Mundo
25/04/2008 - 11h42

Veja repercussão da eleição dos EUA na imprensa internacional

Publicidade

Colaboração para a Folha Online

O Partido Republicano iniciou recentemente sua campanha ofensiva ao pré-candidato democrata Barack Obama. Líderes partidários de diversos Estados investem em comerciais de televisão e rádio que lembram as polêmicas de Obama --como os sermões de seu ex-pastor Jeremiah Wright-- e criticam suas propostas políticas.

O jornal norte-americano "Los Angeles Times" publicou reportagem que lista os anúncios no Novo México, Lousiana e Carolina do Norte e afirma que os republicanos estão aproveitando para inflamar a já intensa troca de ataques entre os democratas e enfraquecer Obama --que está na liderança da corrida-- já na expectativa de que ele será o rival de seu provável candidato, John McCain.

Já o também norte-americano "The New York Times" publica uma entrevista com o democrata da Casa dos Representantes (Câmara dos Deputados) James Clyburn na qual ele critica a postura "bizarra" do ex-presidente dos EUA Bill Clinton na campanha democrata de sua mulher, Hillary Clinton.

Clyburn, um superdelegado ainda indeciso da Carolina do Norte, disse que "as pessoas negras estão muito bravas com tudo isso", referindo-se à comparação que Clinton fez da vitória de Obama na Carolina do Sul, em janeiro, à vitória de Jesse Jackson, em 1988. Muitos consideraram uma tentativa de diminuir a vitória de Obama já que Jesse Jackson não ganhou a nomeação democrata.

O influente político negro disse ainda que a conduta do ex-presidente causou o que pode ser uma separação irreparável entre ele e os afro-americanos: "Quando ele estava passando por seus problemas de impeachment, foi a comunidade negra que o segurou. Eu acredito que os negros acham que este é um jeito muito estranho de mostrar sua apreciação".

Veja a repercussão da corrida dos pré-candidatos à Presidência dos EUA nos jornais do país:

"The Washington Post"(EUA)
McCain oferece políticas tributárias às quais se opunha

Reprodução
Washington Post
Washington Post

Em 26 de maio de 2001, depois que o senador Lincoln Chafee depositou seu voto contra os cortes de impostos de U$ 1,35 trilhões (R$ trilhões) propostos pelo presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, ele voltou ao seu escritório, convencido de que era o único republicano a se opor a cortes de impostos nas últimas duas décadas.

Mas a equipe de Chafee contou a ele que um outro republicano juntou-se a ele. Aquele senador, John McCain, estava marchando em seu próprio ritmo, impassível diante de pressões dos dois lados, disse Chafee.

Agora que ele é o provável candidato republicano, contudo, McCain marcha na linha de seu partido. O pacote econômico que ele apresentou inclui muitas políticas tributárias as quais se opôs no passado: estender os cortes de impostos de Bush e oferecer redução de taxas para novos investimentos (que antes ele acreditava que não trariam benefícios efetivos para a economia).

As preocupações de McCain --sobre os déficits orçamentários, gastos não antecipados, uma guerra no Iraque que pode ser mais longa e cara do que previsto-- tornaram-se estranhamente premonitórias, o que usualmente é uma vantagem a mais para políticos que são rápidos em dizer que estavam certos, quando outros estavam errados.

Mesmo assim, McCain parece disposto a deixar suas premonições de lado para conquistar a Presidência.

"Los angeles Times"(EUA)
Anúncio republicano ataca Obama

Reprodução
Los Angeles Times
Los Angeles Times

Enquanto promovem seu provável candidato e tentam lançar a plataforma para a vitória nas eleições gerais de novembro, os republicanos começam sua campanha ofensiva para conquistar eleitores com anúncios estrelados pelo pré-candidato democrata Barack Obama.

Na Carolina do Norte, uma propaganda de televisão mostra o ex-pastor de Obama, Jeremiah Wright realizando um de seus sermões inflamatórios contra o país. Já um anúncio de internet ataca um congressista da Pensilvânia que apóia Obama. Os republicanos divulgaram ainda um comercial de rádio no Novo México que afirma que Obama "desrespeita o jeito de vida americano".

Em Louisiana, os republicanos divulgaram um comercial de televisão que ataca a agenda de saúde de Obama dizendo que é "radical". O anúncio provou-se tão ameaçador aos democratas que o membro da Casa dos Representantes (Câmara dos deputados) que ajudou Obama a desenvolver o projeto, Don Cazayoux, distanciou-se imediatamente do pré-candidato dizendo, por um comunicado, que ele "não endossou nenhum candidato político nacional".

A onda de ataques mostra como os republicanos e seus aliados estão aproveitando a oportunidade de atacar o possível candidato democrata às eleições. Afinal, Obama é a esperança do Partido Democrata de apelar aos eleitores de todas as linhas políticas e ajudar os democratas a ganhar terreno entre os mais conservadores, que tendem a seguir os republicanos.

Os anúncios também aproveitam o questionamento da outra pré-candidata democrata, Hillary Clinton, sobre a elegibilidade de Obama para as eleições de novembro, uma discussão que ganhou ares de urgência com a derrota por nove pontos percentuais de Obama, na Pensilvânia.

