Mundo
30/04/2008 - 10h49

Veja repercussão da eleição dos EUA na imprensa internacional

Colaboração para a Folha Online

O pré-candidato democrata à Casa Branca Barack Obama voltou a se defender dos comentários inflamatórios de seu ex-pastor Jeremiah Wright.

Depois de várias aparições do reverendo na mídia, nas quais confirmou todas as suas posturas polêmicas, Obama teve de se defender o mais rápido possível para tentar conter os danos da controvérsia para sua candidatura diante das primárias de 6 de maio na Carolina do Norte e Indiana.

Em coletiva de imprensa nesta terça-feira, Obama chamou os novos comentários de Wright de "revoltantes" e disse que as aparições do ex-pastor deixaram-no zangado e triste. Ele acusou seu ex-mentor espiritual de explorar o racismo e "dar conforto aqueles que pregam o ódio", em meio a uma campanha na qual o democrata prega a união da nação.

"Quando ele faz e amplifica proposições tão ridículas como que o governo dos Estados Unidos está de alguma forma envolvido com a Aids, [...] quando ele iguala os esforços dos EUA em tempos de guerra ao terrorismo, não há desculpas", disse Obama. "Elas [proposições] me ofendem. Elas ofendem todos os americanos".

Enquanto Obama luta para desvencilhar-se do polêmico pastor, os democratas de Michigan propõe uma nova solução para o impasse da anulação de sua delegação. O Partido Democrata proibiu a participação dos delegados do Estado por ter, assim como a Flórida, adiantado sua votação contra suas orientações.

A chamada "Gangue dos 4" de Michigan --formada pelo senador Carl Levin, Carolyn Cheeks Kilpatrick da Casa dos Representantes, Ron Gettelfinger, presidente da United Auto Workers e Debbie Dingell, membro do Comitê Nacional Democrata-- está propondo que a delegação seja dividida em 69-59, reduzindo a margem de 18 delegados de Hillary Clinton para apenas 10.

Veja a repercussão da corrida dos pré-candidatos à Presidência dos EUA nos jornais do país:

"Washington Post"(EUA)
Obama diz que comentários de seu ex-pastor são revoltantes

Reprodução
Washington Post
Washington Post

Usando o tom mais crítico de toda a sua campanha, o senador Barack Obama tentou distanciar-se ainda mais de seu pastor por 20 anos, Jeremiah Wright, nesta terça-feira, chamando seus comentários de revoltantes.

Trabalhando para conter danos à sua candidatura presidencial, Obama disse que as recentes aparições de Wright deixaram-no zangado e triste. Ele acusou seu ex-mentor espiritual de explorar o racismo e "dar conforto aqueles que pregam o ódio" em um tempo em que o senador tenta unir a nação --e os votos.

"Quando ele faz e amplifica proposições tão ridículas como que o governo dos Estados Unidos está de alguma forma envolvido com a Aids; quando sugere que o ministro Farrakhan [Louis Farrakhan, líder da Nação do Islã e crítico de Israel e dos judeus] de alguma forma representa uma das maiores vozes dos séculos 20 e 21; quando ele iguala os esforços dos EUA em tempos de guerra ao terrorismo, não há desculpas", disse Obama. "Elas [proposições] me ofendem. Elas ofendem todos os americanos".

Os comentários de Obama, feitos em uma coletiva de imprensa em Winston-Salem, foram o seu mais firme esforço de acabar com a reação negativa aos comentários de Wright, particularmente entre os superdelegados democratas e trabalhadores brancos, dois grupos que ele precisa conquistar em sua batalha contra Hillary Clinton pela nomeação democrata.

"The Wall Street Journal"(EUA)
Evocando os bons momentos da década de 90, Hillary arrisca trazer memórias ruins

Reprodução
Wall Street Journal
Wall Street Journal

A senadora Hillary Clinton está lembrando aos eleitores com problemas financeiros como eles estavam melhor nos anos 90, mas trazer memórias do passado também pode levar a família Clinton de volta aos escândalos e divisões partidárias associados ao ex-presidente dos EUA Bill Clinton --memórias que o senador Barack Obama tentou explorar.

O criticismo aponta para um problema contínuo da campanha de Hillary. Por mais de um ano, os assessores de Hillary debatem como enfatizar os pontos positivos da Presidência de Clinton enquanto permitem que Hillary estabeleça sua própria identidade e evite ser apenas uma lembrança do que os eleitores não gostavam nos anos 90.

"Nós reconhecemos que não podemos contar com os áureos anos 90", disse o porta-voz da campanha de Hillary, Mo Elleithee. "Mas ao mesmo tempo várias pessoas de todos os grupos demográficos têm boas memórias do que suas vidas eram na década de 90".

A ex-primeira-dama começou recentemente a citar mais estatísticas sobre a década. Seu discurso agora pinta um retrato detalhado de um tempo quando as torres gêmeas do World Trade Center ainda estavam de pé, mais de 22 milhões de empregos foram criados, o orçamento estava equilibrado e a renda média familiar era de U$ 7.000 (R$ 12 mil).

"The New York Times"(EUA)
Outro plano para primárias proposto em Michigan

Reprodução
New York Times
New York Times

Mais uma proposta foi lançada para resolver a confusão criada pela primária adiantada de Michigan, desta vez vinda de um grupo de proeminentes democratas.

Este último plano diminuiria a diferença entre as posições dos senadores Hillary Clinton e Barack Obama.

Hillary insiste que os 128 delegados do Estado sejam distribuídos de acordo com o resultado da votação de 15 de janeiro, que ela ganhou e na qual o nome de Obama não constava. Isso daria a ela uma vantagem de 73 delegados contra 55.

