Mundo
29/04/2008 - 07h33

Alta do petróleo faz imposto sobre gasolina virar tema eleitoral nos EUA

Publicidade

da Efe, em Washington

Com a alta do petróleo, cujo barril já beira os U$ 120 (R$ 202), os pré-candidatos à Presidência dos Estados Unidos debatem sobre as vantagens e possíveis prejuízos de uma quanto à suspensão por três meses do imposto sobre os combustíveis, uma medida que amenizaria estes efeitos.

Em uma tentativa de fazer frente à crise econômica que atinge as famílias americanas, o provável candidato republicano John McCain e a pré-candidata democrata Hillary Clinton se disseram a favor da suspensão do imposto sobre a gasolina durante a época do ano de maior consumo.

No entanto, o democrata Barack Obama, que disputa com Hillary a candidatura democrata, duvida da eficácia desta iniciativa.

Curiosamente, nenhum dos três fala em restringir o consumo como medida para diminuir a demanda e, seguindo a velha lógica da oferta e demanda, evitar a alta dos preços.

McCain foi o primeiro que, em meados de abril, propôs o cancelamento da taxa de quase U$ 0,05 (R$ 0,08) por litro que incide sobre os combustíveis --imposto que, em média, sobe para mais de U$ 0,12 (R$ 0,20) com os encargos estaduais.

Em um momento em que o preço médio do litro da gasolina nos EUA é de U$ 1,05 (1,77), a suspensão temporária da cobrança faria o combustível ficar cerca de 5% mais barato e, certamente, aliviaria o bolso dos americanos, cujos gastos com energia desde que George W. Bush chegou à Casa Branca subiram cerca de U$ 2.000 (R$ 3.374) ao ano.

A idéia de McCain, que logo foi apoiada por Hillary, é suspender o imposto federal sobre a gasolina entre os feriados do Memorial Day, celebrado sempre na última segunda-feira de maio, e do Dia do Trabalho, comemorado sempre na primeira segunda de setembro.

É neste período, em que milhões de americanos viajam de férias, que o consumo de combustíveis atinge seu auge.

Mais cauteloso, Obama acha que a suspensão do imposto não vai reduzir muito o preço da gasolina e ainda criará um rombo no fundo federal de estradas.

Nos EUA, 45% do dinheiro usado na construção e na manutenção das rodovias e dos meios de transporte coletivos vêm do governo. O restante é disponibilizado pelas administrações estaduais e municipais.

Economia

Fora da corrida pela Presidência, o economista Lawrence Goldstein, da Fundação de Pesquisa em Política Energética, critica a proposta defendida por McCain e Hillary.

"O sinal que deveria ser enviado é o oposto. Os políticos deveriam dizer ao povo que chegou a hora de economizar", declarou.

"A idéia de McCain sobre um estímulo econômico é a de que todos devemos pegar o carro e viajar", comentou, por sua vez, Steve Cohen, diretor do Instituto da Terra, da Universidade de Columbia, em Nova York.

Apesar de semelhantes, as propostas de McCain e Hillary sobre a suspensão do imposto diferem em muitos aspectos, o que lembra o fato de que ambos representam ideologias diferentes.

Para McCain, a redução deve ser implementada sem nenhum tipo de compensação deste fundo. Já Hillary, por sua vez, propõe um imposto sobre o lucro das petrolíferas para compensar o dinheiro que deixaria de entrar no fundo federal de estradas com o cancelamento da taxa que incide sobre a gasolina.

De fato, como indica reportagem publicada nesta segunda-feira no jornal econômico norte-americano "The Wall Street Journal", os ganhos das grandes empresas que extraem e refinam petróleo "continuam aumentando" e "há poucos indícios" de que diminuirão, haja vista que, em um ano, o preço médio do petróleo de referência nos Estados Unidos subiu mais de 68%.

Comentários dos leitores
Luciano Edler Suzart (34) 09/10/2009 10h20
Luciano Edler Suzart (34) 09/10/2009 10h20
A situação é periclitante, se antigamente se concedia o Nobel da Paz a quem de algum modo, plantava a paz no mundo, hoje (dada a escassez de boa fé geral) se concede o prémio a quem não faz a guerra... Como diria o sábio Maluf: "Antes de entrar queria fazer o bem, depois que entei, o máximo que conseguí foi evitar o mal"
Só assim pra se justificar esse Nobel a Obama, ou podemos ver como um estímulo preventivo a que não use da força bélica que lhe está disponível contra novos "Afeganistões" do mundo.
sem opinião
avalie fechar
honório Tonial (2) 16/05/2009 21h47
honório Tonial (2) 16/05/2009 21h47
Considero ecelente vosso noticiario. Obrigado, aos 83 anos de mnha vida, 5 opiniões
avalie fechar
Marcello Sokal (73) 07/02/2009 12h01
Marcello Sokal (73) 07/02/2009 12h01
Óbvio que não poderiam aceitar,pois não teriam respostas claras para as legítimas questões do presidente iraniano,esse sim um verdadeiro estadista que sabe da verdade dos fatos e não tem receio de buscar responsabilizar os culpados. A política imperialista norte-americana é velha conhecida mas pessoas convenientemente "esquecem" disso - não respeitam a soberania das nações e se arvoram em ser os "defensores da liberdade" - é o país que mais se envolveu em guerras,revoluções,invasões e intervenções da história da humanidade.A única nação que já bombardeou outro país (na verdade cidades,repletas de civis inocentes) utilizando armas nucleares. O apoio norte-americano a Israel é uma vergonha, apoiando todo tipo de atrocidade possível,dando carta branca e fornecendo armas de alta tecnologia.
Em resumo: o grande vilão nisso tudo não é o Irã....mas tem tolo que prefere não ver influenciado pelo mentiroso american-way-of-life,lamentável.
13 opiniões
avalie fechar
Comente esta reportagem Veja todos os comentários (2849)
Termos e condições
 

FolhaShop

Digite produto
ou marca