Mundo
25/04/2008 - 17h29

Reviravoltas marcam campanha presidencial nos EUA, diz cônsul

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FERNANDA BARBOSA
Colaboração para a Folha Online

A campanha para a Casa Branca de 2008 nos EUA é "fascinante" por ser marcada por constantes mudanças nas posições dos pré-candidatos, na opinião de James B. Story --cônsul para assuntos políticos e econômicos do consulado geral dos EUA em São Paulo.

"Eu nunca ouvi ou li a respeito de uma campanha como essa, é algo simplesmente fascinante", afirmou o cônsul durante palestra realizada no auditório da escola de idiomas União Cultural Brasil Estados Unidos no Paraíso, em São Paulo, na noite desta quinta-feira.

Veja vídeo da entrevista do cônsul para a Folha Online

Michael Conroy/Jae C. Hong/Mary Altaffer/AP
Pré-candidatos Hillary Clinton, Barack Obama e John McCain (à dir.); a participação de eleitores nas primárias de 2008 atinge recorde
Pré-candidatos Hillary Clinton, Barack Obama e John McCain (à dir.); participação de eleitores atinge recorde durante primárias de 2008

"Há algum tempo, Hillary Clinton era a candidata absoluta do Partido Democrata e ninguém sabia quem era Barack Obama. Do lado republicano, o pré-candidato John McCain estava completamente falido, sem verbas para continuar. Agora, Hillary é vista como a velha guarda, do partido, a tradição, enquanto Obama é visto como a vanguarda, a novidade", diz Story.

O cônsul ressaltou que, pela primeira vez, a nomeação democrata não está claramente definida e, pela imprevisibilidade da situação, cada voto conta e pode fazer a diferença.

"Os candidatos precisam fazer campanha no norte, leste, sul. Não conseguirão a Presidência se focarem somente nos principais Estados. Isso é bom para a democracia americana", afirma.

No evento em São Paulo, Story disse também que, pela primeira vez na história dos EUA, a corrida está tão acirrada em número de delegados que o posicionamento dos superdelegados democratas será essencial para definir o nomeado.

"No início da campanha, ninguém sabia quem eram os superdelegados. Mas este é o ano em que as pessoas irão se perguntar quem eles são, e quais são os poderes que eles têm", afirmou o diplomata americano.

Questão racial

Para Story, a presença de um negro [Obama] e de uma mulher [Hillary] entre os pré-candidatos do pleito não recebe a atenção necessária nos EUA, porque os americanos estão "mais interessados em outros assuntos", como a economia e a Guerra do Iraque.

"Há a recessão. As pessoas se preocupam com a economia, com a saúde, com o preço da comida. E esses fatores são mais importantes do que a raça ou o sexo", opina o cônsul.

Na opinião do cônsul, Obama possui vantagem entre os eleitores negros, e também entre a população de alta renda e alta escolaridade, além dos novos eleitores democratas.

Para Story, o apoio heterogêneo a Obama demonstra a diversidade da população dos EUA, que se divide entre os pré-candidatos individualmente, e não como um bloco, apesar de Obama ter apoio de 89% dos negros. "Isso torna a disputa ainda mais "imprevisível", diz ele.

Impasse democrata

Reprodução
Para o cônsul americano no Brasil James Story, reviravoltas marcam a "fascinante" disputa presidencial de 2008 nos EUA
Para o cônsul americano no Brasil James Story, reviravoltas marcam a "fascinante" disputa presidencial de 2008 nos EUA

Em relação ao prolongamento da disputa democrata, Story afirmou que ela pode ser "benéfica ou maléfica" para McCain, dependendo da maneira como for abordada.

Ao mesmo tempo em que ele não possui um combatente dentro do partido, também não possui o mesmo apelo para arrecadação de verbas que os seus rivais democratas.

O apelo fez de Obama o candidato que mais arrecadou fundos, com US$ 42 milhões (R$ 69,8 milhões) no início de abril. Hillary, apesar de estar atrás de Obama na disputa, arrecadou U$ 10 milhões (cerca de R$ 16,5 milhões) nas 24 horas após as primárias da Pensilvânia.

Questionado sobre o uso de verbas públicas para as campanhas, Story afirmou que os recursos do governo destinados aos candidatos têm um trâmite difícil de ser liberado e, por isso, alguns candidatos preferem não utilizá-los e arrecadar o dinheiro durante a campanha.

Hillary, Obama e McCain angariam verbas por meio de seus próprios comitês, e não utilizam o repasse federal.

Participação

Outra novidade da atual corrida presidencial norte-americana é a quantidade de eleitores registrados para as primárias. "Nas eleições anteriores, os eleitores registrados ficavam em torno de 40%. Neste ano, eles somam entre 60% e 70%".