Obama, dizendo que a primária foi ilegítima e que não deveria haver volta para a perda dos delegados de Michigan, disse que aceitaria uma divisão igualitária, 64 delegados para cada um.

Muitos planos para resolver o impasse --incluindo realizar uma nova primária ou legalizar apenas metade da delegação-- foram rejeitados. Agora, a chamada "Gangue dos 4" de Michigan --senador Carl Levin, Carolyn Cheeks Kilpatrick da Casa dos Representantes, Ron Gettelfinger, presidente da United Auto Workers e Debbie Dingell, membro do Comitê Nacional Democrata-- está propondo que a delegação seja dividida em 69-59, reduzindo a margem de 18 delegados de Hillary para apenas 10.

"USA Today"(EUA)
Obama encerra laços com ex-pastor

Reprodução
USA Today
USA Today

O pré-candidato democrata à Casa Branca, Barack Obama rompeu sua ligação com Jeremiah Wright, nesta terça-feira, condenando os últimos comentários do ministro como "um monte de besteiras que não correspondem à verdade".

Em meio a campanha na Carolina do Norte, Obama denunciou a aparição de Wright no National Press Club, nesta segunda-feira como um "show de desrespeito" a ele e "um insulto ao que nós estamos tentando fazer nesta campanha".

Ele disse que o rompimento com Wright, que se aposentou da igreja Trinity United Church of Christ, em Chicago, é final. "Qualquer relacionamento que eu tive com o reverendo Wright mudou", disse Obama.

As declarações enfáticas de Obama vêm ao mesmo tempo em que republicanos e conservadores estão se preparando para fazer do relacionamento entre o democrata e o ministro um grande tema de debate antes das primárias da Carolina do Norte, em 6 de maio.

Comentários dos leitores
Eduardo Velasco (155) 06/09/2008 09h37
Eduardo Velasco (155) 06/09/2008 09h37
Não estou nem aí se o Luiz entende ou diferencia uma coisa da outra. Mas a resposta do outro realmente aponta para uma tremenda falta de lógica argumentativa.
Vejam, a premissa foi: Autodeterminação dos povos [que o Luiz não tratou do assunto, mas que o missivista rapidinho resolver ler "dentro" do texto do outro. Realmente está na CF/88: Art. 4º, III, CF/88 a tal da 'autodeterminação', mas não passa de zurrada constitucional eqüina].
Depois, uma outra premissa menor que não guarda nenhuma relação com a maior [anterior], e a conclusão ilógica [espúria]: "Por isso os Republicanos...".
Assim fica fácil: eu junto abóbora com melancia e digo que as duas são a mesma coisa porque o colorido interno de ambas são semelhantes!
Tertulia Flacida ad Bovinum Adormentare
(conversa pra boi dormir!)
Eduardo Velasco
Natal/RN
sem opinião
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Luiz Castro (17) 05/09/2008 23h04
Luiz Castro (17) 05/09/2008 23h04
Se por um lado úma vitória republicana trás tudo que estamos vendo com Bush e mais um pouco, uma vitória democrata não é sinal de que a vida vai ser melhor abaixo do rio grande. Se vão acabar com a guerra, também vão aumentar o protecionísmo com relação ao comércio, ou seja, querem vender tudo pra todo mundo mas não querem comprar nada, e quem for competitivo como os brasileiros produtores de camarão que aguardem mais subsídios para os produtores americanos. Os filhos de tio sam dão muito valor a quem não se curva a eles, que os enfrenta, quem não abaixa a cabeça. Convivendo nesse país por alguns anos vejo como eles agem. Hoje em dia a moda é se ter um filho adotado no Vietnan, se casar com orientais, principalmente mulheres oriundas dessas regiões onde os americanos foram postos pra correr. Nesse momento os soldados se envolvem com as iraquianas, trazem para a américa e muitos se convertem ao islamismo. Se é dor na conciência não sabemos, mas com certeza em alguns anos a integração entre estes países será muito maior que com os latinos, que dizem amém a tudo vindo do norte. A nossa região com todo seu potêncial energético e riquezas de toda ordem tem nas mãos a chave para abrir o caminho do progresso, o que precisamos é levantar a cabeça e olhar o primeiro mundo nos olhos, sem medo e dispostos a morrer por nosso país. A força americana reside no prazer de servir à pátria, mesmo que por causas injustas como o Iraque. Nosso chão merece esse sacrifício. sem opinião
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Leon Diniz Diniz (17) 05/09/2008 17h28
Leon Diniz Diniz (17) 05/09/2008 17h28
Quero congratular-me com LUIZ CASTRO E CÉLIO RODRIGUES, pela importância dos seus texto nesta tribuna. Agradeço também a IGMAR TRINDADE pela oportunidade que dá à estudiosos como eu de buscar um pouco mais de conhecimento. Igmar aproveitei a sugestão que fez a outra pessoa nesta tribuna para que entrasse no GOOGLE ZEITGEIST Também entrei, confesso que fiquei impressionado com as informações alí contidas. Obrigado de coração pela oportunidade.
Sr. Mac Cain copiar não é feio desde que se de o crédito a fonte. Mundança, até onde sei é mote de campanha do Senador Obama. O lema "ir para Wasghiton para refomar o país" também é de Obama. Por favor ponha a criatividade para funcionar e traga algo novo para deleite dos seus apoiadores. A América já teve um filho imitando o pai na presidência, e olha no que deu: A nação além de cair no atoleiro econômico, tem hoje boa parte do mundo odiando os EUA e sua máquina de fabricar guerras.
Enquanto Obama elogia o passado de Mac Cain. o general agride Obama com palavras impróprias e ao mesmo tempo tenta copia-lo sonhando alcançar a popularidade do Senador democrata. É por isso que o povo americano está mais simpático ao democrata que é original, do que à qualquer genérico de ocasião.
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