Chanceler francês pede a Chávez que retome mediação junto às Farc
da France Presse, em Caracas
O ministro francês das Relações Exteriores, Bernard Kouchner, pediu ao presidente venezuelano, Hugo Chávez, que reassuma seu trabalho de mediação nas negociações para a troca de reféns da guerrilha por rebeldes presos.
"O chanceler francês reconheceu os esforços do presidente Hugo Chávez na libertação de vários reféns das Farc e pediu que retome seu papel de facilitador", informou um porta-voz do governo venezuelano.
Até hoje, Chávez colaborou para a libertação de seis seqüestrados, soltos em janeiro e fevereiro deste ano como um gesto de reconhecimento da guerrilha em relação ao presidente venezuelano.
Segundo a mesma fonte do governo da Venezuela, Kouchner reafirmou durante a reunião que Chávez é "um fator importante para retomar o caminho que permitiu estas libertações".
"Falei com o presidente Chávez sobre os reféns, e principalmente sobre Ingrid Betancourt", declarou o ministro francês, que já havia se reunido com Chávez em fevereiro.
A ex-candidata presidencial colombiana, que também tem nacionalidade francesa, foi seqüestrada há mais de seis anos pelas Farc (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia).
"Espero e quero acreditar, que esses três dias foram úteis para a resolução deste triste e doloroso caso", disse Kouchner, referindo-se à viagem que fez por Colômbia, Equador e Venezuela.
Nos últimos dias, Chávez admitiu que seu sistema de contatos com as Farc se "pulverizou" depois da morte do número dois da guerrilha, Raúl Reyes, morto pelo Exército colombiano em território equatoriano no dia 1º de março.
No entanto, o presidente colombiano, Alvaro Uribe, já descartou veementemente a possibilidade de que Chávez volte a atuar como mediador --posição que mesmo o ministro francês, que esteve com Uribe na segunda-feira em Bogotá, não conseguiu modificar.
Kouchner e Chávez também conversaram sobre a tensão existente entre Colômbia, Equador e Venezuela, conflito que contribui para paralisar o processo de libertação dos reféns em poder da guerrilha colombiana.
Depois de se reunir com os três presidentes, Kouchner garantiu o apoio da França para "diminuir a tensão" e levar Bogotá, Caracas e Quito a "retomar relações normais e fraternas".
"Sei que a tensão entre esses três países é grande", disse Kouchner.
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