Mundo
29/04/2008 - 20h59

Obama diz que comentários de seu ex-pastor são revoltantes

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da Folha Online

O pré-candidato democrata à Presidência Barack Obama acusou seu ex-pastor de fazer declarações "divisivas e destrutivas", tentando ainda mais se distanciar dos discursos incendiários do reverendo Jeremiah Wright e dos ataques que ameaçam sua campanha pela nomeação democrata.

Obama tenta conter o alvoroço criado pelo religioso em um difícil momento de sua campanha. O senador por Illinois perdeu a última primária, na Pensilvânia, para sua rival Hillary Clinton e luta pelos votos dos eleitores de Indiana e Carolina do Norte, que terão prévias na próxima terça-feira (6).

"Estou revoltado pelos comentários que foram feitos e triste por causa do espetáculo que vimos ontem", disse Obama em coletiva nesta terça.

Suas fortes palavras foram pronunciadas seis semanas após o pré-candidato fazer um longo discurso sobre a questão racial, no qual condenou as falas de Wright, mas poupou o reverendo, que, conforme afirmou, era como um membro da família. Após semanas afastado, o ex-pastor da Igreja Batista da Trindade Unida de Cristo fez três aparições públicas em quatro dias para se defender.

Na segunda-feira, Wright classificou o governo dos EUA como imperialista e se ateve à sua hipótese de que os EUA inventaram o HIV como uma forma de exterminar minorias. "Baseado nesse experimento Tuskegee e baseado no que ocorre com os africanos neste país, creio que o nosso governo é capaz de fazer qualquer coisa" afirmou.

"Elegibilidade"

E o que é ainda pior para Obama, Wright sugeriu que o senador por Illinois concorda em segredo com suas posições. "Se o senador Obama não falasse o que ele fala, ele não seria eleito", disse o reverendo. "Políticos dizem o que dizem e fazem o que fazem com base na elegibilidade, baseado na repercussão, baseado em pesquisas."

Obama declarou que não compartilha as opiniões do homem que oficializou seu casamento, batizou suas duas filhas e foi seu pastor por 20 anos. O título do segundo livro de Obama, "The Audacity of Hope" ("Audácia da Esperança"), veio de um sermão de Wright.

"O que ficou claro para mim é que ele estava apresentando uma visão do mundo que contradiz com quem sou e com o que acredito", declarou Obama. "E o que me irritou, em particular, foi sua sugestão de que, de alguma forma, minha denúncia prévia de suas falas são de alguma forma uma postura política. Qualquer um que me conheça e qualquer um que saiba o que faço, sabe que estou tentando acabar com lacunas e ver a semelhança entre todas as pessoas."

Apesar de Obama liderar no número de delegados, nenhum democrata pode vencer a nomeação sem o apoio dos superdelegados --líderes do partido, parlamentares e governadores--, que podem votar em quem quiserem. A polêmica criada com Wright fazem os democratas se perguntar sobre a elegibilidade de Obama em novembro.

Distanciamento

Encarando essa realidade, Obama tenta se distanciar ainda mais do pastor. "Sou membro da Igreja Batista da Trindade Unida de Cristo, e conheço o reverendo Wright há 20 anos", declarou o político. "A pessoa que eu vi ontem não é a mesma pessoa que conheci há 20 anos."

"Foi um discurso inflamado, sem fundamento na realidade", disse Obama sobre as declarações do pastor na segunda. "Obviamente, qualquer relação que tive com o reverendo Wright mudou. Não acho que ele não mostrou muita preocupação por mim e, mais importante, não acho que ele tenha mostrado muita preocupação com o que estamos tentando fazer com essa campanha."

Obama afirmou ainda que as falas do pastor foram mais do que uma tentativa de autodefesa. "Seus comentários não foram apenas divisivos e destrutivos, creio que eles acabam por confortar quem professa o ódio."

Wright havia afirmado que as fortes críticas contras seus sermões eram ataques contra a igreja negra, o que o político também rechaçou. "Ele causou grandes danos."

Wright recentemente se aposentou da igreja. Ele se tornou uma questão polêmica na campanha de Obama quando vídeos do ex-pastor criticando o governo dos EUA por racismo e por atos genocidas começaram a circular. Nos vídeos, alguns de anos atrás, o ex-pastor pedia: "Deus, amaldiçoe a América". Eles também afirmou que o governo criou o vírus da Aids para destruir as "pessoas de cor".

"Eu dei a ele o benefício da dúvida em meu discurso na Filadélfia, explicando que ele havia feito um bem enorme. (...) Mas quando ele declara e amplifica proposições ridículas como o governo dos EUA estar, de alguma forma envolvido com a Aids (...). Não há desculpas. Eles me ofenderam. Eles, com razão, ofenderam todos os americanos e devem ser condenados."

O pré-candidato disse ainda compreender que Wright precisava se defender, mas não havia desculpas para seus comentários. "Acho que ele se sentiu atacado e entendo que ele tente se defender", disse Obama. "Isso pode explicar a mudança, mas a insensibilidade e o ultraje de suas declarações me chocaram e me surpreenderam."

Com Associated Press

Comentários dos leitores
Luciano Edler Suzart (34) 09/10/2009 10h20
Luciano Edler Suzart (34) 09/10/2009 10h20
A situação é periclitante, se antigamente se concedia o Nobel da Paz a quem de algum modo, plantava a paz no mundo, hoje (dada a escassez de boa fé geral) se concede o prémio a quem não faz a guerra... Como diria o sábio Maluf: "Antes de entrar queria fazer o bem, depois que entei, o máximo que conseguí foi evitar o mal"
Só assim pra se justificar esse Nobel a Obama, ou podemos ver como um estímulo preventivo a que não use da força bélica que lhe está disponível contra novos "Afeganistões" do mundo.
sem opinião
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honório Tonial (2) 16/05/2009 21h47
honório Tonial (2) 16/05/2009 21h47
Considero ecelente vosso noticiario. Obrigado, aos 83 anos de mnha vida, 5 opiniões
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Marcello Sokal (73) 07/02/2009 12h01
Marcello Sokal (73) 07/02/2009 12h01
Óbvio que não poderiam aceitar,pois não teriam respostas claras para as legítimas questões do presidente iraniano,esse sim um verdadeiro estadista que sabe da verdade dos fatos e não tem receio de buscar responsabilizar os culpados. A política imperialista norte-americana é velha conhecida mas pessoas convenientemente "esquecem" disso - não respeitam a soberania das nações e se arvoram em ser os "defensores da liberdade" - é o país que mais se envolveu em guerras,revoluções,invasões e intervenções da história da humanidade.A única nação que já bombardeou outro país (na verdade cidades,repletas de civis inocentes) utilizando armas nucleares. O apoio norte-americano a Israel é uma vergonha, apoiando todo tipo de atrocidade possível,dando carta branca e fornecendo armas de alta tecnologia.
Em resumo: o grande vilão nisso tudo não é o Irã....mas tem tolo que prefere não ver influenciado pelo mentiroso american-way-of-life,lamentável.
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