Mundo
24/04/2008 - 22h19

Ex-presidente Kirchner faz duras críticas a produtores agropecuários

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da Efe, em Buenos Aires

O ex-presidente da Argentina Néstor Kirchner assumiu sua condição de virtual líder do Partido Justicialista (PJ, peronista) com um duro discurso contra produtores agropecuários.

O ex-governante, que no próximo dia 18 será proclamado dirigente máximo do PJ, pediu que responsáveis pelo setor "não cortem estradas, não queimem mais florestas nem desabasteçam" de alimentos o país.

Em um ato partidário na periferia de Buenos Aires, Kirchner posicionou-se diretamente sobre a queda-de-braço entre o governo e produtores agropecuários, que levou a maioria das cidades do país a registrar desabastecimento entre 13 de março e o último dia 2 devido a constantes greves e manifestações.

"Chega de tentar impor pela força idéias que do ponto de vista da rentabilidade favorecem a apenas um setor. Tudo bem que ganhem, mas que também sejam solidários com o resto dos argentinos", afirmou Kirchner.

O marido da atual presidente, Cristina Fernández, declarou ainda, em clara alusão ao setor agropecuário, que "querem vender tudo para o exterior, tirando proveito dos preços altos", e comentou que "pretendem que os argentinos não tenham em suas mesas o mínimo que se pode ter".

"Dói na alma que aqueles que têm lucro, que ganharam muito dinheiro, olhem os argentinos com as costas e com a nuca", completou Kirchner, que assegurou também que não ficará calado diante das coisas que têm acontecido em seu país.

O ex-presidente afirmou que permanecerá na "frente de batalha defendendo os direitos, os interesses e justiça para todos os argentinos".

"Vamos acabar com a hipocrisia. Eu não especulo. O que digo é que há alguns que não se interessam pelo que acontece com os argentinos", ressaltou, antes de pedir "reflexão" aos produtores agropecuários em suas negociações com o governo.

Após três semanas de locaute, patronais agropecuárias declararam no início de abril uma "trégua" com o governo, que terminará no próximo dia 2. As negociações avançam em passos muito lentos.

O estopim dos bloqueis e manifestações, que incluiu cortes de estradas em todo o país, foi o aumento dos impostos às exportações de soja e girassol.

 

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