China prevê encontro com representante do dalai-lama
da France Presse, em Pequim
da Efe, em Nova Déli
O governo da China concordou em encontrar um enviado do dalai-lama, líder exilado tibetano, para tratar sobre a questão do Tibete, informou nesta sexta-feira a agência de notícias estatal Xinhua. A decisão sucede semanas de pedidos feitos por líderes internacionais para que haja diálogo na resolução da crise que gerou uma onda de protestos por todo o mundo.
-- Assista a série completa de vídeos sobre o Tibete.
O porta-voz do líder tibetano Tenzin N. Taklha afirmou à agência de notícias Efe que o dalai-lama se encontra "disposto" e está à espera de uma confirmação oficial sobre a decisão chinesa. "Não há uma confirmação oficial, mas o dalai-lama fez muitos esforços para regular os problemas atuais. Está claro que a solução só pode chegar por meio de um diálogo frente a frente", disse Taklha.
| 19.abr.08/Jeff Kowalsky/Efe |
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| A China aceitou se reunir com representante do dalai-lama, líder espiritual tibetano |
"Em razão dos repetidos pedidos por parte do dalai-lama para uma retomada das conversações, os departamentos envolvidos do governo central manterão contatos e consultas com um representante privado do dalai-lama nos próximos dias", anunciou a agência oficial Xinhua (Nova China).
A agência não divulgou detalhes sobre a natureza do encontro, nem o nome dos participantes. O anúncio foi feito no mesmo dia de um encontro das autoridades chinesas com líderes da UE (União Européia).
Desde o início dos distúrbios no Tibete e nas regiões próximas, a UE e os Estados Unidos pedem a retomada do diálogo com o dalai-lama.
O porta-voz do dalai-lama disse ainda que a decisão "é um passo na direção correta, pois apenas encontros frente a frente podem levar a uma solução da questão tibetana".
A China acusa o dalai-lamai de ter organizado os protestos no Tibete para sabotar os Jogos Olímpicos de Pequim, que acontecerão em agosto.
Imprensa
Na manhã desta sexta-feira, ao fim de um encontro com o primeiro-ministro chinês, Wen Jiabao, o presidente da Comissão Européia, José Manuel Durão Barros, expressou o desejo de "desenvolvimentos positivos" sobre a questão tibetana, além de ter reiterado a oposição da UE à independência do Tibete e a um boicote dos Jogos Olímpicos.
Barroso disse ainda ter solicitado à China um acesso livre ao Tibete tanto para a imprensa como para os turistas estrangeiros. "Todo aquele que esteja interessado em uma melhor compreensão das realidades deveria permitir o acesso livre à imprensa", destacou.
Os dirigentes tibetanos no exílio afirmam que a repressão chinesa das recentes revoltas em Lhasa, capital do Tibete, deixou mais de 150 mortos, mas a China acusa os "agitadores" tibetanos de terem matado 18 civis e dois policiais.
O líder espiritual tibetano, exilado na Índia desde 1959, deixou nos últimos anos de pedir a independência do Tibete, e negou reiteradamente sua responsabilidade nas revoltas de março.
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