Para Story, os motivos do aumento no interesse dos eleitores são as questões nacionais em foco, como a crise econômica e a Guerra do Iraque.

O cônsul também abordou a importância do voto dos norte-americanos que, como ele, não moram no país. "Eu voto daqui e envio meu voto para lá".

Ao ser questionado sobre por que os EUA não estabelecem um sistema de votação eletrônico para agilizar o processo, o cônsul afirmou que "cada Estado decide" a maneira de contabilizar os votos. Ele citou como exemplo o Estado de Ohio, que usa o sistema eletrônico, e a Flórida, que utiliza as cédulas de papel. Mas Story deixou clara a sua posição favorável à contagem manual, já que "todos os meios que o homem cria, ele pode também manipular".

"Eu sempre teria uma recontagem manual. Mas o meio é sempre tão bom quanto as pessoas confiam nele", disse.

Principais desafios

Na opinião de Story, a principal questão a ser resolvida pelo novo presidente dos EUA é a Segurança Social. "Os imigrantes fazem a população crescer, mas ela é estática", afirma.

Com isso, os trabalhadores pagam para a segurança social dada aos aposentados, mas estes aumentam progressivamente, até o momento em que o sistema fica inchado e o montante arrecadado não é mais suficiente para suprir a demanda dos aposentados.

O cônsul citou também a questão dos planos de saúde, bastante abordados em discursos pelos três pré-candidatos à Presidência.

"Milhões de norte-americanos não possuem nenhum tipo de cobertura médica", diz.

Segundo Story, as eleições também serão baseadas em outras questões domésticas --como a economia e as políticas públicas-- e em questões internacionais, como a Guerra do Iraque e o papel dos EUA no sistema internacional e na ONU.

EUA x Brasil

O diplomata americano destacou a "parceria estratégica" entre Brasil e EUA e afirmou que existem três áreas principais a serem tratadas em conjunto pelos dois países: o meio-ambiente, os biocombustíves e a ajuda aos países em desenvolvimento.

Sobre uma possível mudança nas relações Brasil-EUA no caso da eleição de um democrata, o cônsul citou um artigo do brasileiro Paulo Sotero --jornalista e professor universitário-- que fala sobre a diferença entre um democrata e um republicano em relação ao Brasil.

"Ele escreveu que é normal que os republicanos façam uma política externa de livre comércio mais forte do que os democratas, mas que foi Ronald Reagan (1981-1989), nos anos 80, quem fez o bloqueio sobre o ferro e criou um problema econômico entre os dois países", diz.

"Da mesma maneira, foi o democrata Bill Clinton (1993-2001) quem assinou o tratado de livre comércio entre Canadá, EUA e México [Nafta]. Seja quem for o vitorioso, a relação entre os dois países é tão forte que certamente teremos uma política cada vez mais em comum".

Comentários dos leitores
Luciano Edler Suzart (34) 09/10/2009 10h20
Luciano Edler Suzart (34) 09/10/2009 10h20
A situação é periclitante, se antigamente se concedia o Nobel da Paz a quem de algum modo, plantava a paz no mundo, hoje (dada a escassez de boa fé geral) se concede o prémio a quem não faz a guerra... Como diria o sábio Maluf: "Antes de entrar queria fazer o bem, depois que entei, o máximo que conseguí foi evitar o mal"
Só assim pra se justificar esse Nobel a Obama, ou podemos ver como um estímulo preventivo a que não use da força bélica que lhe está disponível contra novos "Afeganistões" do mundo.
sem opinião
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honório Tonial (2) 16/05/2009 21h47
honório Tonial (2) 16/05/2009 21h47
Considero ecelente vosso noticiario. Obrigado, aos 83 anos de mnha vida, 5 opiniões
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Marcello Sokal (73) 07/02/2009 12h01
Marcello Sokal (73) 07/02/2009 12h01
Óbvio que não poderiam aceitar,pois não teriam respostas claras para as legítimas questões do presidente iraniano,esse sim um verdadeiro estadista que sabe da verdade dos fatos e não tem receio de buscar responsabilizar os culpados. A política imperialista norte-americana é velha conhecida mas pessoas convenientemente "esquecem" disso - não respeitam a soberania das nações e se arvoram em ser os "defensores da liberdade" - é o país que mais se envolveu em guerras,revoluções,invasões e intervenções da história da humanidade.A única nação que já bombardeou outro país (na verdade cidades,repletas de civis inocentes) utilizando armas nucleares. O apoio norte-americano a Israel é uma vergonha, apoiando todo tipo de atrocidade possível,dando carta branca e fornecendo armas de alta tecnologia.
Em resumo: o grande vilão nisso tudo não é o Irã....mas tem tolo que prefere não ver influenciado pelo mentiroso american-way-of-life,lamentável.
13 opiniões
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