administração Bush podem minar as negociações de seis partes com o objetivo de resolver o impasse nuclear com a Coréia do Norte. A Casa Branca divulgou um comunicado de duas páginas após legisladores receberem detalhes sobre o reator em uma série de apresentações que envolveram a apresentação de um vídeo da inteligência dos EUA, que mostraria a ligação entre Damasco e Pyongyang
Diplomacia
A apresentação também incluiu fotos que mostravam fortes semelhanças entre características do reator sírio e de um na Coréia do Norte.
O senador democrata Joseph Biden, presidente da Comissão de Relações Exteriores do Senado, afirmou que as revelações deixam claro que qualquer acordo com a Coréia do Norte para eliminar seu programa nuclear também deve parar suas atividades de proliferação e incluir verificação vigorosa. Ainda assim, o senador afirmou que as informações apresentadas não são suficientes para interromper as conversas.
"Pelo contrário, ressalta a necessidade de continuar buscando as negociações, que continuam sendo nossa melhor chance para convencer a Coréia do Norte em abandonar sua busca por armas nucleares e a parar com a proliferação", afirmou Biden.
Ao mesmo tempo qem que classificou a assistência norte-coreana à Síria como "uma manifestação perigosa", a Casa Branca disse que continuava comprometida com as negociações.
Os EUA ficaram cientes de que a Coréia do Norte ajudava a Síria em um projeto nuclear em 2003, de acordo com autoridades de inteligência que falaram em condição de anonimato devido à delicadeza do tema.
A informação crítica que consolidou a conclusão, afirmaram, veio no ano passado, com dezenas de fotos tiradas da altura do solo durante um período de tempo, mostrando a construção por fora e por dentro.
Evidências
O ataque de Israel, em 6 de setembro de 2007, destruiu a estrutura, revelando mais uma evidência aos satélites espiões --as paredes de concreto reforçado eram semelhantes às do reator Yongbyon, na Coréia do Norte.
Após o ataque, a Síria construiu outro edifício no mesmo local. "Esse disfarce apenas serviu para reforçar nossa confiança de que o reator não tinha finalidades pacíficas", disse a porta-voz da Casa Branca Dana Perino. "O regime sírio deve esclarecer ao mundo suas atividades nucleares ilícitas."
O reator sírio estava a poucos meses ou semanas de começar a funcionar quando Israel o destruiu, disse uma autoridade dos EUA em condição de anonimato à agência Associated Press. A autoridade americana afirmou que a instalação estava praticamente pronta, mas ainda precisava de testes significativos antes de começar a funcionar.
Urânio, combustível de um reator, não estava evidente no local, uma área remota do oeste da Síria próxima ao rio Eufrates.
Negativa
Nesta quinta, a Síria afirmou "lamentar e denunciar a campanha de alegações falsas que a administração atual dos EUA promove contra a Síria".
A declaração síria diz que o país nega as acusações americanas, que têm como objetivo desorientar o Congresso e a opinião pública internacional "a fim de justificar o ataque israelense em setembro de 2007, que a atual administração dos EUA pode ter ajudado a executar".
Enquanto Washington condena as supostas atividades de proliferação da Coréia do Norte, o regime comunista expressa otimismo sobre as conversas com os EUA, China, Coréia do Sul, Rússia e Japão.
A Chancelaria norte-coreana declarou nesta quinta que havia discutido questões técnicas com os EUA no sentido de avançar na questão e em outros acordos. "As negociações seguem de forma sincera e construtiva, e progresso foi feito". afirmou o ministério em declaração.
Como parte do processo, a Coréia do Norte deve emitir uma "declaração", detalhando seus programas e atividades de proliferação, mas as conversas estão travadas com a recusa de Pyongyang em admitir publicamente a relação com a Síria.
Com Associated Press
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