Mundo
28/04/2008 - 11h18

Natascha Kampusch oferece ajuda financeira a nova refém na Áustria

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da Ansa, em Viena
da Folha Online

Natascha Kampusch, a jovem austríaca que passou oito anos como refém de um seqüestrador e conseguiu se libertar há dois anos, avalia a possibilidade de ajudar financeiramente as vítimas do caso de incesto de Amstetten, sem excluir contatos diretos com essas pessoas, que ficaram trancadas durante anos em um sótão.

"Estou pensando muito nesta família, o tumulto da imprensa não é algo bom para essas pessoas, e posso imaginar que a situação é tão difícil para a mãe quanto para os filhos", disse Kampush à rádio austríaca ORF.

Hans Punz/AP
A ex-refém Natascha Kampusch oferece ajuda financeira a família mantida em cativeiro
A ex-refém Natascha Kampusch oferece ajuda a família mantida em cativeiro na Áustria

A jovem disse que depois de saber do caso teve a idéia, espontaneamente, de oferecer ajuda financeira às vítimas.

"Me parece muito sensato nesse caso", disse ela, acrescentando que está em contato contínuo com os investigadores do caso.

Em comunicado transmitido pela agência de notícias APA, Natascha, agora com 20 anos, disse que a ajuda será possível graças às doações recebidas depois de sua libertação.

Nesta segunda-feira, Josef Fritzl, 73, o homem que supostamente manteve a própria filha presa por 24 anos em um porão, confessou tê-la aprisionado, segundo fontes policiais citadas pelas agências de notícias internacionais. Ele também admitiu ser pai de seus sete filhos.

"Ele admitiu ter trancado sua filha, que tinha 18 anos na época, no porão, que fazia sexo repetidamente com ela, e que é pai de suas sete crianças", disse o oficial da polícia austríaca Franz Polzer. "Ele também admitiu ter queimado uma das crianças no incinerador do prédio".

A polícia divulgou hoje fotos do local onde Elisabeth Fritzl, desaparecida desde 1984 e que tem hoje 42 anos, ficou aprisionada com três de seus seis filhos. O local não tinha janelas.

Choque

A Áustria amanheceu em choque nesta segunda-feira, um dia após a divulgação do caso.

Efe
Fotografia da polícia mostra o local onde filha e três crianças viviam em cativeiro
Fotografia mostra o local onde filha e três crianças viviam em cativeiro

A polícia prossegue com as investigações na chamada "casa do horror" para determinar em que condições Elisabeth viveu reclusa durante 24 anos ao lado de três filhos, em um espaço estreito de 50 a 60 metros quadrados preparado por seu pai no porão do prédio em que a família mora, em Amstetten, 100 km ao oeste de Viena.

O suspeito, detido neste domingo, compareceu a uma audiência com um juiz nesta segunda-feira. Após a detenção, Fritzl manteve silêncio e só revelou o código da fechadura eletrônica do porão.

Os investigadores aguardam ainda os resultados dos exames de DNA que permitirão estabelecer os vínculos de parentesco de três homens e três mulheres, com idades entre 5 e 20 anos, que seriam fruto de incesto.

Três crianças viviam com o pai e a mulher dele, Rosemarie, enquanto os outros três moravam trancados com a mãe no porão. Eles nunca nunca tiveram o direito de deixar o local.

Caso Kampusch

O novo caso lembra o de Kampusch, que foi seqüestrada por um homem quando caminhava para escola aos dez anos, em março de 1998. Seu cativeiro, em um porão na periferia de Viena, durou mais de oito anos, até o dia que conseguiu escapar, em agosto de 2006.

A jovem admite que continua a precisar de atendimento psicológico, e lamenta a perda de sua puberdade. Ela ficou presa no porão de uma casa perto de Viena dos 10 aos 18 anos.

Ela procura levar uma vida normal e estuda com grande ambição para as provas escolares. Ela se impôs uma meta de "rendimento de 150%" nas aulas particulares que faz.

A jovem se ofende quando as pessoas perguntam por que ela agüentou 8 anos em um cativeiro e não fugiu antes.

Ela conta que uma vez tentou se livrar de seu algoz, Wolfgang Priklopil, quando eles estavam andando de carro, mas que ele a segurou com força pelo braço e a impediu.

 

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