Assim, os republicanos ajudam a minar a plataforma nacional de Obama e, conseqüentemente, fortalecer as bases de seu provável candidato McCain.

"USA Today"(EUA)
Alguns superdelegados ainda estão na disputa

Reprodução
USA Today
USA Today

Eles ainda estão em cima do muro. Muitos superdelegados ainda não estão comprometidos com nenhum dos pré-candidatos democratas, Barack Obama e Hillary Clinton, e alguns disseram nesta quarta-feira (23) que não serão influenciados pela vitória de Hillary na Pensilvânia.

"Toda semana eu digo "Na terça-feira, nós saberemos mais". E toda quarta-feira de manhã, eu sou uma mentirosa", disse Eileen Macoll, superdelegada de Washington.

Superdelegados são líderes partidários e políticos democratas eleitos que podem votar na convenção nacional, independentemente dos resultados das primárias.

Depois de sua vitória crucial na Pensilvânia, Hillary anunciou o apoio do congressista do Tennessee John Tanner, um centrista influente. Já Obama ganhou o apoio do governador de Oklahoma, Brad Henry, um dos 8 governadores que ainda não haviam declarado sua posição na semana passada.

Eileen e outros superdelegados indecisos dizem que a corrida permanece muito acirrada para que tomem uma decisão e reconhecem que a sua relutância pesará muito na disputa até que o ciclo de primárias acabe, em 3 de junho.

"É uma paisagem em constante mudança", disse Eileen, acrescentando que ela decidirá seu voto após a votação em Kentucky e Oregon, em 20 de maio.

"The New York Times"(EUA)
Líder negro na Casa dos Representantes denuncia comentários de Bill Clinton

Reprodução
New York Times
New York Times

Membro democrata da Casa dos Representantes (Câmara dos Deputados) e um dos mais influentes líderes afro-americanos do país, James Clyburn criticou o ex-presidente dos EUA Bill Clinton pelo que chamou de conduta "bizarra" durante a campanha pela primária democrata.

Clyburn, um superdelegado ainda indeciso da Carolina do Norte, disse que "as pessoas negras estão muito bravas com tudo isso", referindo-se às declarações de Clinton durante a acirrada corrida entre sua mulher, Hillary Clinton e Barack Obama.

Clinton foi amplamente criticado por líderes negros depois que comparou a vitória de Obama na Carolina do Sul, em janeiro, à vitória de Jesse Jackson, em 1988 --muitos consideraram uma tentativa de diminuir a vitória de Obama já que Jesse Jackson não ganhou a nomeação democrata.

Clinton se defendeu dizendo que a campanha de Obama estava tentando "jogar a carta racial" nele, tornando seus comentários em tema para um debate racial.

Em entrevista ao jornal, Clyburn disse que a conduta do ex-presidente causou o que pode ser uma separação irreparável entre ele e os afro-americanos: "Quando ele estava passando por seus problemas de impeachment, foi a comunidade negra que o segurou. Eu acredito que muitos negros acham que este é um jeito muito estranho dele mostrar sua apreciação".

Comentários dos leitores
Luciano Edler Suzart (34) 09/10/2009 10h20
Luciano Edler Suzart (34) 09/10/2009 10h20
A situação é periclitante, se antigamente se concedia o Nobel da Paz a quem de algum modo, plantava a paz no mundo, hoje (dada a escassez de boa fé geral) se concede o prémio a quem não faz a guerra... Como diria o sábio Maluf: "Antes de entrar queria fazer o bem, depois que entei, o máximo que conseguí foi evitar o mal"
Só assim pra se justificar esse Nobel a Obama, ou podemos ver como um estímulo preventivo a que não use da força bélica que lhe está disponível contra novos "Afeganistões" do mundo.
sem opinião
avalie fechar
honório Tonial (2) 16/05/2009 21h47
honório Tonial (2) 16/05/2009 21h47
Considero ecelente vosso noticiario. Obrigado, aos 83 anos de mnha vida, 5 opiniões
avalie fechar
Marcello Sokal (73) 07/02/2009 12h01
Marcello Sokal (73) 07/02/2009 12h01
Óbvio que não poderiam aceitar,pois não teriam respostas claras para as legítimas questões do presidente iraniano,esse sim um verdadeiro estadista que sabe da verdade dos fatos e não tem receio de buscar responsabilizar os culpados. A política imperialista norte-americana é velha conhecida mas pessoas convenientemente "esquecem" disso - não respeitam a soberania das nações e se arvoram em ser os "defensores da liberdade" - é o país que mais se envolveu em guerras,revoluções,invasões e intervenções da história da humanidade.A única nação que já bombardeou outro país (na verdade cidades,repletas de civis inocentes) utilizando armas nucleares. O apoio norte-americano a Israel é uma vergonha, apoiando todo tipo de atrocidade possível,dando carta branca e fornecendo armas de alta tecnologia.
Em resumo: o grande vilão nisso tudo não é o Irã....mas tem tolo que prefere não ver influenciado pelo mentiroso american-way-of-life,lamentável.
13 opiniões
avalie fechar
Comente esta reportagem Veja todos os comentários (2849)
Termos e condições
 

FolhaShop

Digite produto
ou marca